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Resumo: AAS – Ácido Acetilsalicílico | Ligas

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Apresentação

  • Comprimidos revestidos de liberação entérica de 100 mg: embalagens com 30 comprimidos;
  • Uso via oral.

Mecanismo de Ação

Realiza a inibição irreversível
da atividade das isoenzimas cicloxigenase – COX 1 (plaquetas, estômago e rim) e
COX 2 (SNC, traqueia, rim, células endoteliais, testículos, ovários etc), que
propiciam a transformação do ácido araquidônico em prostaglandina H2, que é o
precursor imediato das Prostaglandinas: D2, E2, F2a, I2 e  do tromboxano A2 (TXA2), ocorrendo bloqueio da
produção de tromboxano A2. Esta inibição decorre da acetilação da molécula da
serina.

É importante lembrarmos que as
plaquetas produzem a prostaglandina H2 que é responsável pela liberação do
TXA2, um potente agregante plaquetário e vasoconstrictor. Este tem suas ações
contrabalançadas pela liberação da prostaciclina (PGI2) das células endoteliais
vasculares, produzindo vasodilatação e inibindo a agregação plaquetária. O TXA2
é por essência um derivado da COX-1 (plaqueta) e altamente sensível à ação do
AAS, enquanto que a prostaciclina advém tanto da COX-1 como da COX-2.

Seu tempo de ação persiste por aproximadamente 10 dias, que é o tempo de meia-vida das plaquetas (podendo assim ser ingerida uma vez ao dia), realizando o bloqueio da síntese da PGI2 nas células endoteliais, promovendo a quebra de seu efeito inibidor da agregação e de adesão plaquetária e do efeito vasodilatador. No entanto, fica claro que permanece o papel trombogênico das plaquetas pela ativação de outras vias, o que explica tanto a manutenção da hemostasia, quanto a falha da profilaxia antitrombótica em alguns casos.

Farmacocinética

O ácido acetilsalicílico inibe a
agregação plaquetária bloqueando a síntese do tromboxano A2 nas plaquetas. Seu
mecanismo de ação baseia-se na inibição irreversível da ciclooxigenase (COX-1).
Esse efeito inibitório é especialmente acentuado nas plaquetas, porque estas
não são capazes de sintetizar novamente essa enzima. Acredita-se que o ácido
acetilsalicílico tenha outros efeitos inibitórios sobre as plaquetas. Por essa
razão é usado para várias indicações relativas ao sistema vascular. O ácido
acetilsalicílico pertence ao grupo dos fármacos anti-inflamatórios
não-esteroidais, com propriedades analgésicas, antipiréticas e
anti-inflamatórias. Altas doses orais são usadas para o alívio da dor e nas
afecções febris menores, tais como resfriados e gripe, para a redução da
temperatura e alívio das dores musculares e das articulações e distúrbios
inflamatórios agudos e crônicos, tais como artrite reumatoide, osteoartrite e
espondilite anquilosante.

Farmacodinâmica

Após sua ingestão, realiza sua
absorção pelo estômago e porção superior do intestino delgado, e seu metabolismo
hepático. Seu início de ação se faz entre 20 e 30 minutos, com pico de ação em
uma a duas horas na preparação habitual e em três a quatro horas com as de
revestimento entérico. Tem meia vida plasmática de 15 a 20 minutos. Seu efeito
persiste pelo tempo de vida das plaquetas (10 dias) devido à inativação
plaquetária irreversível da COX-1.

Após a absorção, são encontrados
no sangue, na saliva, no líquido sinovial e cefalorraquidiano e na bile. No
sangue sofre processo de hidrólise a ácido acético e ácido salicílico. Sua
meia-vida de eliminação varia de 2 a 3 horas após doses baixas até cerca de 15
horas com doses altas, sendo excretados pelos rins.

A posologia varia de 50 a 1500
mg/dia, não havendo benefícios com as altas doses em relação à redução de risco
de IAM e morte cardiovascular, aumentando os efeitos colaterais da mesma,
especialmente os gastrointestinais.

Indicações

  • Redução do risco de mortalidade em pacientes com
    suspeita de infarto agudo do miocárdio (IAM);
  • Redução do risco de morbidade e mortalidade em
    pacientes com antecedente de infarto do miocárdio;
  • Prevenção secundária de acidente vascular
    cerebral;
  • Prevenção do risco de ataques isquêmicos
    transitórios (AIT) e acidente vascular cerebral em pacientes com AIT;
  • Redução do risco de morbidade e morte em
    pacientes com angina pectoris estável e instável;
  • Prevenção do tromboembolismo após cirurgia
    vascular ou intervenções;
  • Profilaxia de trombose venosa profunda e embolia
    pulmonar;
  • Redução do risco de primeiro infarto do
    miocárdio em pessoas com fatores de risco cardiovasculares;
  • Profilaxia de Pré-Eclâmpsia em gestantes alto
    risco para Doenças Hipertensivas Específicas da Gestação (HAS crônica, história
    de pré-eclâmpsia, Primiparidade tardia >40 anos, Doença renal crônica,
    doenças autoimunes, Diabetes).

Contraindicações

O ácido acetilsalicílico não deve ser utilizado nos
seguintes casos:

  • Hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico, a
    outros salicilatos ou a qualquer outro componente do produto;
  • Histórico de asma induzida pela administração de
    salicilatos ou substâncias com ação similar, principalmente fármacos
    anti-inflamatórios não-esteroidais;
  • Úlceras gastrintestinais agudas;
  • Diátese hemorrágica;
  • Insuficiência renal grave;
  • Insuficiência hepática grave;
  • Insuficiência cardíaca grave;
  • Combinação com metotrexato em dose de 15
    mg/semana ou mais (vide “Interações Medicamentosas”);
  • Gravidez (vide “Gravidez e lactação”).

Efeitos Adversos

  • Distúrbios do trato gastrintestinal superior e
    inferior: dispepsia, dor abdominal e gastrintestinal, raramente inflamação e
    úlcera gastrintestinal c/ ou sem hemorragia e perfuração;
  • Sangramentos: hemorragia perioperatória,
    hematomas, epistaxe, sangramento urogenital e sangramento gengival; raros os casos
    de hemorragia do trato gastrintestinal, hemorragia cerebral, anemias (astenia,
    palidez e hipoperfusão);
  • Distúrbios renais:  insuficiência renal aguda;
  • Reações de hipersensibilidade: síndrome
    asmática, reações leves a moderadas que potencialmente afetam a pele, trato
    respiratório, trato gastrintestinal e sistema cardiovascular, incluindo
    sintomas como eritema (rash), urticária, edema, prurido, rinite, congestão
    nasal, dificuldade cardiorrespiratória e muito raramente, reações graves,
    incluindo choque anafilático;
  • Relatou-se muito raramente disfunção hepática
    transitória com aumento das transaminases hepáticas. Relataram-se tontura e
    zumbido, que podem ser indicativos de superdose.

Gravidez e Lactação

  • Indicado o uso do AAS em gestantes de Alto Risco
    para Doenças Hipertensivas Específicas na Gestação (ACOG,2018; FEBRASGO, 2017;
    SBC, 2010.):

    • Alto Risco: Hipertensão Crônica, história de
      pré-eclâmpsia, Primiparidade tardia (> 40 anos), Doença renal crônica,
      Doenças autoimunes (SAAF, LES), Diabetes tipo I, II ou Gestacional,
      Ultrassonografia Doppler de Artérias Uterinas 1ªtrimestre > percentil 95;
    • Iniciar doses 100 – 150mg entre 12-18ª semanas
      gestacional e manter até 5 dias antes da interrupção;
  • O uso do ácido acetilsalicílico é contraindicado
    no último trimestre de gestação, apresentando categoria de risco na gravidez D
    para tal período. Durante os dois primeiros trimestres de gestação, o ácido
    acetilsalicílico deve ser utilizado com cautela, se realmente necessário,
    apresentando categoria de risco na gravidez C para tal período;
  • Os salicilatos e seus metabólitos passam para o
    leite materno em pequenas quantidades. Como não se observaram até o momento
    efeitos adversos no lactente após uso eventual, em geral, é desnecessária a
    interrupção da amamentação.

Interação medicamentosa

Interações contraindicadas:

  • Metotrexato em doses de 15 mg/semana ou mais: aumento da toxicidade hematológica de metotrexato (diminuição da depuração renal do metotrexato por agentes anti-inflamatórios em geral e deslocamento do metotrexato de sua ligação na proteína plasmática pelos salicilatos);
  • Dipirona e antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs): A administração simultânea (mesmo dia) podem atenuar a inibição plaquetária irreversível induzida pelo ácido acetilsalicílico;
  • Anticoagulantes, trombolíticos/outros inibidores da agregação plaquetária/hemóstase: aumento do risco de sangramento;
  • Outros anti-inflamatórios não-esteroidais com salicilatos em doses elevadas, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRIs): aumento do risco de úlceras e sangramento gastrintestinal devido ao efeito sinérgico;
  • Digoxina: aumento das concentrações plasmáticas de digoxina em função da diminuição da excreção renal;
  • Glicocorticoides sistêmicos (exceto hidrocortisona na doença de Addison): diminuição dos níveis de salicilato plasmático durante o tratamento com corticosteroides e risco de superdose de salicilato após interrupção do tratamento;
  • Ácido valproico: aumento da toxicidade do ácido valproico devido ao deslocamento dos sítios de ligação com as proteínas;
  • Álcool: aumento do dano à mucosa gastrintestinal e prolongamento do tempo de sangramento devido a efeitos aditivos do ácido acetilsalicílico e do álcool;
  • Uricosúricos como benzbromarona, probenecida: diminuição do efeito uricosúrico (competição na eliminação renal tubular do ácido úrico);
  • Contraindicação com uso de altas doses de AAS: Insulina e sulfonilureias, diuréticos, Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA);

Autores, revisores e orientadores:

  • Autores: Jéssica Mariana Lima de Oliveira – @jmarianalima.
  • Orientadores: Marla Niag Rocha dos Santos, Sibele de Oliveira Tozetto Klein.
  • Liga: Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia do Recôncavo da Bahia – LAGORB – @lagorb.

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