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Resumo de acidente por aranha marrom | Ligas

Mapa mental de acidente por aranha marrom - Sanar

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A ocorrência de aracnídeos venenosos
no Brasil é considerada comum. Acidentes com tais animais, principalmente por
aranhas, é considerado relevante do ponto de vista médico, uma vez que possuem
potencial de causar morbidades severas com risco elevado de complicações.

As Aranhas Marrons se destacam nesse
grupo por representarem alta prevalência em todo o território nacional e por
seu veneno ter efeitos graves, tanto locais como sistêmicos, com potencial
risco de morte.

Epidemiologia

Anualmente, cerca de 20 mil casos de
acidentes com aranhas são notificados no Brasil, sendo que 50% de todos os
acidentes por aranhas venenosas são contabilizados como pela Aranha Marrom.

Tais casos são mais predominantes na
região Sul do país, prevalecendo os estados do Paraná e Santa Catarina, com
frequência discretamente maior entre mulheres e os acidentes ocorrendo, em sua
maioria, no ambiente domiciliar ou peridomiciliar.

Biologia da aranha marrom

A Aranha Marrom é o nome popular dado
às aranhas do gênero Loxosceles,
sendo as espécies L. gaucho, L. intermedia e L. laeta, as que representam maior prevalência dentre os acidentes
de importância médica.

A Loxosceles é o único gênero de
aranhas capaz de produzir lesões necrosantes e, em alguns casos, hemólise, com
ampla distribuição em todo o mundo. São aranhas de cor marrom, cuja tonalidade
pode variar de marrom claro ao marrom escuro. São pequenas, medindo de 2 a 3
cm, possuem 6 olhos organizados em 3 pares. O cefalotórax do animal possui um
padrão em formato de violino, que pode ser percebido em alguns casos,
dependendo de sua tonalidade.

São animais de hábito
predominantemente noturno, não agressivos e com predileção por locais secos e
escuros. Devido à sua tolerância à falta de comida e água e grande longevidade,
as Aranhas Marrons possuem alta capacidade de colonizar o ambiente peri e
intradomiciliar.

Pela sua não agressividade,
geralmente, os acidentes com essa aranha ocorrem quando o animal é pressionado,
em muitos casos, quando a vítima se move à noite na cama, ou quando utiliza
algum utensílio ou vestimenta.

Fisiopatologia do veneno loxoscélico

O veneno da Loxosceles possui uma importante enzima, a esfingomielinase-D. Esta
que gera uma reação inflamatória local que pode, em raros casos, se tornar
sistêmica. A enzima gera lesão nas membranas celulares, principalmente do
endotélio vascular, gerando ativação da cascata do sistema complemento e de
coagulação, que ocasiona um intenso processo inflamatório, que obstrui vasos e
causa edema, hemorragia e isquemia, levando à necrose.

A ativação dessas cascatas também
está relacionada a uma hemólise intravascular disseminada a partir do ponto
inicial da lesão, que pode ocorrer em raros casos.

Quadro clínico de acidente por aranha marrom

A picada pela Aranha Marrom é quase
sempre indolor e os pacientes muitas vezes não percebem pelo que foram
mordidos, por isso se faz importante entender a apresentação do quadro clínico
por envenenamento pela Loxosceles.

A apresentação clínica da mordida por
Loxosceles pode ser dividida em duas
formas fundamentais: o Loxoscelismo cutâneo e o Loxoscelismo sistêmico ou
viscerocutâneo.

Loxoscelismo
cutâneo

Ocorre na grande maioria dos casos e
possui a característica de possuir uma instalação lenta, porém progressiva,
cujos principais sintomas são dor, edema e eritema no local da picada.

Os sintomas começam a acentuar-se nas
primeiras 24 a 72 horas após a mordida. Geralmente iniciados pelo aparecimento
de vesícula ou bolha que pode ou não se tornar hemorrágica, com tecido
isquêmico adjacente.

Em 3 a 7 dias, a lesão vai se
tornando uma úlcera, que quando formada completamente pode demorar em média 6 a
8 semanas para cicatrizar por segunda intenção, sendo necessário enxerto de
pele na maioria dos casos.

Outros sintomas transitórios podem
ocorrer, porém em menor intensidade, como mialgia, febre, calafrios, náuseas,
vômitos, cefaleia e erupções cutâneas.

Loxoscelismo
viscerocutâneo

É a forma mais grave do envenenamento
por Aranha Marrom e é mais incidente na população pediátrica.

Os primeiros sinais observados são
febres leves, artralgias, diarreia e vômito. Porém ao curso da evolução da
doença viscerocutânea, podem ocorrer coagulação intravascular disseminada,
hemólise, petéquias e plaquetopenia.

Em média, ocorre no 2º ou 3º dia após
a picada, porém pode ocorrer já no primeiro dia. A hemólise e rabdomiólise
podem gerar anemia e insuficiência renal aguda.

Diagnóstico de acidente por aranha marrom

O diagnóstico é feito por meio da
identificação da aranha, identificando assim o tipo da picada. Caso não seja
possível o reconhecimento do aracnídeo, deve-se avaliar os sinais locais e
sistêmicos que o paciente venha apresentar. Dentre as alterações clínicas, deve
observar no primeiro momento uma vasculite intensa no local da picada, seguida
de edema, hemorragia e necrose local.

Além disso, exames laboratoriais
podem ser feitos, mesmo não sendo exames específicos. As alterações
laboratoriais, apresentadas pelo paciente, podem variar de acordo com a forma
clínica do envenenamento. Sendo assim, podem ser observadas as seguintes
alterações:

  • Forma
    cutânea: o hemograma apresenta leucocitose e neutrofilia.
  • Forma
    viscerocutânea: o hemograma apresenta diversas alterações importantes. Dentre
    elas trombocitopenia,
    reticulocitose, anemia aguda, hiperbilirrubinemia indireta diminuição dos
    níveis de haptoglobina, aumento dos níveis de potássio,creatinina e uréia, além
    de alterações do coagulograma.

Tratamento de acidente por aranha marrom

A primeira medida a ser tomada em
casos de acidentes com aracnídeos é o tratamento não específico, para diminuir
a dor da vítima, enquanto espera o atendimento especializado. Logo, deve-se
acalmar a vítima, aplicar uma bolsa de gelo, uma compressa de água gelada ou
até mesmo mergulhar a parte afetada em água gelada/fria. Em seguida, deve ser
feita analgesia, que em geral, é realizada por dipirona 5-10mg/kg/dose em
crianças e 500mg/dose em adultos. Caso a dor seja muito intensa, pode fazer o
uso da associação de paracetamol-codeína (500mg de paracetamol e 7,5 ou 30mg de
codeína). Além disso, deve-se fazer hidratação para os pacientes que apresentam
a forma viscerocutânea, com o objetivo de manter uma adequada perfusão renal.
E, por fim, em relação às medidas não específicas, é essencial fazer a limpeza
do local afetado, com o intuito de prevenir infecções secundárias e promover
rápida cicatrização, além de fazer a corticoterapia por via oral durante 5 a 10
dias (0,5-1mg/kg/ dia – no máximo 40mg/dia – para crianças e 40mg/dia em
adulto).

A segunda medida a ser tomada é o
tratamento específico por soroterapia, o mais rápido possível, já que alguns
estudos apresentam uma menor eficácia da soroterapia após 36 horas do acidente.
Contudo, é válido ressaltar que, na forma viscerocutânea, a soroterapia é
indicada em qualquer momento que for identificado a hemólise, independente do
tempo após o acidente. 

É importante lembrar, que a notificação do caso é imprescindível para alimentar o sistema epidemiológico e garantir o suprimento adequado de soro para o sistema de saúde.

Mapa mental

Mapa mental de acidente por aranha marrom - Sanar

Autores, revisores e orientadores:

  • Autor(a): Ana Elisa Vasconcelos Muniz – @anaelisavm
  • Coautor (a): Nuno Nunes Velanes Borges – @nuno.n
  • Revisor(a): Flávia Gazineo Accioli Ramos – @flaviaaccioli
  • Orientador(a): Leonardo Matthew
  • Liga: Liga Acadêmica de Emergências Clínicas e Cirúrgicas – LAECC
  • Instagram: @laeccunime

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