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Relato de caso: desafios no diagnóstico da doença de Crohn | Colunistas

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Objetivo

O trabalho tem o objetivo de ressaltar a
dificuldade do diagnóstico da Doença de Crohn (DC), geralmente retardado, o que
implica na realização de procedimentos desnecessários para o paciente. Como
também, demostrar a relação entre a precocidade da doença e um pior
prognóstico.

Descrição do caso

Paciente masculino, 19 anos, relata obstipação há 5 dias, associado a tenesmo e hematoquezia durante treinamento militar. O quadro se intensificou em um mês, com surgimento de dor anal que persistia após a evacuação.

Um ano depois, recebeu o diagnóstico de duas fissuras anais e foi tratado com AINES, analgésicos e pomada anestésica. Com a falha do tratamento e perda ponderal de 22kg, foi submetido a uma fissurectomia após 3 meses.

Não houve melhora do quadro, e cursando com dor abdominal em cólica de forte intensidade, seguida de diarreia sanguinolenta, inapetência e aftas orais.

Suspeitou-se de DII e a colonoscopia apresentou padrão macroscópico compatível com DII, com anatomopatológico inconclusivo. Após revisões das lâminas, foram observados granulomas e o diagnóstico foi concluído.

O tratamento com mesalazina, azatioprina e prednisona se iniciou, com importante melhora do quadro.

Discussão

A DC é uma das DIIs (Doença Inflamatória Intestinal), caracterizada por inflamação crônica da mucosa intestinal, principalmente dos intestinos delgado e grosso, de forma segmentar e transmural.

A DC se origina de uma resposta exacerbada do sistema imunitário a antígenos patogênicos ou não, alimentação, medicamentos e genética. Os sintomas clássicos são diarreia, dor abdominal, anemia, perda ponderal, sangramento retal, massa abdominal e alterações extra-intestinais.

O diagnóstico baseia-se na anamnese, exames laboratoriais, TC e métodos endoscópicos. A diagnose é um desafio, pela semelhança com a Retocolite Ulcerativa.

As complicações são hemorragias, estenoses, aderências, perfurações, megacólon tóxico, abscessos e neoplasias. O tratamento visa a remissão dos sintomas com anti-inflamatórios, imunomoduladores, mudança de estilo de vida e procedimentos cirúrgicos.

Conclusão

Portanto, é crucial ter conhecimento dos critérios diagnósticos devido ao desafio na diferenciação entre as DII. Além disso, é importante dar ênfase à gravidade observada nos casos com apresentação clínica precoce, devido ao prognóstico desfavorável.

Dessa forma, é de suma importância que o meio médico tenha conhecimento desta doença e reconheça o mais precocemente possível as DII.

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