Definição
A Helicobacter Pylori é uma
bactéria gram-negativa que infecta a mucosa do estômago provocando lesões
localizadas de gravidade variável, tais como gastrite, úlceras pépticas e
câncer de estômago. Esta bactéria tem como característica a capacidade de
interagir com a célula do hospedeiro de forma de garantir sua permanência por
longo tempo.
Epidemiologia
A bactéria H. pylori pode
permanecer infectando o hospedeiro por toda a vida. A persistência das
infecções ainda não é bem definida. Porém, a maioria dos portadores desta
bactéria é assintomática e apenas uma pequena percentagem de pacientes
infectados desenvolvem respostas mais severas a infecção, sendo a gastrite o
quadro clínico mais comum.
Na gastrite crônica induzida
pela H. pylori, pode haver um agravo no quadro clínico dos pacientes, que vão
de úlcera péptica (úlcera gástrica e duodenal) ao adenocarcinoma gástrico
distal. Embora os fatores que determinam esta variedade de resultados clínicos
da infecção pela H. pylori não estejam bem compreendidos, o desenvolvimento de
uma resposta imune inflamatória gástrica sustentada à infecção parece ser
fundamental para o desenvolvimento da doença.
A infecção pelo H. Pylori
nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento é muito alta, atingindo cerca
de 50% das crianças (5 anos de idade) e acima de 70% (10 anos de idade). A
infecção é adquirida pela ingestão da bactéria e transmitida principalmente
dentro das famílias. A principal fonte de transmissão dentro da família é a
mãe. A prevalência da H. Pylori está fortemente correlacionada com as condições
socioeconômicas. Fatores como a alta densidade de habitantes no lar e falta de
água corrente tem sido vinculada a uma maior aquisição de infecção pela H.
pylori.
Transmissão
Não se tem
certeza como é a transmissão do H. pylori, embora possa ser disseminado através
de água e alimentos contaminados. As pessoas podem adquirir a bactéria de
alimentos que não foram bem lavados ou cozidos apropriadamente ou, ainda,
bebendo água não tratada ou de uma fonte não confiável. Estudos sugerem que o contato com fezes ou vômitos de
uma pessoa infectada pode espalhar a infecção pelo H. pylori para pessoas não
infectadas. Também foi encontrada a bactéria na saliva de algumas pessoas
infectadas sugerindo que ela poderia se transmitir através do contato direto
com a saliva.
Quadro clínico
- Dor ou
queimação no abdômen - Náuseas
- Vômitos
- Eructos
(arrotos) frequentes - Estufamento
- Perda de
peso
Pode causar
- Úlcera Péptica: O H. pylori pode lesar a camada protetora do seu
estômago e intestino delgado. Isso permite que o ácido do estômago crie uma
pequena ferida (úlcera).
- Inflamação na parede do estômago: A infecção pelo H. pylori pode
irritar seu estômago e causar inflamação (gastrite). Ela causa a maioria das
gastrites crônicas não erosivas.
- Câncer do estômago: A infecção pelo H. pylori é um forte fator de risco
para o câncer de estômago. Ele por si só não é a causa. São necessários outros
fatores (história familiar de câncer, fatores ambientais, alimentação, etc.)
que, juntos, poderão ajudar a desenvolver a doença.
Fatores de risco
- Viver em
condições com superlotação de pessoas; - Viver sem
um suplemento adequado de água quente; - Viver em
um país em desenvolvimento (Pessoas que vivem em países em desenvolvimento,
como o Brasil, onde as condições de superpopulação e condições sanitárias
insatisfatórias são mais comuns, têm maior risco de infecção pelo H. pylori). - Viver com
outra pessoa que tem a infecção pelo H. pylori.
Diagnóstico
Os métodos diagnósticos podem ser divididos
em invasivosenão invasivos:
Entre os não invasivos o mais utilizado é o
teste respiratório da uréia. No qual, o paciente ingere uma solução de uréia
com carbono marcado radioativamente C14 ou C13. Estando infectado, a H. pylori
degrada a uréia em amonia e CO2 marcado com radioisótopo, este vai ser
absorvido pelo sangue e depois liberado para os pulmões e exalado no ar, o CO2
marcado com radioisótopo excretado é coletado e analisado.
O exame invasivo mais comum é a biópsia por
endoscopia digestiva. O diagnóstico histológico obtido da biópsia é o estudo
padrão ouro para avaliar a extensão do dano ao tecido gástrico ocasionado pela
bactéria. Após a infecção pela H. pylori a mucosa normal evolui para a gastrite
crônica ativa, que podendo evoluir para metaplasia intestinal e/ou atrofia
gástrica.
Tratamento
O tratamento clínico padrão para a infecção
pela H. pylori combina o uso de dois antibióticos, Amoxicilina e
Claritromicina, com um inibidor de bomba de prótons, Omeprazol, Lanzoprazol ou
Pantoprazol. Pode-se utilizar o Metronidazol para substituir a Amoxicilina em
pacientes alérgicos. Em casos de resistência a antibióticos, pode-se fazer a
substituição da Claritromicina pela Azitromicina ou Levofloxacina. Ou do
Metronidazol por Tetraciclina, Estreptomicina ou Rifampcina. Podendo adicionar
o Bismuto como um quarto elemento terapêutico.
Prevenção
- Lavar as mãos com sabão e água após usar o banheiro e antes de comer;
- Comer alimentos que tenham sido bem lavados e cozidos apropriadamente;
- Tomar água tratada de uma fonte limpa e segura.
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Autores, revisores e orientadores:
- Autor(a): Erasto Loesther Valentim Leal- @erasto_loesther
- Revisor(a): Lunna Gabriella Macêdo Pamplona da Mata – @lunnapamplona
- Liga Acadêmica de Anatomia Humana e Cirúrgica- LAAHC, @laahcporto