Caxumba: definição, epidemiologia, fisiologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento.
A caxumba consiste em uma doença contagiosa causada por um vírus RNA da família Paramyxoviridae, evitada por meio de vacinação.
Ela tem como marco a inflamação das glândulas parótidas e também é conhecida como Papeira. É uma doença de distribuição universal, de alta morbidade e baixa letalidade, aparecendo sob a forma endêmica ou surtos.
Epidemiologia de Caxumba
A caxumba ocorre em todo o mundo e o pico de incidência é tipicamente do final do inverno ao início da primavera, embora surtos esporádicos ocorram em qualquer época do ano.
Ocorre mais comumente entre crianças em idade escolar e jovens adultos em idade universitária. É raro em lactentes com menos de um ano de idade, que têm proteção por anticorpos maternos.
No Brasil, a caxumba não é um agravo de notificação compulsória, sendo a vacinação o instrumento disponível para o controle da doença. Além disso, após o programa de vacinação contra a caxumba no Brasil houve redução drástica na incidência da doença, sendo que poucos casos em um mesmo local já considera-se como surtos.
Fisiopatologia
A caxumba consiste em uma doença altamente infecciosa, transmitida por gotículas respiratórias, contato direto ou fômites. Assim, a eliminação viral nas secreções respiratórias precede o início da doença sintomática, já o período de incubação é geralmente de 16 a 18 dias (variando de 12 a 25 dias) desde a exposição até o início dos sintomas.
Em uma revisão, a maior taxa de infecciosidade estava presente imediatamente antes do início da parotidite, com rápida diminuição da disseminação do vírus nos próximos cinco dias.
Dessa forma, a caxumba tem como marco a formação de processo inflamatórias nas glândulas salivares principais: glândulas parótida, submandibular e sublingual. O ducto de Stensen drena a glândula parótida oposta ao segundo molar superior. O ducto de Wharton drena as glândulas submandibulares e algumas das glândulas sublinguais para o assoalho da boca, próximo ao frênulo da língua.

Manifestações clínicas da Caxumba
Geralmente começa com alguns dias de febre, dor de cabeça, mialgia, fadiga e anorexia. Essas manifestações apresentam-se pelo desenvolvimento de edema das glândulas salivares em 48 horas. Dessa forma, a parotidite ocorre mais comumente em crianças entre dois e nove anos de idade, um quadro de dor no ouvido geralmente precede o edema da parótida e o edema da parótida pode durar até 10 dias.
O envolvimento unilateral inicial é seguido pelo envolvimento contralateral alguns dias depois em 90 por cento dos casos. Ao exame físico, o edema da parótida pode obscurecer o ângulo da mandíbula.
A infecção assintomática ocorre em 15 a 20 por cento dos casos; é mais comum em adultos do que em crianças. Adultos com infecção sintomática têm maior probabilidade de apresentar manifestações graves do que crianças com infecção sintomática.
Complicações da Caxumba
Orquite ou ooforite
Epididimorquite é a complicação mais comum da infecção por caxumba e ocorre entre homens pós-púberes em 15 a 30 por cento dos casos.
Os sintomas geralmente ocorrem 5 a 10 dias após o início da parotidite e incluem início abrupto de febre (39 a 41ºC) e dor testicular intensa acompanhada de edema e eritema do escroto. O envolvimento é unilateral em 60 a 80 por cento dos casos.
Meningite
A meningite asséptica é a complicação neurológica mais comum da infecção pelo vírus da caxumba. Ocorre em 1 a 10 por cento dos pacientes e é três vezes mais comum em homens do que em mulheres. A meningite pode ocorrer antes, durante ou depois da parotidite da caxumba. Em alguns estudos, até metade dos pacientes apresentava meningite na ausência de parotidite. As manifestações clínicas geralmente incluem cefaleia, febre baixa e rigidez nucal leve.
Encefalite
Antes da vacinação generalizada, a incidência de encefalite por caxumba era de aproximadamente 1 em 6.000 casos. A vacinação generalizada foi associada ao desaparecimento virtual da encefalite por caxumba.
Surdez
Perda auditiva unilateral e bilateral foram relatados. Os sintomas melhoram em muitos casos, embora surdez permanente tenha sido descrita.
Complicações menos comuns ocasionalmente associadas à infecção por caxumba incluem tireoidite, envolvimento do miocárdio, pancreatite, nefrite intersticial e artrite. Não há evidências firmes de uma associação entre infecção por caxumba durante a gravidez e complicações.
Diagnóstico de Caxumba
Deve-se suspeitar do diagnóstico de caxumba em pacientes com manifestações clínicas típicas (parotidite ou inchaço das outras glândulas salivares, orquite ou ooforite) bem como exposição epidemiológica relevante, como contato respiratório ou domiciliar com um indivíduo com caxumba conhecida ou suspeita. Assim, indivíduos não imunizados apresentam maior risco de infecção, embora também deve-se suspeitar de caxumba entre indivíduos vacinados com sintomas e sinais relevantes e exposição epidemiológica.
No cenário de parotidite (ou outro inchaço da glândula salivar), pode-se estabelecer o diagnóstico por testes laboratoriais. A confirmação laboratorial da infecção pelo vírus da caxumba pode ser obtida por meio de um ou mais dos seguintes:
- Detecção de RNA do vírus da caxumba por reação em cadeia da polimerase transcriptase reversa (RT-PCR) realizada em soro ou swab bucal ou oral. Também pode-se utilizar a mesma amostra para cultura de vírus.
- Anticorpo positivo da imunoglobulina IgM para caxumba, que pode não ser detectável até cinco dias após o início dos sintomas em alguns casos (normalmente permanece positivo por até quatro semanas).
A confirmação laboratorial da caxumba em indivíduos com histórico de vacinação contra caxumba é um desafio. Assim, em geral, a IgM da caxumba sérica é negativa em aproximadamente metade dos indivíduos vacinados (independentemente do momento da coleta da amostra).
Além disso, os resultados da RT-PCR podem ser falsamente negativos, pois os indivíduos vacinados podem liberar quantidades menores de vírus e podem liberar vírus por um período mais curto. Não utiliza-se a soroconversão de IgG rotineiramente como um marcador de infecção por caxumba.
Tratamento
Não existe terapia antiviral específica para o tratamento dessa doença. O tratamento consiste em cuidados de suporte e pode incluir o uso de um agente analgésico/antipirético, como o dipirona ou acetaminofeno.
Pode-se controlar o desconforto da parótida com a aplicação de compressas quentes ou frias. Além disso, pode-se tratar a orquite com agentes antiinflamatórios não esteróides (AINES), suporte do testículo inflamado com compressas frias.
Prevenção da Caxumba
Deve-se isolar pacientes hospitalizados com caxumba com precauções de gotículas até que resolva-se o edema da parótida. Portanto, pacientes ambulatoriais com caxumba devem evitar contato com outras pessoas desde o momento do diagnóstico até pelo menos cinco dias após o início dos sintomas, ficando em casa, sem ir à escola ou ao trabalho, e em um quarto separado, se possível.
A infecção por caxumba pode ser amplamente evitada pela imunização antes da exposição. Além disso, após a exposição à caxumba a vacinação pós-exposição ou a imunoglobulina não demonstraram prevenir a doença ou diminuir a gravidade da doença.
Dessa forma, o esquema vacinal recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações no Brasil inclui a administração da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade e a vacina tretraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) aos 15 meses de idade (esta última corresponde à segunda dose da tríplice viral mais uma dose da varicela).
Estude com o SanarFlix!

Sugestão de leitura complementar
Você pode se interessar pelos artigos abaixo: