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Resumo de intoxicação por lítio | Colunistas

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Contexto histórico

O lítio é um metal alcalino, que foi descoberto no ano de 1817 pelo sueco Johann Arfvedson, em Estocolmo, sendo ele isolado por eletrólise apenas em 1855 por Robert Wilhelm Bunsen e Mattiessen. Em 1930, nos EUA, foi iniciada a produção do Carbonato de Lítio.

O grande marco histórico foi em 1954, quando o dinamarquês Mogenes Schou e colegas publicaram o estudo duplo-cego do uso do lítio em quadro clínico de mania e aprovado para uso clínico pelo FDA em 1970.

Desde então, esse metal tem sido utilizado em diversas áreas, tendo um principal destaque na área da medicina, tanto no uso de baterias de marcapasso, quanto em medicamentos para tratamento de distúrbios bipolares.

Definição

Intoxicação por lítio (Li), nada mais é que o aumento da concentração plasmática desse metal no organismo, acarretando sintomas. A toxicidade do Li, em geral, resulta de superdosagem acidental ou intencional, aumento da dose ou redução da depuração renal de Li.

#Litemia é a forma de dosar as concentrações de lítio no sangue.

Farmacocinética

O lítio possui um baixo índice terapêutico (0,5 a 1,2 mEq/L), sendo assim necessário seu monitoramento plasmático esporadicamente. Após ingerido, é rapidamente absorvido pelo trato digestivo, sem sofrer alteração de absorção na presença de alimentos, alcançando o pico plasmático de 1 até 2 horas após a ingesta. Entre 6 e 10 horas ele atinge os componentes intracelulares, mantendo os níveis sanguíneos estáveis por até 12 horas.

Não há metabolização do Li, sendo 95% excretado pelos rins e o restante é eliminado pelo suor e fezes, apresentando meia-vida entre 12-24 horas.  Aproximadamente 60% são reabsorvidos pelos túbulos proximais e 20% pela alça de Henle e ducto coletor, principalmente por competição com o sódio, ou seja, simples quadros de desidratação podem levar a intoxicação.

Fonte: https://www.semanticscholar.org/paper/Lithium-nephrotoxicity-revisited-Gr%C3%BCnfeld-Rossier/395c4d44a0c0f285e764a82cd472cf647b716aed
Figura 1:a) Transporte fisiológico no ducto coletor. b) Competição do Li pelo receptor de sódio.
Obs.: O clearance de Li pode ser estipulado equivalente a 1/5 do clearance de creatinina.

Quadro clínico de intoxicação por Lítio

Geralmente, níveis séricos acima de 1,5 mEq/L representam maiores riscos de toxicidade, embora pacientes sensíveis possam apresentar estes quadros com litemia inferior a 1,5 mEq/L.

Podemos classificar em toxicidade aguda, crônica e crônica agudizada. A primeira ocorre por ingesta, geralmente em tentativas de suicídio, em pacientes sem exposição prévia por Li, levando a sintomas gastrointestinais como náusea e vômitos, além de quadros neurológicos como sonolência e tonturas, esses ocorrem de maneira mais tardia. A forma crônica ocorre em pacientes em que o balanço entre a ingesta e a eliminação está desigual, como exemplo a piora da função renal, desidratação e baixa ingesta de sódio. Predomina-se manifestações neurológicos, com poucos sintomas gastrointestinais. Já na toxicidade crônica agudizada, caracteriza-se pela exposição prévia ao Li somado a uma ingesta aguda, manifestando sintomas gastrointestinais e neurológicos.

Podemos relacionar alguns dos sintomas de acordo com a concentração de Li em seus níveis séricos como, sintomas leves, moderados e graves elucidados de maneira resumida figura 2.

Fonte: https://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/7183/intoxicacao_por_litio.htm (2017)
Figura 2: tabela de sintomas de acordo com a concentração sérica de lítio
Obs.: Vale ressaltar que em alguns casos concentrações acima de 3 podem apresem quadros complexos envolvendo múltiplos órgãos e sistemas.

Listados na figura 3, estão algumas drogas que interagem com as concentrações de Li, devendo ser estudadas individualmente.

Fonte: https://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/saude-mental/protocolos-da-raps/9205-intoxicacao-por-litio/file
Figura 3: Fármacos que interagem, podendo agravar a intoxicação por lítio.

Diagnóstico de intoxicação por Lítio

Deve-se suspeitar de qualquer paciente em uso de medicamentos neuropsiquiátricos, apresente sintomas ou com alteração do estado mental. O diagnóstico definitivo se dá pela história clínica e exames apresentando concentrações séricas elevadas.

É recomendado o monitoramento das concentrações séricas de Li a cada 6 horas, pois em muitos casos as primeiras dosagens podem estar baixas, principalmente nos casos agudos.

Já nos casos crônicos, mesmo concentrações dentro da faixa terapêutica (0,5 a 1,2mEq/L), podem apresentar sintomas importantes.

# Deve-se ressaltar ainda que as concentrações séricas podem ter pouca correlação com a clínica.

Tratamento de intoxicação por Lítio

Primeiramente deve-se salientar que o Lítio não possui antídoto. O uso do carvão ativado não é capaz de adsorver o Li, não devendo ser empregado nesse caso de intoxicação, além de que êmese e lavagem gástrica após 2 horas, não otimiza a eliminação do fármaco, não sendo recomendadas.

Pacientes que apresentam litemia > 1,2, não modificada após a ressuscitação volêmica; alteração do nível de consciência ou sintomas neurológicos em usuários crônicos de Li, independente da concentração sérica; litemia elevada associada a piora renal; são indicações de internação hospitalar.

Medidas de suporte devem ser empregadas de acordo com a necessidade (sintomático), como: monitorização, oxigênio, intubação orotraqueal, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e controle da agitação.

O tratamento depende da gravidade clínica, a primeira medida a ser adotada é a reposição volêmica, com solução fisiológica, a fim de promover uma diurese entre 2-3 ml/kg/hora.

Em casos mais graves que apresente: lítio > 5mEq/L sem sintomas; lítio > 4mEq/L + insuficiência renal (IR); lítio > 2mEq/L +IR + sintomas neurológicos; intoxicação grave, independente da litemia (alteração do nível de consciência, convulsão, arritmia ameaçadora à vida); é indicado a realização de hemodiálise.

Deve-se interromper a diálise quando litemia atingir < 1mEq/L, há melhora clínica aparente ou após 6 horas caso a litemia não esteja disponível com rapidez. Após sua interrupção, recomenda-se monitorar os níveis plasmáticos de Li a cada 12 horas.  

Outras medidas como inibidores da anidrase carbônica, aminofilina e diuréticos osmóticos e poliestireno de sódio, são capazes de aumentar a excreção de Li, porém não são amplamente recomendados, não superando os efeitos colaterais e a eficácia dos outros métodos.

Fonte: https://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/saude-mental/protocolos-da-raps/9205-intoxicacao-por-litio/file
Figura 4: algoritmo de conduta para paciente intoxicado por lítio.
#Adaptado do fone de Santa Catarina (08006435252) para o número criado pela Anvisa, Disque-intoxicação, abrangendo 19 estados brasileiros.

Autor: Vitor Boutros Carvalho – @vitorboutros


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Braga, Paulo Fernando Almeida. Lítio: Um mineral estratégico/Paulo F. Almeida Braga/Silvia Cristina Alves França. __Rio de Janeiro: CETEM/MCTI, 2013. 41p.: il (Série Estudos e Documentos, 81). 1. Lítio. 2. Minerais estratégicos. I. Centro de Tecnologia Mineral. II. França, Silvia Cristina Alves. III. Título. IV. Série. CDD – 553.499 (Pg. 11-15) Acessível em: http://mineralis.cetem.gov.br/bitstream/cetem/1851/1/sed-81.pdf

Protocolo da Rede de Atenção Psicossocial, baseado em evidências, para acolher e tratar pessoas intoxicadas por lítio. Sistema Único de Saúde Estado de Santa Catarina, 2015. SANTA CATARINA. RAPS. Intoxicações por lítio: protocolo de acolhimento. Acessível em:

https://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/saude-mental/protocolos-da-raps/9205-intoxicacao-por-litio/file


Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa
. Ministério da Saúde. Disque-intoxicação. Publicado em 21/09/2020 00h00 Atualizado em 29/09/2020 09h09. Acessível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/agrotoxicos/disque-intoxicacao

Reações adversas e efeitos colaterais do Carbonato de Lítio. O conteúdo desta bula foi extraído manualmente da bula original, sob supervisão técnica da farmacêutica responsável: Dra. Francielle Tatiana Mathias CRF/PR 24612. Consulte a bula original. Última atualização: 02 de março de 2020. Acessível em: https://consultaremedios.com.br/carbonato-de-litio/bula/reacoes-adversas

Curso de Bioquímica aplicada a Medicina Biomolecular. DR. PROF DR JOSE DE FELIPE JUNIOR Periodo: fevereiro de 2011 a dezembro de 2011 Trabalho: Monografia Relativa ao Lítio. Aluno ARMANDO TADEU GUASTAPAGLIA. Acessível em:  http://www.medicinabiomolecular.com.br/biblioteca/pdfs/Nutrientes/nu-0138.pdf

Rodrigo Antonio Brandão Neto, Médico Assistente da Disciplina de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Intoxicação por Lítio. Última revisão: 17/08/2017. Acessível em:

https://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/7183/intoxicacao_por_litio.htm

Ricardo Alberto Moreno, Doris Hupfeld Moreno, Lítio, Última revisão: 17/07/2014

Acessível em: https://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/5869/litio.htm

Velasco IT, Brandão Neto RA, Souza HP de, Marino LO, Marchini JFM, Alencar JCG de. Medicina de emergência: abordagem prática. 2019;

Jobson Lopes de OliveiraI; Geraldo Bezerra da Silva JúniorII; Krasnalhia Lívia Soares de AbreuI; Natália de Albuquerque RochaI; Luiz Fernando Leonavicius G. FrancoI; Sônia Maria Holanda Almeida AraújoIII; Elizabeth de Francesco DaherIV,* ARTIGO DE REVISÃO, Nefrotoxicidade por lítio, Lithium nephrotoxicity. Acessível em: https://www.scielo.br/j/ramb/a/Lgnbk9sJbYmFCZqRShsr6Rh/?lang=pt#

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