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Resumo de Ebola: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Resumo de Ebola - Sanar

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Entenda sobre o Ebola, a sua relevância para a saúde pública, como se dá o curso da doença e as melhores abordagens da condição. Bons estudos!

O Ebola é uma doença viral de alta gravidade, podendo afetar tanto seres humanos quanto primatas. Devido a sua relevância para a saúde pública, é fundamental que o médico generalista esteja atualizado quanto à doença e opções de tratamento.

O que é Ebola?

Como comentamos acima, a Ebola é uma doença de origem viral, transmitido para humanos a partir de animais selvagens infectados. Morcegos frugívoros e primatas são os mais associados à doença.

Entre humanos, o contágio ocorre por meio de fluídos, como sangue. Por isso, o cuidado com a contaminação geralmente ocorre através de cuidados de saúde inadequados ou práticas funerárias que envolvem o contato direto com o corpo de uma pessoa falecida devido ao Ebola.

Existem cinco espécies identificadas do vírus Ebola, pertencentes à família Filoviridae, sendo as 3 primeiras responsáveis pelos surtos em humanos:

  • Zaire ebolavirus;
  • Sudan ebolavirus;
  • Tai Forest ebolavirus;
  • Bundibugyo ebolavirus;
  • Reston ebolavirus.

Vale ressaltar que existe a preocupação de que o vírus possa ser usado como um agente de bioterrorismo, devido a sua alta taxa de letalidade.

ebola
Vírus Ebola; Fonte: Public Health Image Library, CDC/Cynthia Goldsmith.

Origem do Ebola

Em 1976 o vírus foi descoberto, quando ocorreram dois surtos simultâneos na República Democrática do Congo (então chamado de Zaire) e Sudão.

O surto ocorrido no Congo, na cidade de Yambuku foi o mais grave e mortal. O alastramento da doença ocorreu de forma rápida, causando um número significativo de mortes.

Desde o primeiro surto, houve vários outros surtos de Ebola em diferentes países da África Central e Ocidental. Esses surtos variaram em termos de gravidade e extensão, mas todos compartilharam características semelhantes em relação à transmissão e aos sintomas da doença.

Ao longo de 2013, foi responsável por diversos surtos na República Democrática do Congo (RDC) e países vizinhos, com taxas de letalidade próximas de 90%. Por isso, apesar das outras espécies também causarem infecções, a Zaire é a mais conhecida e estudada.

A cada surto, a agilidade de atuação das equipes de saúde são exigidas com mais brevidade. Por isso, a comunidade internacional, em colaboração com governos locais e organizações de saúde, tem trabalhado para fornecer apoio, recursos e assistência médica durante esses surtos.

ebola
Profissional de saúde paramentado para os cuidados contra a contaminação pelo Ebola.

Epidemiologia do Ebola: entenda a distribuição mundial do vírus

O Ebola é caracterizado pelos surtos graves mas esporádicos, especialmente na África Central e Ocidental.

Os locais de ocorrência do Ebola são mais frequentes em áreas rurais ou semiurbanas, onde há uma estreita interação entre humanos e animais selvagens.

Ainda, têm sido mais comuns em áreas com sistemas de saúde frágeis e infraestrutura limitada, o que dificulta a pronta detecção e resposta aos casos. Ou seja, a pobreza e falta de acesso a cuidados médicos adequados contribui para a disseminação do vírus.

Outros países não africanos raramente são afetados pelo Ebola, sendo apenas resultado de viagens. A doença foi registrada em 2014 nos Estados Unidos e Espanha, e na Itália em 2021. Os casos registrados foram controlados ou isolados, não causando demais problemas.

Ciclo da doença Ebola: como se dá sua fisiopatologia?

A primeira etapa da ação do vírus Ebola no corpo humano é a entrada no ambiente intracelular. Ele se liga a receptores específicos presentes nas células do hospedeiro: macrófagos e células dendríticas, iniciando a replicação.

A partir disso, ocorre a disseminação sistêmica, se multiplicando rapidamente. Como resultado, danos celulares e interrupção de funções fisiológicas normais são desencadeados.

O sistema imune é então acionado através de uma intensa resposta inflamatória, levando a liberação de citocinas inflamatórias e outros mediadores. Essa resposta exacerbada contribui para a gravidade da doença e a piora dos danos aos tecidos.

A disfunção endotelial avança afetando o revestimento interno dos vasos sanguíneos. Isso resulta em aumento da permeabilidade vascular, coagulação intravascular disseminada (CID) e perda de fluidos dos vasos sanguíneos para os tecidos circundantes. Essa disfunção endotelial contribui para os sintomas de hemorragia associados ao Ebola.

Sintomas e evolução da doença Ebola

Os sintomas normalmente se iniciam abruptamente num período de 6 a 12 dias após a exposição, podendo variar de 2 a 21 dias. As manifestações clínicas mais frequentes, e também mais perigosas, incluem defeitos de coagulação, sangramento e choque

De modo geral, sinais e sintomas dos primeiros dias de doença incluem febre alta, fadiga, dor de cabeça, vômito, diarreia aquosa grave (de até 10 litros por dia) e perda de apetite. Esses sintomas gastrointestinais contribuem para a depleção grave de volume de forma aguda, podendo culminar em hipotensão e choque.

Existem outros sinais, como:

  • Cutâneos: pode ocorrer erupção cutânea maculopapular eritematosa difusa e não pruriginosa entre o 5º e o 7º dia da doença. A erupção geralmente envolve o rosto, pescoço, tronco e braços e pode descamar;
  • Sangramento: comumente manifestado como sangue nas fezes, petéquias, equimoses, escorrendo de locais de punção venosa e / ou sangramento da mucosa. A hemorragia significativa geralmente ocorre na fase terminal da doença fatal, quando o indivíduo encontra-se em choque.
  • Neurológico: os pacientes podem desenvolver meningoencefalite, com achados como alteração do nível de consciência, hiperreflexia, miopatia, rigidez do pescoço, instabilidade da marcha e / ou convulsões.
  • Respiratório: taquipneia e falta de ar podem representar hipóxia ou hipoventilação devido à fadiga dos músculos respiratórios, contribuindo para insuficiência respiratória.

Qual é a importância de um diagnóstico precoce do Ebola?

Devido a natureza grave e potencialmente fatal do Ebola, diagnosticá-la com brevidade é fundamental para os cuidados precoces.

Identificar a doença ajuda a evitar a propagação do vírus para outras pessoas. Medidas apropriadas de controle de infecção podem ser implementadas para minimizar o risco de transmissão a profissionais de saúde e a outras pessoas na comunidade.

A terapia de suporte, sobre a qual falaremos melhor adiante, também colabora para a melhora dos sintomas. Assim, é possível estabilizar o paciente e aumentar suas chances de sobrevivência.

Como comentamos, é exigido das autoridades sanitárias rápidas medidas diante de possíveis surtos. Sendo assim, reconhecer precocemente o evento é o que tornará isso possível.

Diagnóstico do Ebola: como fazer?

Todos os pacientes que têm ou são suspeitos de possuírem a doença pelo vírus Ebola devem ser isolados imediatamente.

Durante a investigação, os pacientes que apresentarem sinais e sintomas consistentes com a doença do vírus Ebola devem ser questionados se:

  • Viajaram para uma área com epidemia em curso;
  • Tiveram contato com um paciente com possível doença pelo vírus nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas.

O diagnóstico é definido através de teste para o vírus Ebola por RT-PCR. Normalmente o vírus é detectável em amostras de sangue em três dias após o início dos sintomas.

No PCR o material genético viral pode ser identificado através de sangue, urina, saliva ou swab de mucosas. Os testes sorológicos também podem ser realizados. Os anticorpos são desenvolvidos alguns dias após o início dos sintomas.

A história epidemiológica do paciente desempenha um papel importante no diagnóstico do Ebola. Os profissionais de saúde investigam se o paciente esteve em áreas afetadas pelo Ebola ou teve contato com pessoas ou animais infectados. Isso ajuda a avaliar o risco de exposição ao vírus.

Abordagem de suporte no tratamento

O tratamento da doença necessita de cuidados de suporte agressivos para corrigir as perdas de volume por vômito e diarreia, corrigir anormalidades eletrolíticas e prevenir choque. Por isso, o suporte com antieméticos e agentes antimotilidade, como a loperamida, podem ser necessários. 

Também podem ser prescritos antipiréticos e analgésicos. Além disso, transfusões sanguíneas podem ser realizadas para correção do sangramento e da coagulopatia. Antibioticoterapia empírica pode ser instituída em pacientes com evidência clínica de sepse bacteriana.

A terapia específica do ebola inclui o tratamento com Atoltivimabe, maftivimabe e odesivimabe (REGN-EB3) ou ansuvimabe (mAb114). Consistem em duas terapias baseadas em anticorpos eficazes para o tratamento da infecção pelo ebolavírus do Zaire

Estes agentes devem ser administrados em dose única e podem ser usados ​​no tratamento de pacientes adultos e pediátricos, incluindo recém-nascidos de mães RT-PCR positiva para Ebolavírus do Zaire

Os pacientes que sobrevivem à doença pelo vírus Ebola geralmente mostram sinais de melhora clínica durante a segunda semana da doença. Após a alta hospitalar, os pacientes devem ser monitorados por pelo menos um ano.

Estratégias de prevenção primária e secundária ao Ebola

A prevenção primária ao Ebola envolve medidas de:

  • Educação e conscientização;
  • Medidas de higiene;
  • Uso de EPIs
  • Práticas de segurança durante o manejo de cadáveres.

Informar a comunidade sobre os riscos do Ebola e seus sintomas faz parte da estratégia de educação. A partir dela, as medidas de higiene a base de álcool, água e sabão para interromper a transmissão do vírus.

As orientações sobre troca de fluídos corporais com pessoas contaminadas ou falecidas devem ser passadas. Deve-se usar os EPIs como luvas, máscaras e óculos de proteção ao cuidar dos pacientes.

As estratégias secundárias, por sua vez, envolvem:

  • Rastreamentos de contatos entre infectado e saudável;
  • Isolamento e quarentena de contaminados;
  • Vacinação contra o Ebola para profissionais de saúde e contatos;
  • Medidas de controle de infecção, por protocolos rigorosos.

Perspectivas futuras e pesquisa em Ebola

O Ebola tem sido instrumento de muitos estudos nos últimos anos, acerca da prevenção, diagnóstico e tratamento.

Além das vacinas durante surtos do Ebola, as pesquisas têm se concentrado em busca da prevenção em áreas endêmicas ou a grupos de alto risco.

Várias terapias antivirais estão sendo investigadas para o tratamento do Ebola. Isso inclui o desenvolvimento de medicamentos que visam inibir a replicação viral e melhorar a resposta imunológica do organismo. Alguns medicamentos antivirais promissores estão em fase de testes clínicos.

Ainda, abordagens mais eficazes têm sido buscadas para o manejo do Ebola. Isso inclui o desenvolvimento de protocolos de tratamento mais refinados, terapias de suporte específicas. O objetivo é que se diminua as respostas inflamatórias desencadeada pelo vírus.

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Perguntas frequentes

  1. O que causa o Ebola?
    O vírus Ebola, pertencente à família Filoviridae, é a causa do Ebola.
  2. Quais são os sintomas do Ebola?
    Os sintomas do Ebola incluem febre alta, dores musculares, fadiga, dor de cabeça, vômitos, diarreia e, em alguns casos, hemorragias internas e externas.
  3. Existe uma vacina contra o Ebola?
    Sim, atualmente existe uma vacina contra o Ebola que tem demonstrado eficácia na prevenção da doença.

Referências

  1. BRAY, Mike; CHERTOW, Daniel. Epidemiology and pathogenesis of Ebola virus disease UpToDate, Inc., 2021. Acesso em: 04 de maio 2021.
  2. CHERTOW, Daniel; BRAY, Mike; PALMORE, Tara. Clinical manifestations and diagnosis of ebola virus disease. UpToDate, Inc., 2021. Acesso em: 04 de maio 2021.
  3. CHERTOW, Daniel; BRAY, Mike; PALMORE, Tara.Treatment and prevention of Ebola virus disease. UpToDate, Inc., 2021. Acesso em: 04 de maio 2021.

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