O Brometo de Piridostigmina é um fármaco parassimpatomimético inibidor da colinesterase. Apresenta um lento início de ação embora sua duração seja relativamente longa. O efeito apresenta caráter uniforme e promove uma diminuição progressiva do efeito colinérgico.
Apresentação
do Brometo de Piridostigmina
É encontrado sob a forma de comprimidos de 60 mg
(Mestinon®️).
Mecanismos
de ação
A Piridostigmina age inibindo a
degradação da Acetilcolina (ACh) pela colinesterase na fenda sináptica a partir
do bloqueio competitivo da enzima Acetilcolinesterase (AChE). Esse efeito
prolonga a duração e a intensidade da ACh nos terminais sinápticos, o que
favorece a realização da contração muscular.
Além dessa inibição, a piridostigmina
apresenta, em sua estrutura molecular, um grupo carbamil que se liga à serina
da AChE, mantendo-a no estado inativado por um período de tempo mais longo.
Farmacocinética e
Farmacodinâmica do Brometo de Piridostigmina
A piridostigmina é absorvida de modo parcial pelo
trato gastrointestinal, não se liga avidamente às proteínas plasmáticas nem
atravessa a barreira hematoencefálica. Após a administração oral sua
biodisponibilidade é de 3 a 8%. Em jejum, as concentrações plasmáticas máximas
são atingidas entre 90 e 120 minutos após a ingestão de 120 mg da substância;
já quando a Piridostigmina é ingerida juntamente com as refeições, a
concentração aumenta de modo mais lento. O volume aparente de distribuição é de
1,4 litros/kg de peso.
A piridostigmina é eliminada principalmente (75 – 81%)
de maneira inalterada pela via renal, embora uma pequena parte (18 – 21%)
apareça na urina na forma do metabólito 3-hidroxi-N-metil-piridina. O tempo de
meia-eliminação está situado em torno de 1 1/2 hora, embora possa aumentar no
caso de insuficiência renal, independente da etiologia, quando o esse valor
pode se apresentar quadruplicado. A depuração plasmática média em indivíduos
sadios varia entre 0,36 a 0,65 L/h/kg, contudo pode reduzir-se à um quinto de
seu valor normal.
Para obter o efeito terapêutico no tratamento da
miastenia gravis, a concentração plasmática deve estar entre 20 e 60
ng/mL.
Indicações
É principalmente usado no
tratamento da miastenia gravis, por seu efeito prolongado e pelos poucos
distúrbios gastrointestinais derivados, sustentando por mais tempo o alívio
sintomático, principalmente à noite.
Também pode ser utilizado em
casos de Esclerose Múltipla e de Esclerose Lateral Amiotrófica, de Doença de
Little, de Paresias que seguem à poliomielite e de Mioatrofias Espinhais.
A Piridostigmina pode também ser
usada na prevenção do meningismo pós-eletroencefalografia e dos distúrbios
pós-punção lombar, além de ser
aplicado como antídoto da tubocurarina.
Contraindicações
Este medicamento deve ser evitado em casos de obstrução
intestinal ou urinária.
Em casos de asma, bradicardia, enfarte do miocárdio,
epilepsia, hipotensão, parkinsonismo, úlcera péptica ou disfunção renal sua
prescrição deve ser realizada com diligência.
Além disso, não deve ser utilizado por mulheres grávidas
nem por lactentes sem orientação médica.
Efeitos adversos
Por se tratar de um medicamento
colinérgico, o uso do Brometo de Piridostigmina pode repercutir de maneira
malquista sobre o sistema neurovegetativo. Os efeitos colaterais mais comuns
estão relacionados a hiperatividade do sistema nervoso parassimpático como:
- Efeitos muscarínicos, que envolvem náuseas, vômitos, diarréia,
cólicas abdominais, aumento do peristaltismo e das secreções brônquicas,
hipersalivação, além de bradicardia e de miose. - Efeitos nicotínicos, a exemplo de lacrimejamento,
diplopia, hiperemia conjuntival, convulsões, disfonia e laringoespasmos.
Interações
medicamentosas
- Não é indicada a administração associada de Brometo de
Piridostigmina com os miorrelaxantes despolarizantes, como o suxametônio, já que eles
pode prolongar os efeitos de bloqueio neuromuscular por reduzir as
concentrações de pseudocolinesterases. - A Piridostigmina pode diminuir o efeito dos
bloqueadores neuromusculares (não despolarizantes) - Corticosteróides reduzem o efeito anticolinesterase
dessa droga e podem aumentar o efeito adverso dos inibidores da
acetilcolinesterase; - A atropina anula os efeitos colinérgicos da
Piridostigmina, principalmente a hipersecreção e a bradicardia. - Não
é recomendado utilizar concomitantemente Brometo de piridostigmina com
medicamentos que possuam a Metilcelulose como excipiente, já que este previne a
absorção da Piridostigmina - O uso simultâneo de
Hidroxicloroquina com piridostigmina pode gerar antagonismo de efeito ao passo
que exacerba os sintomas da miastenia gravis
Autores, revisores e orientadores:
Autor(a) : André Marinho Paiva
Nogueira – @andrempn
Revisor(a): José Lopes Tabatinga
Neto
Orientador(a): Francisco de Assis
Aquino Gondim
Liga: Liga Acadêmica de
Neurociências – Neuroliga – @neuroligaufc