Definição
O oxalato de escitalopram (S-citalopram, Lexapro ™) é um medicamento da classe dos inibidores seletivos da
recaptação de serotonina (ISRS), está em uso clínico
em todo o mundo para o tratamento de transtornos de depressão e ansiedade.
Apresentação do Escitalopram
O
escitalopram, o S -enantiômero do citalopram, é um inibidor altamente seletivo
para o transportador de serotonina, melhora os sintomas depressivos em
pacientes com Transtorno Depressivo Maior e Transtorno de Ansiedade
Generalizada com metade da dosagem de citalopram, tem início rápido de melhora
dos sintomas e tem um perfil de tolerabilidade previsível de eventos adversos
geralmente leves. Espera-se que o escitalopram tenha uma baixa propensão para
interações medicamentosas, um benefício potencial no tratamento de pacientes
com comorbidades. Em combinação, essas propriedades colocam o escitalopram,
como outros ISRS, como terapia de primeira linha. O escitalopram é indicado
para uso em pacientes com transtorno do pânico na Europa e, novas evidências
confirmam os achados iniciais de que o escitalopram reduz a ansiedade. O
medicamento, então, tem um papel adicional no tratamento dos transtornos de ansiedade.
Mecanismos
de ação
O escitalopran
é uma modificação da molécula do citalopran, sendo um dos mais utilizados do grupo
dos ISRS, pois provoca menos efeitos colaterais. O bloqueio de receptação
acarreta em aumento da concentração de serotonina na fenda sináptica. A
serotonina aumentada acarreta em infrarregulação (down regulation) dos receptores
inibitórios pré-sinápticos 5HT1A, presentes na região somatodendrítica do
terminal serotoninérgico. Como consequência, ocorre elevação da liberação da
serotonina e, então, surge o efeito terapêutico.
Mais uma vez, para que ocorra
a infrarregulação do receptor 5HT1A e surja o efeito terapêutico, são
necessários cerca de 15 dias. Com o tempo, ocorre “down regulation” também dos
receptores pós-sinápticos. Em função disso ocorre diminuição dos efeitos
colaterais relacionados à estimulação serotoninérgica excessiva.
Farmacodinâmica
O Oxalato de Escitalopram é um
inibidor seletivo da receptação de serotonina (5-HT) de afinidade alta pelo
sítio de ligação primário do transportador de serotonina. Ele também se liga a
um sítio alostérico no transportador de serotonina, com uma afinidade de
ligação 1000 vezes menor. A modulação alostérica do transportador de serotonina
potencializa a ligação do Oxalato de Escitalopram ao sítio primário, o que
resulta em uma inibição da recaptação de serotonina mais eficaz.
A inibição da receptação de
5-HT é o único mecanismo de ação que explica os efeitos farmacológicos e
clínicos do Oxalato de Escitalopram.
O Oxalato de Escitalopram é o
enantiômero S do racemato (citalopram), ao qual é atribuída a atividade
terapêutica. Estudos farmacológicos demonstram que o R-citalopram não é somente
inerte, pois interfere negativamente na potencialização da receptação de
serotonina e, por conseguinte, nas propriedades farmacológicas do enantiômero S
Farmacocinética
Absorção
A absorção é quase completa e
independe da ingestão de alimentos (Tmax médio de 4 horas após
dosagem múltipla). Tal como acontece com citalopram racêmico, a
biodisponibilidade absoluta do Oxalato de Escitalopram é esperada para ser
aproximadamente 80%.
Distribuição
O volume de
distribuição aparente (Vd,β/F) é de cerca de 12 a 26 L/Kg, após administração
oral. A ligação às proteínas plasmáticas
é menor que 80% para o Oxalato de Escitalopram e seus principais metabólitos.
Biotransformação
O Oxalato de Escitalopram é
metabolizado no fígado em derivados desmetilados e didesmetilados. Ambos são
farmacologicamente ativos. Alternativamente, o nitrogênio pode ser oxidado
formando o metabólito N-óxido. Tanto o composto original como os metabólitos
são parcialmente excretados como glicoronídeos.
Eliminação
A meia-vida de eliminação
(T1/2β) após doses múltiplas é de cerca de 30horas, e o clearance plasmático
oral (Cloral) é de aproximadamente 0,6 L/min. Os principais metabólitos têm uma
meia-vida consideravelmente mais longa. Assume-se que o Oxalato de Escitalopram
e seus principais metabólitos são eliminados tanto pela via hepática como pela
via renal, sendo a maior parte da dose excretada como metabólitos na urina.
Indicações
- ·
Tratamento e prevenção da recaída ou
recorrência da depressão; - Tratamento do transtorno do pânico, com ou
sem agorafobia; - Tratamento do transtorno de ansiedade generalizada (TAG);
- Tratamento do transtorno de ansiedade social
(fobia social); - Tratamento do transtorno obsessivo compulsivo
(TOC).
Contraindicações
- ·
Alergia a qualquer um dos componentes do
medicamento. - Uso de medicamentos conhecidos como
inibidores da monoaminoxidase (IMAO), incluindo selegilina (usada no tratamento
de Mal de Parkinson), moclobemida (usada no
tratamento da depressão) e linezolida (um antibiótico). - Episódio de arritmia cardíaca (observado em eletrocardiograma, exame que avalia como o coração está funcionando). Não
tomar este medicamento se estiver em uso de medicamentos para tratamento de
arritmia cardíaca ou que podem afetar o ritmo cardíaco.
Efeitos adversos
✓
Náuseas/ diarréia => o aumento da concentração de serotonina a nível
gastrointestinal provoca aumento na liberação de acetilcolina. A ACH atua em
receptores M3 da musculatura lisa do TGI, aumentando a peristalse. Após 15-20
dias o paciente deixa de apresentar esse efeito colateral, pois desenvolve a
tolerância por infra-regulação dos receptores pós-sinápticos.
✓Agravamento
da síndrome de parkinson => aumento de serotonina provoca maior ativação de
receptores 5HT1A e 5HT1C que possuem efeitos inibitórios para a liberação de
dopamina.
✓ Perda
de peso => elevação de serotonina reduz os impulsos hipotalâmico que causam
fome de açúcar
✓
Disfunção sexual => é o efeito colateral mais comum à longo prazo.
✓
Síndrome serotoninérgica (quando associados à inibidores da MAO): letargia,
confusão mental, rubor, tremores, hipertermia, hipertonia
Interações
medicamentosas
- ·
Inibidores não-seletivos da monoaminoxidase
(IMAO) – que contenham fenelzina, iproniazida, isocarboxazida, nialamida
e tranilcipromina como ingredientes ativos; - Inibidores seletivos da MAO-A, reversíveis,
que contenham moclobemida (usada para tratar depressão); - Inibidores irreversíveis da MAO-B, que
contenham selegilina (usada para tratar doença de Parkinson). Eles
aumentam o risco de efeitos adversos; - O antibiótico linezolida;
- Lítio (usado no tratamento do Transtorno Maníaco-Depressivo) e
triptofano; - Sumatriptano e similares (usados para tratar enxaqueca) e tramadol (usado para tratar dores severas). Estes
medicamentos aumentam o risco de surgimento de efeitos adversos; - Cimetidina, lansoprazol e omeprazol (usados
para tratamento de úlceras estomacais), fluvoxamina (antidepressivo)
e ticlopidina (usado para reduzir o risco de derrame).
Estes medicamentos podem causar aumento da quantidade do oxalato de
escitalopram no organismo; - Erva de São João (Hypericum perforatum) – um medicamento fitoterápico usado
para tratamento da depressão; - Ácido acetilsalicílico (aspirina) e anti-inflamatórios não esteroidais (usados para o alívio da dor ou para afinar o
sangue, chamados então de anticoagulantes). Podem aumentar a tendência ao
sangramento; - Varfarina, dipiridamol e femprocumona (medicamentos usados para afinar o sangue,
chamados então de anticoagulantes). O tempo de coagulação deverá ser avaliado
pelo médico quando o oxalato de escitalopram for introduzido ou
descontinuado, para verificar se a sua dose do anticoagulante continua adequada; - Mefloquina (usada para tratar malária), bupropiona (usada para tratar depressão) e tramadol
(usado para tratar dor grave) – pela possibilidade da diminuição do limiar para
convulsões; - Imipramina e desipramina (ambos usados para
tratamento de depressão); - Flecainida, propafenona e metoprolol (usados para doenças
cardiovasculares), clomipramina e nortriptilina (antidepressivos), e risperidona, tioridazina e haloperidol (antipsicóticos).
Pode ser necessário o ajuste da dose do oxalato de escitalopram; - Medicamentos que alteram a função
plaquetária, risco um pouco aumentado de sangramentos anormais; - Medicamentos que diminuem os níveis de
potássio ou magnésio no sangue, pois nestas condições aumenta o risco de
alteração fatal do ritmo cardíaco.
Autores, revisores e orientadores:
Autor(a) : Raíza Pereira – @raizapereira
Orientador(a): André Ferreira Lopes
Liga: Liga Acadêmica de Medicina de Família e Comunidade
Professor Hésio Cordeiro – LAMFeC – @lamfechc
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