Anúncio

Relação médico-paciente: transferência, contratransferência e empatia | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

(Carl G. Jung)

1. HUMANIZAÇÃO

Em uma relação médico-paciente
é necessário, sobretudo, que tenha um atendimento humanizado, através de
princípios éticos e políticas de gestão em saúde. Conforme a Política Nacional
de Humanização (HumanizaSUS), a humanização é:

“a valorização dos usuários, trabalhadores
e gestores no processo de produção de saúde. Valorizar os sujeitos é
oportunizar uma maior autonomia, a ampliação da sua capacidade de transformar a
realidade em que vivem, através da responsabilidade compartilhada, da criação
de vínculos solidários, da participação coletiva nos processos de gestão e de
produção de saúde” ⁴.

2.
TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFÊNCIA 

Supostamente, a relação
médico-paciente começou na medicina hipocrática, com objetivo de beneficência
humana, com a visão da pessoa por completo e não somente patológica. Esta
relação é formada por processos psicossociais⁵, como, por exemplo, a transferência e contratransferência
– descobertas e estudadas pelo psicanalista Freud, trazendo um entendimento
para prática médica e a relação com seus pacientes². 

A transferência é a relação do
paciente referente ao médico. Especificamente, é os sentimentos de uma relação
ou pessoa do passado que são transferidos para situações atuais ou para relação
com médico.

Existem dois tipos, a negativa
e a positiva. A negativa são sentimentos ruins, como ódio, ira, ressentimentos
e tristezas; por outro lado, a positiva são sentimentos bons, de amor, respeito
e confiança².

Outrossim, na
contratransferência ocorre o oposto da transferência, tendo a relação do médico
perante ao paciente. Mais afundo, são respostas emocionais do médico frente às
manifestações do paciente, que dependem da história de vida do médico².

A observação atenta do médico,
tanto das manifestações
transferenciais do paciente quanto das suas reações contratransferenciais, muito
ajudará no crescimento de ambos os participantes dessa relação, no atendimento
diário e também na vida profissional.

3.
EMPATIA

Decerto, outro fator
importante para a relação médico-paciente é a empatia. O
médico deve ser capaz de se colocar no lugar do paciente, olhando o que
acontece em seu corpo, mas também em sua vida e, tentar compreender, a partir
dessa análise, o que de fato as queixas e os relatos significam para o
paciente².

Para Barros et al (2011), a definição de empatia é
constituída por três componentes:

  1. Comportamental: transmite,
    explicitamente, o reconhecimento que foi entendido, também sem julgamento,
    dando à outra pessoa o pressentimento verdadeiro de ser compreendida¹.
  2. Afetivo:
    é apontado pela percepção de sentimentos de compaixão e de preocupação
    fidedigna com bem-estar da pessoa¹.
  3. Cognitivo: está associado à
    eficácia de reconhecer e levar em consideração, sem julgamentos, o
    entendimento e sentimentos de outrem ¹.

4. CASO CLÍNICO – RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

Em um atendimento de Pronto
Socorro, se encontram o preceptor (um cardiologista), um residente de 1º ano e
um interno. A paciente chega ao Pronto Socorro e a atendente a direciona para a
Avaliação e Classificação de Risco aos cuidados da Enfermeira do plantão, a
qual a trata muito friamente, sem dar importância aos relatos da paciente e
imediatamente direciona ao consultório médico.

Chegando ao consultório, a
jovem mãe de 40 anos, acompanhada da filha de 15 anos, relata que procurou o
serviço porque vem apresentando cerca de um mês, uma rouquidão inexplicável.
Chega a perder quase totalmente a fala. O médico residente que faz a história
indaga sobre os vários aspectos do sintoma e outros problemas da garganta.

Faz o exame, encontra a região
hiperemiada. Diz para a paciente que ela tem uma faringite com comprometimento
da laringe e a medica com um anti-inflamatório.

A filha acompanhante fala para
o preceptor: “ela está assim desde que meu irmão morreu”. Antes de acabar a
consulta, o preceptor habilmente faz com que ela continue
e abre o problema: “sua filha falou que a senhora perdeu um filho
recentemente”. A paciente dispara em um choro inconsolável, e conta que o filho
foi assassinado por três bandidos próximos a casa e que uma coisa que não lhe
sai da cabeça: contaram-lhe que, na hora em que estava prestes a morrer, o
filho gritava desesperadamente por ela: “mãe me salve”.

Nessa hora, o interno se
emociona e silenciosamente abraça-a, permanecendo na sala. O médico residente
permanece impassível. O preceptor diz à mãe “Estamos aqui”. Depois, pede para o
residente encaminhá-la para ao ambulatório de psicologia e psiquiatria para uma
avaliação. A paciente emocionada menciona: Obrigada pelo cuidado comigo, eu só
não gostei do atendimento da enfermeira, foi péssimo, ela me faz mal, ainda bem
que vocês estavam aqui²’³.

Neste
caso é explicita a relação de médico-paciente, sendo demonstrados exemplos de
empatia, contratransferência e transferência realizadas tanto por parte da
equipe médica, quanto pela parte da paciente.

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Comece os estudos com o apoio certo, desde o Ciclo Básico até o R1

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀