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Resumo de colangite: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Resumo colangite - Sanar

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A colangite aguda é uma síndrome clínica caracterizada por febre, icterícia e dor abdominal que constitui uma emergência médica. É uma infecção da árvore biliar que se desenvolve como resultado de estase do trato biliar, e também é conhecida como colangite ascendente.

Ela foi descrita pela primeira vez  em 1877 por Charcot como uma doença séria e com risco de vida, no entanto, agora é reconhecido que a gravidade pode variar de leve a fatal. 

Causas de colangite 

As causas mais frequentes de obstrução biliar em pacientes com colangite aguda sem stents de ducto biliar são cálculos biliares (28 a 7%), estenose biliar benigna (5 a 28%) e malignidade (10 a 57%). 

A colangite aguda também pode ocorrer após colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (0,5 a 1,7 por cento), particularmente colangiopancreatografia endoscópica retrógrada terapêutica após a colocação de stent, ou no pós-operatório devido a lesão do ducto biliar ou uma anastomose biliar-entérica estigmatizada. 

Outras causas raras de obstrução que levam à colangite aguda incluem compressão extrínseca do ducto biliar devido a um divertículo periampular duodenal (síndrome de Lemmel), inflamação secundária à pancreatite aguda ou um cálculo impactado no ducto cístico ou colo da vesícula biliar (síndrome de Mirizzi) . As causas intrínsecas da obstrução biliar incluem coágulos sanguíneos e infecções parasitárias (principalmente vermes do fígado e a lombriga Ascaris). 

Fisiopatologia

A colangite aguda é causada principalmente por infecção bacteriana em um paciente com obstrução biliar. Habitualmente a árvore biliar é estéril, devido à anatomia competente do esfíncter de Oddi que previne o refluxo de conteúdo intestinal para os ductos biliares.

Contudo, na colangite aguda, os ductos biliares tendem a se tornar mais permeáveis à translocação bacteriana e de toxinas, o que ocorre em associação ao aumento da pressão intraductal. Esse processo resulta em infecção grave e potencialmente fatal. Abscesso hepático e sepse exemplificam complicações da colangite. 

As bactérias mais comumente isoladas são de origem colônica. E. coli é a principal bactéria gram-negativa isolada (25 a 50%), seguida por Klebsiella (15 a 20%) e espécies de Enterobacter (5 a 10 p%). 

Quadro clínico de colangite

A apresentação clássica da colangite aguda é febre, dor abdominal e icterícia (tríade de Charcot), embora apenas 50 a 75 por cento dos pacientes com a versão aguda apresentem os três achados. Os sintomas mais comuns da aguda são febre e dor abdominal. 

Pode ocorrer confusão e hipotensão em pacientes com colangite grave (pentágono de Reynolds). A hipotensão pode ser o único sintoma manifesto em adultos mais velhos ou em pessoas que tomam glicocorticóides. Pacientes com colangite aguda também podem apresentar complicações, incluindo abscesso hepático, sepse, disfunção de múltiplos sistemas de órgãos e choque.

Tríade de Charcot e Pêntade de Reynolds

Diagnóstico de colangite

Deve-se suspeitar da forma aguda em pacientes com febre, dor abdominal e icterícia. Um diagnóstico de colangite aguda requer evidências de inflamação sistêmica, como febre e/ou calafrios e  evidência laboratorial de resposta inflamatória (contagem anormal de leucócitos, aumento da proteína C reativa sérica ou outras alterações sugestivas de inflamação), e a presença das seguintes alterações: 

  • Evidência de colestase: Bilirrubina ≥2 mg / dL ou química hepática anormal (fosfatase alcalina elevada, gama-glutamil transpeptidase, alanina aminotransferase ou aspartato aminotransferase, até> 1,5 vezes o limite superior do normal).
  • Imagem com dilatação biliar ou evidência da etiologia subjacente (por exemplo, estenose, cálculo ou stent).

Vários exames podem identificar a obstrução biliar e, eventualmente, determinar sua causa. Destacam-se a ultrassonografia abdominal (USG), tomografia computadorizada (TC), colangiorressonância, ultrassonografia endoscópico, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER) e colangiografia trans-hepática percutânea (CTP).  

  • USG: pode apontar presença de colecistolitíase, coledocolitíase, dilatação dos ductos biliares (intra e extra-hepáticos) e alterações periampulares;  
  • TC: pode definir dilatação de vias biliares massas abdominais, pancreatite e complicações da colangite (abcesso hepático);  
  • Colangiorressônancia: sensível para lesões obstrutivas da árvore biliar e defeitos de enchimento hepatocoledocianos. Pode identificar alterações no território periampular e pancreático Ultrassonografia endoscópica: alta acurácia na identificação de coledocolitíase;  
  • CPER: padrão-ouro para diagnósticos de colangite, é um exame invasivo cuja indicação deve ser racionalizada. Tem a vantagem de ser método simultaneamente diagnóstico e terapêutico. Permite descompressão biliar através de papilotomia, assim como extração de cálculos e implante de endoprótese (“stent”);  
  • CTP: método mais invasivo, pode identificar dilatação e defeitos de enchimento na via biliar, com adequada visualização da via biliar intrahepática.

Tratamento de colangite

Os pacientes com suspeita de colangite aguda devem ser internados no hospital para avaliação e tratamento. O tratamento da colangite aguda deve se direcionar à infecção e à obstrução biliares. Além dos cuidados hemodinâmicos e hidroeletrolíticos, a escolha do antimicrobiano é etapa fundamental. 

Para terapia empírica de infecções intra-abdominais adquiridas na comunidade de baixo risco, cobrimos estreptococos, Enterobacteriaceae e anaeróbios. O esquema mais utilizado inclui uma cefalosporina 3ª. geração + metronidazol por 7- 10 dias.

A drenagem biliar é necessária em todos os pacientes com colangite aguda. O momento da drenagem biliar depende da gravidade da doença. Em pacientes com apresentação leve a moderada, a drenagem biliar deve ser realizada em 24 a 48 horas.

Pacientes com a forma leve a moderada que não responde ao tratamento conservador por 24 horas e pacientes com colangite grave (supurativa) e requerem descompressão biliar urgente (dentro de 24 horas).

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Referências:

  1. AFDHAL, Nezam H. Acute cholangitis: Clinical manifestations, diagnosis, and management. UpToDate, Inc., 2021.  Acesso em:  28 abril. 2021.
  2. BROLLO, Flávia Moojen. SOARES, Daisy C Bitencourt. VILHORDO, Daniel Weiss. COLANGITE AGUDA: UMA EMERGÊNCIA POTENCIALMENTE FATAL. Acta méd. (Porto Alegre) ; 35: [5], 2014. Acesso em 28 de abril, 2021.

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