De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença crônica definida por elevação dos níveis pressóricos, relacionada a multifatores, como genética, hábitos de vida, ambientais e sociais. Quando já está acometida na vida do paciente, a melhor forma de prolongar uma boa qualidade de vida é manter os níveis pressóricos em valores adequados para a idade de cada indivíduo.
Principais grupos de anti-hipertensivos
É importante que o profissional de saúde que for orientar um paciente com HAS ressalte para a necessidade de uma alimentação saudável, com moderado consumo de sódio e de bebidas alcóolicas. O controle e perda de peso é de suma importância para um tratamento adequado; a diminuição de 5% do peso corporal pode ocasionar a redução de 20 a 30% da pressão arterial, sendo fundamental a prática de atividade física devendo ser feita aproximadamente 150 min semanais, divididos em 3 vezes por semana, além da manutenção dos níveis da pressão nos valores adequados, e quando for necessário a utilização da medicação de forma adequada. Para o tratamento da hipertensão, existem cinco principais grupos: diuréticos; inibidores da enzima conversora de angiotensina; bloqueadores dos receptores da angiotensina II; bloqueadores do canal de cálcio e betabloqueadores.
Os antagonistas de cálcio promovem além da redução da pressão arterial, a diminuição da resistência vascular periférica. Eles são divididos em dois grupos:
- Di-hidropiridínicos: Nifedipina, Felodipina, Isradipina, Nitrendipina, Anlodipina, Lacidipina, Lercanidipina, Manidipina e Levanlodipina
- Não di-hidropiridínicos: Verapamil e Diltiazem
A escolha de qual bloqueador de cálcio deverá ser prescrito ao paciente depende da eficiência medicamentosa, da duração da ação, se o benefício é maior que o malefício, além disso todos esses e outros fatores devem ser levados em consideração no momento de escolher um anti-hipertensivo.
Mecanismo de Ação
Os bloqueadores do canal de cálcio agem inibindo o fluxo de cálcio extracelular para o interior das células, através do canal lento (tipo L), que está presente nas células excitáveis. O bloqueio dessa passagem resulta na redução da concentração de cálcio intracelular e dilatação das artérias e arteríolas. Essa atuação permite que ocorra a redução da resistência vascular periférica, com consequente diminuição da Pressão Arterial (PA), agem também na redução da concentração de cálcio intracelular, o que pode causar depressão na contratilidade miocárdica, por isso, é contraindicado em pacientes com insuficiência cardíaca, apenas os BCC de ação longa são utilizados no tratamento para controle da hipertensão.

Imagem 1: Mecanismo da Ação do BCC.
Bloqueadores do Canal de Cálcio
A eficácia desses fármacos já foi comprovada em vários artigos e pesquisas, entre os benefícios estão a redução da PA, proteção de órgãos-alvo, como rins, cérebro e principalmente sistema cardiovascular. Os BCC podem ser divididos em duas categorias:
- Di-hidropiridínicos, nesses grupos estão os medicamentos como anlodipino, nifedipino, felodipino, entre outros, seu principal efeito é o de vasodilatação e redução da RVP, sem interferência na contratilidade miocárdica, não alterando assim, a frequência cardíaca e o funcionamento sistólico, sendo sua principal utilização no controle da PA.
- Não di-hidropiridínicos, estão as difenilalquilaminas (verapamil) e as benzotiazepinas (diltiazem), são cardiosseletivos, atuam nos canais de cálcio que estão na musculatura e na condução elétrica cardíaca, reduzindo assim, a FC, agindo como antiarrítimicos em pacientes com alterações na função sistólica, essa medicação é funcional em pacientes que não podem usar Betabloqueador (BB), como em pacientes asmáticos, com DPOC.
De forma geral, pacientes hipertensos podem fazer associações com outras medicações para conter a HAS ou em doenças metabólicas. É importante sempre buscar fármacos que possam complementar o tratamento, os BB estão indicados na utilização com outros anti-hipertensivos, como os IECAs,BRAs,diuréticos e betabloqueadores.
Em outras comorbidades, o BCC pode ser utilizado de forma orientada e com acompanhamento médico, como em pacientes com síndrome metabólica, se houver disglicemia, pode ser usado IECA ou BRA e/ou BCC, há ainda naqueles com doença coronariana, a principal droga de escolha é o BB, que pode ser associada com o BCC ou DIU se não for alcançada a meta pressórica.
Efeitos Adversos
Os efeitos colaterais, quando estão presentes, são relacionados principalmente com a ação vasodilatadora, ocasionando edema de membros inferiores, edema maleolar, que pode ser reduzido com uso de medicações mais novas no mercado, como o levanlodipino, outros sintomas podem aparecer como a cefaleia, tontura, sintomas relacionados principalmente nos medicamentos de ação curta, que não estão indicados para tratar hipertensão.
O não di-hidropiridínico, é possível que ocorra o agravamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER), bradicardia, bloqueio Atrio-Ventricular (AV), constipação (verapamil).
Em geral, esses efeitos citados estão relacionados com a dose, podendo causar intolerância ao BCC di-hidropiridínicos, resultando até mesmo em resistência ao tratamento. Caso ocorra tal situação, uma medida que pode ser utilizada é o uso de BCC lipifílicos (manidipino, lercanidipino, lacidipino) ou reduzir a dose da medicação já utilizada.
Autor(a): Flávia Santos – @flavia0301
Referências:
BARROSO, W. K.S. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. 2020
Acesso em: 07 abri. 2022. http://departamentos.cardiol.br/sbc-dha/profissional/pdf/Diretriz-HAS-2020.pdf
JARDIM, P.C.B.V. Qual(ais) o(s) antagonistas dos canais de cálcio mais indicado(s) no tratamento da hipertensão arterial? . Vol 20. 2013
Acesso em 05 abri .2022. https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/03/881681/rbh_v20n2_78-82.pdf
L, G.Q. Considerações Importantes sobre o Tratamento da Hipertensão Arterial. PEBMED. 2018Acesso em 05 abr. 2022. https://pebmed.com.br/consideracoes-importantes-sobre-o-tratamento-da-hipertensao-arterial-parte-1/
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