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Resumo de Ansiedade | Ligas

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Definição: Medo e Ansiedade

O medo é uma emoção básica presente em muitas culturas e
em muitas espécies, despertado quando o indivíduo se depara com uma situação
observável de perigo. Sua importante função evolutiva garante a sobrevivência
dos indivíduos, uma vez que frente a uma ameaça conhecida desperta-se uma
reação de “luta ou fuga”.

A ansiedade é uma apreensão difusa, vaga sem que haja um
objeto ou uma situação claramente definida. Perigos distantes ou antecipados
originam reação ansiosa e menos intensa, com comportamentos diversificados que
culminam em sintomas físicos e psíquicos.

Na distinção entre esses sentimentos, o medo instala-se
de forma súbita, enquanto a ansiedade tem um caráter mais insidioso, sendo
patológica quando essas emoções se tornam disfuncionais e trazem prejuízos, bem
como sofrimento para o indivíduo, com uma duração e intensidade consideráveis.

  • MEDO- ameaça conhecida, externa, definida ou
    não conflituosa; caráter súbito
  • ANSIEDADE- ameaça desconhecida, interna, vaga
    ou conflituosa; caráter insidioso

Sintomas de Ansiedade

Físicos: Autonômicos –
hiperidrose, dilatação pupilar, síncope, taquicardia, formigamento de
extremidades, reflexos aumentados. Motores – inquietação (marchar), tremores. Viscerais
– diarreia, vertigem, náusea, perturbações estomacais (“borboletas”), urgência
urinária, hesitação e polaciúria.

Psíquicos: 
Afetam pensamento, percepção e aprendizado. O indivíduo
distorce as percepções de tempo e de espaço e dos significados dos
acontecimentos. Essas distorções interferem no aprendizado ao reduzirem a
capacidade de concentração, a memória e a capacidade de estabelecer relações.
Os indivíduos ansiosos apresentam atenção seletiva aos aspectos do seu ambiente
para justificar seu medo e aumentar ansiedade.

CÍRCULO “VICIOSO” – justificam medo, aumentam ansiedade
pela resposta seletiva e estabelecem círculo vicioso de percepções distorcidas
e ansiedade aumentada.

Epidemiologia

São mais prevalentes em
mulheres. É um dos grupos mais comuns de doenças psiquiátricas. Afeta 1 em cada
4 pessoas e tem taxa de prevalência de 17,7% em 12 meses. Essa taxa diminui com
o status socioeconômico alto.

Fisiopatologia

São transtornos que possuem
causa genética e ambiental. Fatores estressores podem aumentar a chance de o
indivíduo apresentar estados de ansiedade. Norepinefrina (NE), Serotonina(5-HT)
e Ácido gama-aminobutírico (GABA) são os neurotransmissores mais associados a
ansiedade.

Norepinefrina – O sistema noradrenérgico, no paciente com
ansiedade, apresenta problemas de regulação, a qual desencadeia sintomas de
ataques de pânico, insônia, sobressalto e hiperexcitação autonômica, devido ao
seu aumento de função.

Serotonina – O sistema serotoninérgico possui corpos celulares
localizados nos núcleos da rafe do tronco cerebral rostral e se projetam para o
córtex cerebral, sistema límbico (amígdala e hipocampo) e o hipotálamo.
Estima-se que o aumento de serotonina nesses locais, relaciona-se ao aumento
nos sintomas de ansiedade.

GABA
Os receptores tipo A de GABA são os mais
correlacionados aos sintomas de ansiedade. O mau funcionamento dos receptores
que levam a uma infra ativação deles, desencadeia sintomas de ansiedade
generalizada. O locus ceruleus e os núcleos da rafe projetam-se para o sistema
límbico e para o córtex cerebral. Essas áreas têm-se tornado o foco de
hipóteses neuroanatômicas para os transtornos de ansiedade.

ALTERAÇÕES
GENÉTICAS
– quase metade dos pacientes
com transtorno de pânico tem um parente afetado, para outros transtornos essa
taxa não é tão elevada, mas mostra uma frequência alta da doença.

Contribuições das ciências psicológicas (psicanalítica, comportamental e
existencial)

Freud – ansiedade resulta de conflitos entre desejos
inconscientes, com as ameaças do superego e da realidade externa. O ego
mobiliza mecanismos de defesa para evitar que esses pensamentos inaceitáveis
emergissem. A ansiedade para Freud gera repressão. Do ponto de vista
psicodinâmico, o tratamento visa aumentar a tolerância à ansiedade, ou seja,
experimentá-la e utilizá-la como um sinal para investigar o conflito subjacente
que a criou.

Comportamental – a ansiedade é uma resposta condicionada a um
estímulo específico do ambiente. Uma menina criada por um pai abusivo, pode
desenvolver ansiedade ao ver o pai.

Existencial – não há um estímulo específico para a sensação
crônica de ansiedade. As pessoas experimentam sentimentos de viver em um
universo sem objetivo.

Diagnóstico Diferencial

Podem ser cardiovasculares (ex: síndrome coronariana
aguda, arritmia, IC), neurológicos (ex: epilepsia, tremor essencial,
encefalopatia, demência, enxaqueca), pulmonares (ex: DPOC, asma, apneia do
sono…), endocrinológicos (ex: hipotireoidismo, hipertireoidismo,
hiperparatireoidismo, hipoglicemia, feocromocitoma, menopausa…) e diversos
(ex: anemia, delirium, espasmo esofágico, deficiência de ác. fólico, gastrite,
intoxicação…)

Transtorno de Ansiedade Generalizada

Consiste em uma preocupação
excessiva e abrangente acompanhada por uma variedade de sintomas somáticos,
portanto manifestações físicas, que comprometem o funcionamento
sócio-ocupacional com acentuado sofrimento. A ansiedade manifesta-se de modo
flutuante, independentemente da situação.

Epidemiologia

Mais comum em mulheres (2:1), com prevalência anual de
3-8%, os sintomas geralmente se manifestam na segunda década de vida,
principalmente na presença de fatores estressores, entretanto somente 1/3 dos
pacientes procuram tratamento psiquiátrico.

Etiologia

Estudos indicam que neurotransmissores serotoninérgicos e gabaérgicos estão envolvidos. Já quando às teorias psicossociais há a hipótese de que os pacientes com ansiedade possuem conflitos inconscientes não solucionados, ou ainda respondem de modo incorreto aos perigos percebidos.

Quadro Clínico

Ansiedade e preocupação contínuas e excessivas, não
restrita a uma situação ambiental ou objeto específico, acompanhada por:

  • Tensão motora
    tremor, abalos, tensão muscular, inquietação, fadiga fácil, dores, cefaleia;
  • Hiperatividade autonômica
    palpitações, sensação de falta de ar, sudorese, mãos frias e úmidas,
    dificuldade de deglutição, diarreia, sensação de nó na garganta;
  • Vigilância
    impaciência, inquietação, sensação de incapacidade, dificuldade de
    concentração, insônia, irritabilidade, lapsos de memória;
  • Esse padrão deve ocorrer na maioria dos dias
    em um período de pelo menos seis meses.

Diagnóstico

Tratamento

Em casos leves, os pacientes podem ser orientados a
procurar apenas a psicoterapia, sem que seja necessária intervenção
medicamentosa. Além disso é necessário, orientar prática de exercícios físicos
e redução do uso de cafeína e álcool.

Em casos moderados e graves é
necessário a psicoterapia associada a tratamento medicamentoso. As
principais opções medicamentosas para tratar esse transtorno incluem
Benzodiazepínicos, ISRS, Buspirona e Venlafaxina. Os antidepressivos
triciclícos também podem ser úteis. Os BZD constituem terapia coadjuvante, com
o intuito de acelerar a redução dos sintomas. Os BZD podem ser utilizados até 8
semanas, com o cuidado de fazer o desmame, antes da retirada. ISRS podem ser
utilizados com Buspirona, Fluoxetina, Sertralina ou Escitalopram.

O tratamento pode ser considerado de 6 a 12 meses, porém
cerca de 60 a 80% tem recaídas após um ano de tratamento.

Transtornos de Pânico

Caracteriza-se pela ocorrência espontânea e inesperada de
ataques de pânico de maneira recorrente. Os ataques de pânico apresentam curta
duração, com sintomas graves de ansiedade que exigem a diferenciação com
condições clínicas mais graves, as quais em sua maioria levam os pacientes a
procurarem o serviço de emergência.

Apresenta prevalência de 1,5 a 5%. Sendo mais frequente
em mulheres (2:1) com idade média de 25 anos, com a peculiaridade de história
recente de divórcio. Pode estar associado a outros transtornos como agorafobia
(0,6 a 6%), depressão, uso de substâncias.

Etiologia

Acredita-se que alguns pacientes já tenham um tônus
simpático aumentado que predispõem a ocorrência dos ataques de pânico.
Substâncias como norepinefrina, serotonina e GABA estão envolvidos na
neuroativação, já dióxido de carbono, lactato e bicarbonato podem ter relação
com os ataques. Pode ocorrer por alterações no lobo temporal, principalmente o
direito. Além disso pode ocorrer devido a alterações genéticas já que parentes
de pacientes com transtorno de pânico tem um risco 4-8x maior de apresentar
sintomas

Manifestações Clínicas

O primeiro ataque de pânico, na maioria das vezes, ocorre
espontaneamente, sem fator precipitante. Sendo que algumas vezes, ocorre após
exercício físico, trauma emocional, atividade sexual, uso de substâncias como
cafeína, álcool. A duração média de 20-30 minutos, com pico dos sintomas
ocorrendo aos 10 minutos.

Sintomas psíquicos incluem: Medo extremo; Sensação de
morte e catástrofe iminente; Medo de enlouquecer ou perder o controle,
desrealização e despersonalização;

Sintomas físicos incluem: Palpitações, sudorese,
tremores, boca seca, calafrios ou sensações de calor, sensação de asfixia, dor
ou desconforto torácico, náusea ou dor abdominal, tontura e parestesias. Em 20%
dos casos, pode ocorrer síncope.

Diagnóstico

Fonte: Compêndio de psiquiatria,
Benjamin J. Sadock; Virginia A. Sadock, 2017.

Além disso, também pode ser diagnosticado por Pelo menos
um dos ataques foi seguido de um mês (ou mais) de uma ou de ambas as seguintes
características: Apreensão ou preocupação persistente acerca de ataques de
pânico adicionais ou sobre suas consequências, OU Uma mudança desadaptativa
significativa no comportamento relacionada aos ataques (p. ex., comportamentos
que têm por finalidade evitar ter ataques de pânico, como a esquiva de
exercícios ou situações desconhecidas).

E se a perturbação
não é consequência dos efeitos psicológicos de uma substância, de outra
condição médica ou outro transtorno mental.

Tratamento e Prognóstico

O curso desse transtorno tende a ser crônico, com duração
do tratamento de 8 a 12 meses após a melhora dos sintomas, com ISRS (paroxtina
e sertralina em doses mais baixas do que usadas em transtornos depressivos) ou
benzodiazepínicos (ex: alprazolam na redução imediata dos sintomas)

Autores, revisores
e orientadores:

Autores: Anne
Gabrielly Alves da Silva (@gabi_alviis)

Co-autor(a): Luiza
Helena Paula Pessoa Marques Pinheiro (@luuizah_p)

Revisor(a): Jorge
Edson Pinheiro dos Santos

Orientador(a):
Francisco Vitor Aires Nunes e Antônio Carlos Cavalcante Correia

Liga: Liga
Acadêmica de Pesquisas e Estudos em Farmacologia – LAPEF

Instagram: @lapef.ufersa

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