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Resumo: Caxumba | Ligas

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Definição

A caxumba ou parotidite epidêmica
é uma virose aguda de evolução normalmente benigna que acomete as glândulas
salivares, principalmente as parótidas. Essa doença ocorre primariamente em
crianças em idade escolar e em adolescentes e tem distribuição universal com alta
morbidade e baixa letalidade.

O agente etiológico é um vírus
RNA da família Paramyxoviridae e a transmissão ocorre principalmente pela forma
direta, através da disseminação de gotículas de secreções respiratórias ou
através do contato com saliva de pessoa contaminada. Além disso, a transmissão
indireta (por fômites) também pode acontecer, mas em menor frequência.

O período de incubação da doença
é, em média, de 16 a 18 dias, mas pode ocorrer de 12 a 25 dias. Já o período de
transmissão ocorre de 7 dias antes das manifestações clínicas até 9 dias depois
delas.

É importante ressaltar que após
infecção por esse agente etiológico a pessoa fica permanentemente imune.

Epidemiologia

É considerada como doença endêmica
em grandes centros, principalmente em países onde a deficiência do sistema
vacinal é acentuada, como Japão e Inglaterra, e onde há intensa aglomeração de
pessoas.

Após a implementação da vacinação
contra caxumba no calendário vacinal brasileiro, a incidência dessa doença reduziu
muito. Atualmente ela ocorre na forma de surtos que atingem primariamente as
crianças de populações não vacinadas e ocorrem principalmente durante o inverno
e a primavera.

Existe uma estimativa que, na
ausência de imunização, apenas 15% da população chegaria à idade adulta sem ter
tido a doença e, além disso, cerca de um terço dos infectados serão
assintomáticos.

Vale ressaltar, então, que a
prevenção da caxumba se dá por meio da imunização com as vacinas tríplice viral
e/ou tetraviral, que são ofertadas para a população a partir dos 12 meses.
Dessa forma, o esquema recomendado é que indivíduos até 29 anos de idade tenham
recebido duas doses, sendo a primeira administrada aos 12 meses de idade com a
tríplice viral e, a segunda, aos 15 meses de idade coma tetraviral. A dose de
tetraviral pode ser aplicada até os 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade, sendo
que após essa faixa etária o esquema deve ser completado com a tríplice viral.

Fisiopatologia

O mecanismo fisiopatológico da
caxumba ainda não está bem estabelecido, mas o que se sabe atualmente é que a
infecção inicia-se nas células epiteliais do trato respiratório superior e
infecta a glândula parótida por ter tropismo por glândulas, através do ducto de
Steven ou pela viremia (esta é considerada a via pela qual o vírus infecta
outros tecidos glandulares, como testículos, ovários e pâncreas, além do
tropismo para o sistema nervoso).

A partir da penetração do vírus,
esse passa por outros mecanismos até o início dos sintomas, sendo esses:
replicação primária, disseminação, tropismo celular e tecidual, replicação
secundária e dano celular e/ou tecidual.

O vírus se liga às células do
trato respiratório superior por meio da sua glicoproteína HN, que por meio da
sua ação da neuramidase, quebra a barreira de mucina na superfície dessa
célula, e por meio da ação de hemaglutinina ele é adsorvido e ocorre sua
penetração celular. Enquanto ele se replica, há a liberação de citocinas pelas
células infectadas, responsáveis pelo início da inflamação.

A partir disso, as partículas
virais liberadas migram até os linfonodos próximos à região e aí ficam por um
tempo incubados, fator que pode fazer com que eles atinjam a corrente sanguínea
e, a partir de seu carreamento dentro das células linfoides, ocasionam a
viremia, podendo atingir outros órgãos que possuem tecidos glandulares e que
estão próximos a linfonodos, como o testículo nos homens, causando orquite que
pode levar a atrofia testicular (sendo rara causa de esterilidade no sexo
masculino), e nas mulheres os ovários, ocasionando a ooforite. Nos linfonodos
também, dá-se início a replicação secundária, aumentando mais ainda a
concentração viral.

A doença se estabelece a partir
da degeneração das células infectadas nos ductos de Steven devido a inflamação,
infiltração linfocitária e edema, sendo que a glândula parótida se torna
dolorosa, edemaciada e tenra, quadro característico da doença.

Além disso, destaca-se que as
células infectadas pelo vírus da caxumba podem evitar a ação do sistema imune
através da degradação de STAT1 e de STAT3 pela proteína V do vírus e, com isso,
a sinalização IFN e IL-6 são bloqueados e o microrganismo consegue evitar
respostas antivirais inatas e adaptativas, sendo que o bloqueio da via IFN
melhora a replicação do vírus.

As complicações associadas à doença são implicadas com base no resultado da infiltração linfocitária e da destruição das células periductais, pois ocorre o bloqueio dos ductos das glândulas salivares e nos túbulos seminíferos dos testículos.

Quadro clínico

Os principais sintomas da caxumba são aumento da
glândula salivar (principalmente parótida) e febre. Outros sintomas associados
são dor à mastigação, anorexia, cefaleia, mialgia, artralgia e astenia. Cerca
de um terço dos infectados não apresentam hipertrofia da glândula salivar.

Além desses sintomas mais comuns,
o paciente pode apresentar orquiepididimite (no caso dos homens); mastite e
ooforite (no caso das mulheres); pancreatite, que se manifesta por febre, dor
epigástrica, vômitos e náuseas; tireoidite; artrite; glomerulonefrite;
miocardite e ataxia cerebelar. Uma informação importante é que essas complicações
associadas à caxumba podem aparecer mesmo que não haja parotidite, o que poderá
retardar seu diagnóstico.

Em relação às crianças menores de cinco anos infectadas, podem ocorrer sintomas respiratórios e, raramente, perda neurossensorial súbita e unilateral da audição. Caso uma gestante seja infectada ainda no primeiro trimestre de gestação, pode ocorrer aborto espontâneo.

Ademais, como o vírus tem
tropismo também pelo Sistema Nervoso Central, pode ocorrer meningite asséptica
de evolução benigna. Felizmente as encefalites causadas por esse vírus são
raras.

Diagnóstico

O
diagnóstico de caxumba é principalmente clínico-epidemiológico, pois os testes
sorológicos existentes (ELISA e inibição da hemaglutinação) não são comumente
usados na rotina dos serviços públicos de saúde. Já a amilase sérica pode ser
usada como exame complementar, uma vez que costuma estar elevada nesses casos.

Além da sorologia para
confirmação diagnóstica, também pode ser feita a reação em cadeia da polimerase
em tempo real (RT-PCR) com amostras de saliva, swab bucal e líquor.

Como o diagnóstico é geralmente
clínico, é importante saber os diagnósticos diferenciais. São eles: cálculo de
dutos parotidianos, parotidite de origem piogênica e inflamação de linfonodos.

Tratamento

O
tratamento da caxumba é sintomático. É preciso que a hidratação e a alimentação
da pessoa infectada sejam adequadas, principalmente porque alimentos ácidos
podem causar dor, náuseas e vômitos.

Como essa infecção pode gerar plaquetopenia, você não deve utilizar anti-inflamatórios não esteroidais, pois esses podem aumentar o risco de sangramento.

Autores, revisores e orientadores

  • Autora: Rafaella Rangel Barbosa
  • Coautora: Maria Eduarda Rodrigues Ferreira
  • Revisora: Letícia Thais de Oliveira Alves
  • Orientador: Júlio César Veloso
  • Liga: Liga Acadêmica de Pediatria (LIPED)

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