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Resumo: Comunicação Interatrial | Ligas

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A comunicação interatrial caracteriza-se por um defeito congênito de fechamento do septo interatrial, que é responsável por dividir o coração entre os lados direito e esquerdo permitindo, assim, a separação do sangue arterial e venoso.

Durante a vida embrionária há a formação do coração e da divisão dos dois lados através de uma estrutura chamada septo interatrial. Porém em algumas pessoas este septo não se forma adequadamente havendo persistência de um defeito (buraco) que comunica os dois lados do coração. Isso causa mistura do sangue com e sem oxigênio. O defeito do septo atrial é uma das anomalias cardíacas congênitas mais comuns reconhecida em adultos, mas raramente é diagnosticada ou se manifesta na infância.

Classificação

Dependendo da origem embrionária, a comunicação interatrial pode ser classificada em dois tipos. Temos a comunicação interatrial tipo persistência do ostium primum e comunicação interatrial do tipo persistência do ostium secundum.

O septo interatrial é formado por duas membranas, o septum primum e o septo sucundum. O primeiro é fibroso, delgado, surge primeiro e anterossuperior aos átrios. Depois, forma-se o ostium secundum, mais superior e divide o septo em inferior e superior. Esse é mais musculoso e rígido, à direita do septum primum e em contato com o átrio direito e é o tipo mais frequente de comunicação interatrial.

Fonte: Guedes, 2020.

Quadro clínico

Os pacientes com defeito do septo interatrial geralmente são assintomáticos no início da vida, embora existam relatos ocasionais de insuficiência cardíaca congestiva e pneumonia recorrente nos primeiros anos de vida. As crianças com defeito no septo atrial podem sentir fadiga facilmente e dispnéia ao exercício e tendem a ser fisicamente hipodesenvolvidas e propensas à infecção respiratória. Nos adultos são comuns arritmias atriais, hipertensão arterial pulmonar, desenvolvimento de obstrução vascular pulmonar, insuficiência cardíaca, eventos trombóticos e AVCs.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e, também, através dos exames complementares como ecocardiograma, ECG e RX de tórax. Os achados clínicos são: impulsões sistólicas e abaulamento da região precordial, em função da dilatação das cavidades direitas. Dobramento amplo e constante da segunda bulha pelo fechamento das valvas semilunares aórtica e pulmonar. Sopro sistólico em ejeção na área pulmonar (segundo espaço intercostal esquerdo) pelo grande fluxo através da valva pulmonar e dilatação do tronco da artéria pulmonar.

O ecocardiograma é padrão-ouro no diagnóstico, pode-se ver o tipo, local, dimensão, conexão das veias pulmonares, grau de dilatação da artéria pulmonar, magnitude do fluxo e estimativa de pressão arterial pulmonar.

Ecocardiograma transesofágico em paciente portador de duas pequenas CIA (setas).Fonte: Guedes, 2020.

Tratamento

O fechamento espontâneo é raro, mas pode ocorrer em alguns casos até o primeiro ano. Porém, a intervenção deve ser feita quando a relação entre o fluxo pulmonar e sistêmico for maior que 1,5:1. Pode ser realizado por técnica cirúrgica convencional ou oclusão percutânea (cateterismo).

A cirurgia Convencional é feita por acesso à área cardíaca através de uma esternotomia mediana clássica, com o auxílio de circulação extracorpórea normotérmica e o fechamento do defeito do septo atrial é feito através de uma atriotomia. A abertura do esterno cirúrgica e a circulação extra-corpórea acarretam riscos como infecções e danos intangíveis para a criança como hipoperfusão cerebral, lesões estéticas, dor e efeitos psicológicos.

O fechamento por implante de dispositivo percutâneo é feito sob anestesia geral, através do ecocardiograma transesofágico (ETE) e é realizado utilizando um cateter de dimensionamento para determinar as propriedades anatômicas como tamanho, localização, presença de uma borda adequada ao nível atrioventricular, etc. Em seguida, utiliza-se um cateter maior para introdução do oclusor sob simultânea fluoroscopia e orientação por ETE. O dispositivo é liberado quando uma posição adequada e estável em todo o defeito é alcançada.

A oclusão da CIA por implante percutâneo é uma alternativa segura e eficaz para o fechamento cirúrgico tradicional, com muitos méritos favoráveis, incluindo excelentes resultados estéticos, menos trauma, sem a necessidade de circulação extracorpórea (CEC), e um menor tempo de internação.

Autores e revisores

Autores: Júlia Cardoso Nunes

Revisor: Carol Nanci Szerman

Liga: Liga Acadêmica de Cardiologia (LAC) @lac.unesaju

O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

CELLA, Anielly do Santos Konig et al. Malformações do septo interatrial: como ocorre e diagnóstico. MEDICINA E SUAS INTERFACES, p. 62.

DE OLIVEIRA DANTAS¹, Maria d’Ávilla et al. Comunicação Interatrial (CIA): Uma relação entre a formação embrionária e a cardiologia.

SILVEIRA, Ana Carolina et al. Comunicação interatrial. Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba, v. 10, n. 2, p. 7-11, 2008.

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