A posição ortostática deriva da palavra “ortostatismo”, que significa ficar em pé. Ou seja, posição ortostática significa a posição em que um indivíduo encontra-se ereto, sobre seus pés, com os braços estendidos paralelos ao corpo. Muitas vezes é utilizada de forma sinônima à posição anatômica.
Benefícios da posição ortostática
Vale ressaltar que o ortostatismo é uma característica evolutiva na raça humana. E, com isso, traz consigo inúmeros benefícios, dentre eles:
- Prevenção à perda de massa óssea e osteoporose, e resulta, consequentemente, no aumento da densidade óssea
- Equilíbrio do sistema hemodinâmico, com melhora do sistema cardiovascular como um todo e do retorno venoso, reduzindo trombose venosa profunda
- Melhora a respiração
- Melhora a digestão
- Aumento da função urinária e intestinal
- Alonga a musculatura e previne contraturas articulares
- Facilita a formação da articulação do quadril (infância)
- Melhora a integridade cutânea
- Promove alívio de pressões nas posições de decúbito dorsal e sentada, resultando em diminuição da incidência de formação de úlceras
- Melhora a interação com ambiente e as pessoas
Repercussões Clínicas
Apesar de seus inúmeros benefícios, a posição ortostática pode acarretar algumas repercussões clínicas. Sua manutenção por um longo período pode acarretar prejuízo da circulação sanguínea e linfática, culminando em varizes, edema e celulites. Isso ocorre pois, para manter o corpo na posição ereta, é necessário uma constante tensão muscular, ainda que em baixos níveis, que pode provocar uma compressão dos vasos sanguíneos.
Por outro lado, a permanência em posições diferentes por um longo período também traz consequências negativas. Estima-se que uma pessoa que permaneça em decúbito dorsal durante 7 dias reduza sua força muscular em 30%. Aliado a isso, a pressão constante em alguns pontos pode cursar com a formação de úlceras de pressão.
Outra repercussão clínica muito associada à mudança de uma posição prévia para a posição ortostática é a hipotensão ortostática. Ao modificar sua posição para a postura ereta, o corpo do indivíduo passa por diversas alterações tensionais. Essas alterações se iniciam com a diminuição rápida do retorno venoso ao coração, resultando em redução do enchimento ventricular e em diminuição do débito cardíaco e da pressão arterial.
A queda da PA e volume torácico provoca o barorreflexo, que envolve os sistemas nervosos central e periférico que aumenta o simpático e reduz o fluxo parassimpático. A atuação mais acentuada do simpático culmina no aumento da resistência vascular periférica, do retorno venoso e do débito cardíaco, limitando assim a queda da pressão arterial.
Por causa desse mecanismo, a mudança postural causa uma pequena queda na PA sistólica e um rápido aumento da PA diastólica, além do aumento da frequência cardíaca. Indivíduos que apresentem falha em algum desses mecanismos compensatórios podem cursar com hipotensão ortostática, que representa a redução da PA ao adotar a posição ortostática.
Referências:
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. C. Anatomia sistêmica e segmentar. 3.ed. São Paulo: Atheneu, 2007