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Resumo de Meningite Neonatal: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas

meningite-neonatal--Flávia Mariana Santos

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Definição

A meningite neonatal caracteriza-se por ser um processo inflamatório que atinge o espaço subaracnóide e as membranas aracnóide e pia-máter, que são responsáveis por revestir o Sistema Nervoso (SN), ocorrendo nos primeiros 28 dias de vida. Entre os agentes etiológicos, as bactérias são a principal causa, além de vírus, fungos e parasitas. 

Epidemiologia de Meningite Neonatal 

A estimativa de ocorrência é de aproximadamente 0,3 caso a cada 1000 nascidos vivos, com a mortalidade de 10 a 15%. Das bactérias, a Escherichia coli K1, outras Enterobacteriaceas, Streptococcus do Grupo B (SGB) e Listeria monocytogenes são as principais causadoras da meningite neonatal, enquanto das virais, os maiores representantes são os enterovírus. Os principais fatores de riscos são crianças prematuras, com baixo peso ao nascer e com infecção materna periparto, além de outras alterações, o que pode causar elevada chance de desenvolver a doença.

Fisiopatologia

A meningite neonatal é uma doença de difícil diagnóstico, o que aumenta o grau de letalidade. Pode ocorrer na primeira semana de vida, frequentemente nas primeiras 72 horas, com a transmissão perinatal ou após com a infecção tardia, pós-natal, que pode ser hospitalar ou da comunidade. A disseminação pode ocorrer pela via hematogênica ou quando há malformação do Sistema Nervoso Central (SNC) com fístula ou em Recém- Nascidos (RN) com algum aparelho que esteja no SNC.

Após a colonização dos microrganismos, há uma liberação de componentes que atingem o endotélio e acabam desencadeando um processo inflamatório, o que causa um edema vasogênico, aumentando as citocinas no espaço subaracnóideo e elevação da resistência ao fluxo liquórico, aumentando assim, a pressão intracraniana e causando a perda da autorregulação cerebrovascular.

Quadro clínico

Por não apresentar um quadro clínico característico, principalmente nos RN, é importante acompanhar o seu comportamento e sempre procurar ajuda quando houver alguma alteração como instabilidade térmica, irritabilidade, letargia, vômitos e diarreia frequentes, sintomas relacionados ao SNC como hipotonia, tremores, convulsões, normalmente focais, além de apneia e desconforto respiratório.

Das sequelas neurológicas, a mais frequente é surdez neurossensorial, hidrocefalia,  além de distúrbios de linguagem, deficiências motoras, alteração no desenvolvimento e comportamento.

Fonte: https://www.miniguiaonline.com/meningite-o-que-e/
Imagem 1: Descrição da fisiopatologia da Meningite.

Diagnóstico 

O diagnóstico é a associação da clínica que é alterada de acordo com a idade, evolução da doença e resposta do hospedeiro à infecção. No RN e no lactante a clínica pode ser inespecífica, sendo importante verificar se há exantema macular ou maculopapular nas primeiras 24h de febre. 

Ademais, há também os exames complementares, que são de fundamental importância para confirmação diagnóstica, sendo os principais:

Hemograma: bastonetes, com leucocitose ou leucopenia, neutrofilia ou netropenia;

Hemocultura: com duas amostras colhidas de aéreas diferentes, positiva em mais de 60% dos casos;

Punção lombar: deve ser colhida antes da antibioticoterapia após a estabilidade hemodinâmica, caso a avaliação do Líquido Cefalorraquidiano (LCR) não seja possível devido uma instabilidade clínica, deve-se iniciar a antibioticoterapia, quando houver melhora, coletar o LCR sempre que possível para analisar a celularidade, a amostra deve ser repetida em 72 a 96h após o início do tratamento para comprovar a esterilidade do líquor; 

Exame citoquímico: glicose e proteínas são analisadas, verificando um aumento no valor de referência das proteínas e diminuição do valor da glicose.

Tratamento

Quando não há um tratamento adequado, a taxa de mortalidade pode variar de 5 até 20%, devido a isso a doença exige uma medida rápida, sendo necessário fazer uso da antibioticoterapia empírica. As doses do antibiótico devem ser ajustadas em relação ao peso e a idade. Após resultado dos exames a terapêutica deverá ser adequada ao agente causador e o teste de sensibilidade deverá ser feito ao antibiótico correspondente. 

Vale ressaltar a importância do uso racional dos antimicrobianos, sempre que possível, NÃO utilizar carbapenêmicos, eles são fortes indutores de resistência, alteram a microbiota do RN e estão associados ao surgimento de Pseudomonas sp resistente a carbapenêmicos, sendo válido ressaltar que o uso prolongado de cefalosporina de 3ͣ geração é prejudicial por que é  um grande fator de risco para candidíase invasiva, por isso é necessário fazer o tratamento adequado para evitar consequências adversas. 

Antibioticoterapia Empírica
Infecção precoce Ampicilina + Gentamicina  
(+ Cefotaxima se suspeita de Gram negativo resistente à Ampicilina)
Infecção tardia Adquirida no Hospital Vancomicina + Aminoglicosídeo + Cefotaxima
(Ceftazidima se suspeita de Pseudomonas)
Adquirida na Comunidade Ampicilina + Cefotaxima
(considerar associar aminoglicosídeo dado o risco de etiologia a Gram negativo)
Fonte: https://pedipedia.org/artigo-profissional/meningite-neonatal
Imagem 2: Tratamento com Antibioticoterapia Empírica 

A prevenção é de fundamental importância para conter essa doença, é importante fazer um bom pré-natal, com o rastreio e a profilaxia intraparto da colonização vaginal por Streptococcus do Grupo B, vacinar as pessoas próximas e manter o calendário vacinal do RN e lactante sempre atualizado, são importantes medidas na prevenção da meningite neonatal e da sepse precoce.

Autor(a): Flávia Santos

Instagram: _@flaviasantos0301

Referências:

Protocolo Clínico. Meningite Neonatal Maternidade Escola Assis Chateaubriand

Fortunato,Fabiana; Marçal,Mônica. Meningite Neonatal. , 2018. Acesso em 05 jan 2022. https://pedipedia.org/artigo-profissional/meningite-neonatal 
Prata, Filipa; Cabral,Marta,inc. Meningites Agudas Bacterianas. Recomendações da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade de Cuidados Intensivos Pediátricos da SPP.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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