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Inibidores da monoamina oxidase (IMAOs): ação, farmacocinética, indicações e contraindicações

Resumo de Inibidores da Monoamina Oxidase- IMAOs - Sanar

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Inibidores da monoamina oxidase: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

Os inibidores da monoamina oxidase (IMAOs) são psicofármacos com diversas finalidades terapêuticas para transtornos psiquiátricos, dentre eles depressão maior refratária ao tratamento. Seus representantes são a Isocarboxazida, Moclobemida, Fenelzina, Selegilina e Tranilcipromina.

Entretanto, essas drogas são reservadas para situações específicas, pois possuem diversas interações medicamentosas e alimentares graves, além de poderem ser letais em overdose.

Mecanismos de ação dos inibidores da monoamina oxidase

O mecanismo de ação dessas drogas não é bem estabelecido. A hipótese mais defendida consiste no aumento da neurotransmissão dopaminérgica, noradrenérgica e serotonérgica pelos IMAOs.

Isso se deve ao bloqueio da monoamina oxidase, uma enzima mitocondrial que está presente em diversos órgãos. Essa enzima  inativa esses neurotransmissores. Ou seja, sua inibição causa o aumento dessas substâncias e da sua concentração nas sinapses neuronais.

Além disso, a MAO está associada a ativação de aminas endógenas e ingeridas, como a tiramina, que, de outra forma, produziríam efeitos adversos. Isso explica as interações alimentares que veremos a seguir.

Assim, os IMAOs podem apresentar outros benefícios e envolver outras ações farmacológicas, como a redução do número de receptores adrenérgicos e serotoninérgicos e a indução da neurogênese hipocampal

Farmacologia dos inibidores da monoamina oxidase

Os IMAOs diferem entre si em diversos aspectos. Dessa forma, o primeiro deles é sua estrutura química, que pode ser um composto de hidrazina, como a isocarboxazida e fenelzina, ou não-hidrazina, como moclobemida , selegilina e tranilcipromina.

Para mais, os IMAOs podem ser classificados com relação a sua seletividade para atuação em um dos dois isômeros da enzima, MAO-A ou MAO-B. MAO-A metaboliza dopamina, norepinefrina e serotonina, enquanto MAO-B metaboliza dopamina. A MAO-A, por exemplo, é a principal envolvida no tratamento da depressão, enquanto a MAO-B tem maior importância na doença de Parkinson.

Outra classificação envolvida atribui-se a reversibilidade. Dessa forma, uma droga reversível garante uma rápida recuperação da atividade enzimática, e está relacionada à afinidade entre o fármaco e a proteína. Além disso, as drogas irreversíveis se ligam covalentemente e inativam a monoamina oxidase por toda sua vida (que dura, em média, 2-4 semanas). Essa característica confere uma reatividade enzimática mais lenta e dependente da suspensão do uso do medicamento e produção de nova enzima.

Medicamento Seletivo* Reversível
Isocarboxazida não não
Moclobemida sim, para MAO-A sim
Fenelzina não não
Selegiline sim, para MAO-B em doses mais baixas; não em doses mais altas não
Tranilcipromina não não
*MAO-A: monoamina oxidase A; MAO-B: monoamina oxidase B

Quando indicar os IMAOs?

Os inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) são psicofármacos com indicações específicas, especialmente em quadros que não respondem adequadamente às terapias tradicionais. Apesar de seu uso ter sido reduzido devido ao potencial de efeitos adversos e interações medicamentosas, os IMAOs ainda ocupam um espaço importante em certos contextos clínicos.

Depressão maior resistente

Uma das principais indicações dos IMAOs é no tratamento da depressão maior, tanto unipolar quanto bipolar, principalmente quando há falha em múltiplos esquemas terapêuticos prévios. Sua ação sobre as monoaminas pode ser eficaz em casos considerados refratários.

Transtorno depressivo persistente

Pacientes com distimia ou transtorno depressivo persistente que não apresentaram melhora com outras classes de antidepressivos podem se beneficiar dos IMAOs, desde que o risco-benefício seja cuidadosamente avaliado.

Transtornos alimentares e de ansiedade

Os IMAOs também podem ser indicados no tratamento da bulimia nervosa, especialmente quando há comorbidade com sintomas depressivos graves. Além disso, são eficazes em alguns transtornos de ansiedade, como o transtorno de pânico e o transtorno de ansiedade social, sobretudo em casos refratários.

Doença de Parkinson

Alguns IMAOs, como a selegilina e a rasagilina, são utilizados no tratamento da doença de Parkinson, atuando na preservação da dopamina cerebral bem como contribuindo para o controle dos sintomas motores da doença.

Em resumo, os IMAOs são alternativas terapêuticas valiosas em situações específicas, exigindo prescrição criteriosa e acompanhamento rigoroso devido ao seu perfil farmacológico complexo.

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Contraindicações dos inibidores da monoamina oxidase

Os IMAOs são contraindicados em pacientes que usam determinadas medicações devido ao risco de interação medicamentosa, como veremos abaixo. Além disso, um exemplo dessas medicações são os inibidores da recaptação da serotonina, devido ao risco de toxicidade serotoninérgica. Por isso, para o emprego dessa terapia, é necessária uma avaliação criteriosa do paciente e de outras medicações em uso.

Os IMAOs não seletivos são contraindicados em pacientes portadores de insuficiência cardíaca congestiva, doença hepática bem como feocromocitoma.

Efeitos adversos dos inibidores da monoamina oxidase

A hipotensão é um efeito adverso comum. Dessa forma, o excesso de estimulação central pode causar tremores, excitação, mioclonia, insônia e convulsões. Também podem ocorrer boca seca, visão embaçada, retenção urinária, constipação.

Além disso, outro efeito adverso importante do IMAO, que pode ser extremo ao ponto de suspender o fármaco, é o aumento de apetite com consequente aumento de peso. Acrescenta-se também a disfunção sexual, que pode se manifestar através da diminuição da libido, impotência, ejaculação retardada e anorgasmia.

Interações medicamentosas

As consequências mais importantes das interações medicamentosas e alimentares são a síndrome da serotonina e a crise hipertensiva.

Assim, a síndrome da serotonina é uma situação potencialmente fatal que resulta do aumento da atividade serotoninérgica no SNC. Dessa forma, pode ser desenvolvida a partir do uso do IMAO com medicações que aumentam essa neurotransmissão, como:

  • Tramadol
  • Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS: citalopram, escitalopram, fluoxetina, sertralina…)
  • Inibidores da recaptação da serotonina-norepinefrina (IRSN: desvenlafaxina, duloxetina, venlafaxina)
  • Sibutramina
  • Triptofano
  • Uso associado com anfetaminas, ecstasy, cocaina.

Interações alimentares

Interações alimentares também são comuns e frequentes. Isso ocorre pois alguns IMAOs interagem com a tiramina, um aminoácido encontrado em vários alimentos e bebidas. Esse aminoácido é uma amina simpatomimética indireta que pode atuar como vasopressor.

Assim, os pacientes que tomam IMAO que representam um risco de crise hipertensiva devem adotar restrições dietéticas. Dentre os alimentos que devem ser evitados estão:

  •  Queijo envelhecido cru ou cozido,
  •  Carne, frango ou peixe envelhecido, seco / curado (por exemplo, bacon, carne enlatada, mortadela, pastrami, salame e salsicha,
  • Frutas e vegetais maduros

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Veja também:

Referência bibliográfica

  • HIRSCH, Michael; BIMBAUM, Robert. Monoamine oxidase inhibitors (MAOIs): Pharmacology, administration, safety, and side effects.  UpToDate, Inc., 2021. Acesso em: 15 de maio 2021.
  • Rang, H.P; Dale, M.M. Farmacologia. Editora Elsevier, 8 ed., 2016
  • SPINDLER, Meredith; TARSY, Daniel. Initial pharmacologic treatment of parkinson disease.  UpToDate, Inc., 2021. Acesso em 08 de Fevereiro de 2024.

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