A hipernatremia é definida quando a concentração sérica de sódio (Na+) no plasma está acima de 145 mEq/L. Desenvolve-se a partir de desequilíbrio entre água e Na+ corporal, devido a ganho de sódio ou pela perda de água livre, ou pela combinação desses fatores. Como consequência, a hipernatremia sempre está associada à hiperosmolaridade.
Acredita-se que tenha uma frequência de 0,2% nas admissões hospitalares, chegando a 6% nos pacientes de unidade de terapia intensiva (UTI). Está associada a uma mortalidade elevada, cerca de 40 a 60%, principalmente porque os processos mórbidos subjacentes associados são graves.
Um aumento na concentração sérica de sódio e na osmolalidade causa movimento da água para fora do cérebro, por isso as principais repercussões são neurológicas. A hipernatremia devido à perda de água é chamada de desidratação. Isso é diferente da hipovolemia , na qual tanto sal quanto água são perdidos.
Classificação e causas da hipernatremia
As hipernatremias podem ser classificadas de acordo com o volume em hipernatremia hipovolêmica, euvolêmica e hipervolêmica. É mais frequentemente devido à água não substituída que é perdida principalmente pelas seguintes condições:
- Trato gastrointestinal: vômitos ou diarreia osmótica.
- Pele: suor excessivo.
- Urina: como ocorre no diabetes insipidus, na diurese osmótica devido à glicosúria no diabetes mellitus não controlado, no aumento da excreção de ureia resultante de catabolismo ou recuperação de insuficiência renal.
Menos comumente, a hipernatremia resulta da administração de sal em excesso de água, como pode ocorrer com a terapia hipertônica com bicarbonato de sódio durante uma parada cardíaca, administração intravenosa inadvertida de solução salina hipertônica durante o aborto terapêutico ou ingestão de sal.
A perda excessiva de água raramente leva à hipernatremia porque o aumento resultante na osmolalidade plasmática estimula a sede, o que leva ao aumento da ingestão de líquidos que reduz o sódio sérico para a faixa normal. Assim, a hipernatremia ocorre principalmente naqueles que são incapazes de sentir a sede ou de responder à sede normalmente, como bebês e adultos com estado mental prejudicado, principalmente idosos.
A hipernatremia hipervolêmica ocorre quando há um ganho excessivo de sódio e água, com ganho de Na+ maior que o hídrico. É particularmente comum em unidades de terapia intensiva, quando os pacientes recebem grandes quantidades de fluidos, que podem ser hipertônicos em relação às perdas contínuas de fluidos, para corrigir a hipovolemia ou hipotensão.
Quadro clínico da hipernatremia
Os sintomas da hipernatremia são predominantemente neurológicos, decorrentes do sequestro de água para o meio extracelular que ocorre no cérebro. A rápida diminuição do volume cerebral pode causar ruptura das veias cerebrais, levando a hemorragias intracerebrais e subaracnóideas focais e possivelmente danos neurológicos irreversíveis.
As manifestações clínicas da hipernatremia aguda começam com letargia, fraqueza e irritabilidade e podem progredir para espasmos, convulsões e coma.
Um aumento excessivamente rápido na concentração sérica de sódio pode levar à síndrome de desmielinização osmótica, também chamada de mielinólise pontina central, resultando em sintomas neurológicos graves e potencialmente irreversíveis.
Os sintomas graves geralmente requerem uma elevação aguda na concentração sérica de sódio para acima de 158 mEq / L. Valores acima de 180 mEq / L estão associados a uma alta taxa de mortalidade, principalmente em adultos.
A hipernatremia crônica, que é definida como hipernatremia que está presente por mais de um dia, tem muito menos probabilidade de induzir sintomas neurológicos, pois há adaptação cerebral com produção de novos solutos.
Manejo da hipercapnia
O tratamento de emergência deve ser feito para os casos nos quais o sódio sérico está entre 158 e 160 mEq/L e, sobretudo, quando os pacientes estejam sintomáticos. Algumas regras devem ser seguidas na hora de realizar a hidratação, como não exceder 6,8 mL/kg de água e não corrigir mais do que 0,05 mEq de Na+ sérico por hora.
Em casos de hipovolemia se corrige com uso de solução salina fisiológica até a estabilização. Fórmula para auxiliar correção de hiponatremia:
Δ Na =(Na+) infusão – (Na+) paciente ACT +1
ACT = água corporal total.
A hidratação rápida e excessiva pode ocasionar edema cerebral. A escolha do fluido inicial não parece interferir na ocorrência de complicações neurológicas. Nos casos de diabetes insipidus central ou gestacional, a desmopressina pode ser dada ao paciente para interromper a poliúria.
Posts relacionados:
- Resumo de hiponatremia: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento
- Hipernatremia: o aumento da concentração de sódio no sangue | Colunistas
- Distúrbios do sódio
- Bomba de sódio e potássio
Referências:
- DUTRA, Valeria de Freitas.TALLO, Fernando Sabia. RODRIGUES, Fernanda Tele. VENDRAME, Letícia Sandre. LOPES, Renato Delascio. LOPES, Antonio Carlos. Desequilíbrios hidroeletrolíticos na sala de emergência. Rev Bras Clin Med. São Paulo, 2012 set-out;10(5):410-9.
- Longo, DL et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 19th ed. New York: McGraw-Hill, 2015.
- STERNS, Richard H. HOORN, Ewout J. Treatment of hypernatremia in adults. © 2021 UpToDate , Inc.