Entenda o que é a herpangina, como a condição é desenvolvida, como diagnósticá-la e conduzir o manejo do seu paciente. Bons estudos!
A herpagina é uma doença viral muito relacionada à faixa etária infantil. Embora não seja considerada grave, em casos raros as complicações podem ser preocupantes. Por isso, é fundamental que o médico saiba identificar a herpagina e controlar a evolução da doença.
Definição e características clínicas da herpangina
Descrite pela primeira vez na década de 1920, porém não estabeleceu-se a etiologia viral até 1951. Causada por 22 sorotipos de enterovírus, mais comumente sorotipos de Coxsackievirus A.
Trata-se de uma doença autolimitada e não é considerada perigosa na maioria dos casos. Embora possa causar desconforto e sintomas incômodos, especialmente em crianças, a herpangina geralmente se resolve espontaneamente dentro de uma semana, sem deixar sequelas permanentes.
A herpangina caracteriza-se por lesões vesiculares dolorosas na boca e garganta, amígdalas e úvula.
Epidemiologia da herpangina
Primariamente afeta crianças e geralmente no verão e início do outono. No entanto, casos esporádicos e epidemias afetando principalmente crianças mais velhas, adolescentes e adultos foram relatados.
Relatou-se surtos envolvendo creches, escolas, acampamentos de verão, enfermarias de hospitais, instalações militares, comunidades , bem como grandes áreas geográficas e países inteiros.
Assim, herpangina é mais comum em crianças com idade entre 3 e 10 anos. Isso se deve, em parte, à imaturidade do sistema imunológico nessa faixa etária e à falta de exposição prévia aos vírus Coxsackie.
Os vírus que causam a herpangina transmitem-se de pessoa a pessoa pela via fecal-oral. Porém, também podem ser transmitidos por contato com as secreções orais e respiratórias.
Uma vez ingeridos, os enterovírus se replicam nos tecidos linfóides submucosos do intestino grosso e, em menor grau, na faringe. Após a replicação, os enterovírus se espalham para os nódulos linfáticos regionais.
A replicação nesses locais resulta em uma “viremia menor” que dissemina o vírus por todo o corpo, resultando em infecção de tecidos reticuloendoteliais e múltiplos órgãos (por exemplo, sistema nervoso central, coração, fígado, pele). A replicação nesses locais é responsável pelas manifestações clínicas das infecções enterovirais.
O mesmo evento adicional nos locais disseminados leva a uma “viremia maior”, que continua até que o hospedeiro produza anticorpos específicos para o tipo. A replicação do enterovírus em tecidos de órgãos resulta na morte de células infectadas, acompanhada de inflamação e necrose.
Quadro clínico da doença: sinais e sintomas
O quadro clínico geralmente é assintomático.
No entanto, na presença de sintomas o paciente pode apresentar febre, anorexia, cervicalgia e cefaléia.
As lesões orofaríngeas são pápulas ou vesículas branco-acinzentadas, múltiplas e pequenas com base eritematosa geralmente confinam-se no palato mole, úvula e pilares amigdalianos.
Devido a essas vesículas, o paciente pode sentir dor e desconforto. Com isso, pode haver dificuldade para deglutir e, consequentemente, para comer. Os pacientes podem apresentar diminuição do apetite e desidratação. Esses efeitos são especialmente comuns em crianças pequenas.
A febre é uma resposta do sistema imunológico, embora seja leve a moderada.
As vesículas se rompem em 2 a 3 dias, deixando úlceras que podem aumentar. As lesões orais podem durar por mais de uma semana e pode ocorrer linfonodomegalia.
Herpangina é uma doença extremamente benigna. As complicações são raras e ocorrem quase exclusivamente quando a herpangina é causada pelo enterovírus A71. As complicações podem incluir rombencefalite (encefalite do tronco cerebral), paralisia flácida aguda e meningite asséptica.
A herpangina geralmente tem um curso autolimitado e os sintomas podem durar de 7 a 10 dias. No entanto, a duração exata dos sintomas pode variar de pessoa para pessoa.
Diagnóstico de herpangina
O diagnóstico de herpangina é feito clinicamente, com base na aparência e localização típicas do enantema oral.
Geralmente identifica-se menos de 10 vesículas hiperêmicas amarelas/branco-acinzentadas nos pilares anteriores das fauces, palato mole, amígdalas e úvula), associada febre.
Assim, raramente necessita-se da confirmação de uma etiologia viral em crianças com herpangina, sendo necessária se o diagnóstico for incerto (por exemplo, exantema isolado ou em crianças com complicações.
Quando necessita-se de confirmação etiológica, deve-se obter amostras de garganta, fezes e fluido vesicular para cultura de células ou amplificação de ácido nucléico (por exemplo, reação em cadeia da polimerase).
O histórico médico e exame físico e laboratorial podem sugerir e confirmar – respectivamente – a infecção viral.
Descartar outras condições é tão importante quanto seguir o raciocínio certo. As infecções que devemos afastar são amigdalite estreptocócica, infecção por herpes simples e outras infecções virais ou bacterianas que afetam a garganta.
Tratamento de herpangina
A doença é autolimitada, a resolução espontânea completa geralmente ocorre em sete dias, e o tratamento é feito com sintomáticos, não sendo necessário tratamento específico.
Assim, é importante recomendar repouso e hidratação ao paciente durante a fase aguda da doença; para o alívio da dor, deve-se prescrever analgésicos como Paracetamol ou Ibuprofeno aos pacientes.
Enxaguar a boca com água morna salgada ou soluções antissépticas suaves pode ajudar a aliviar a dor e manter a higiene bucal adequada. Evitar alimentos ácidos, condimentados ou duros que possam irritar ainda mais as lesões na boca.
Recomenda-se alimentos macios, como sopas, purês, bem como iogurtes que sejam fáceis de engolir e não causem irritação adicional.
Crianças com complicações podem precisar de hospitalização. Mesmo nos raros casos graves, o tratamento da herpangina é de suporte. Pode-se controlar a dor e desconforto devido à febre com dipirona, paracetamol ou ibuprofeno.
Devido ao alto contágio da herpangina, o isolamento do paciente pode ser necessário. Assim, além do isolamento do paciente, deve-se isolar também os seus utensílios e objetos pessoais.
Prevenção e medidas de controle
A prevenção da herpangina envolve medidas que evitam a transmissão do vírus Coxsackie.
Por isso, recomende ao paciente ou os responsáveis as seguintes medidas:
- Higiene das mãos, com sabão, antes de comer ou contato com doentes;
- Evitar contato próximo com pacientes contaminados;
- Medidas de precaução em ambientes coletivos, como creches e escolas;
- Isolamento do paciente doente;
- Educação e conscientização sobre a doença.
A adesão a essas medidas favorecerá muito o controle da doença.
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Perguntas frequentes
- O que causa a herpangina?
Causada principalmente pelo grupo de vírus Coxsackie, especialmente os sorotipos A. - Quais são os principais sintomas da herpangina?
Os principais sintomas da herpangina incluem lesões vesiculares dolorosas na boca e garganta, febre, mal-estar e dor de cabeça. - Qual é o grupo de idade mais afetado pela herpangina?
A herpangina é mais comum em crianças com idade entre 3 e 10 anos.
Referências bibliográficas
- COSTA, Guilherme Guerra Orcesi. Fundação otorrinolaringologia (FORL), 2005. Acesso em 02 de maio 2021
- ROMERO, José R. Hand, foot, and mouth disease and herpangina. Uptodate, 2020. Atualizado em: Apr 2021. Acesso em 02 de maio 2021.
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