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Relação médico-paciente: psicologia médica | Colunistas

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INTRODUÇÃO

            No
contexto social atual, é cada vez mais comum o estudo e a análise da
importância da relação médico-paciente. Diversas vezes esse assunto é debatido no
que se refere à dificuldade instalada de inserir essa pauta no processo
pedagógico dos estudantes de medicina por profissionais ausentes da prática
clínica.

            É
notório o baixo índice de materiais didáticos voltados ao público acadêmico em virtude
dessa temática ser considerada sem relevância devido ao modelo biomédico
organicista prevalente na formação médica do país. Tentativas passadas de
introduzir esse tema na grade curricular médica se deram por intermédio de
associações com disciplinas facultativas ou consideradas de menor valia por
parte de alguns estudantes, como na antropologia, sociologia e na psicologia
médica, nas quais se mostraram sem muito sucesso (SUCUPIRA, 2007).

            Apesar
da dificuldade e pouca visibilidade do assunto, é importante destacar o
progresso da construção de um caráter mais ético e humano da prática médica no
âmbito acadêmico. Algumas instituições estão apresentando o tema inserido em disciplinas,
e também reorganizaram o plano de ensino para inserir a bioética e a psicologia
médica, por exemplo, como disciplinas obrigatórias. Dessa maneira, o presente
artigo tem como intuito abordar os fundamentos da relação médico-paciente
associados à psicologia médica.

FUNDAMENTOS DA RELAÇÃO
MÉDICO-PACIENTE

            A auto avaliação das condutas,
princípios e objetivos da medicina a partir desta metade do século tem sido
sucedida por meio de várias perspectivas. Karl Jaspers (1991, apud CAPRARA et
al., 1999), médico e filósofo, responsável por propagar diversas reflexões
acerca da abordagem médica, acompanhada por uma forte crítica à psicanálise, salienta
a primordialidade da medicina reaver os componentes subjetivos da comunicação
entre o médico e paciente, declarados inadequados pela psicanálise e
marginalizados pela medicina, seguindo um trajeto pautado excessivamente no
conhecimento técnico e na assertividade dos dados.

            No
período da década de 60 e 70, Talcott Parsons é o precursor ao trabalhar na
área da sociologia da relação médico-paciente e o consenso intencional, sendo
esse último também conhecido como consentimento informado, oriundo da atenção à
defesa dos direitos dos consumidores. É perceptível a necessidade da contenção
dos efeitos deletérios decorrentes dos comportamentos inapropriados do médico com
o paciente. Em diversos países, houve um aumento expressivo do número de denúncias
por atendimentos inconvenientes e, tornou-se evidente a necessidade de estudos
que abordassem a qualidade da prestação de serviço, como as diretrizes de
reorganização do modelo assistencialista, acrescentando a opinião dos usuários
em relação aos serviços ofertados pelo sistema de saúde (ARDIGÓ, 1995 apud
CAPRARA et al., 1999).

            Outra
pesquisa de suma importância, inclusive para suporte de estudos realizados
posteriormente no Brasil, pelo autor Boltanski (1979 apud CAPRARA et. al.,
1999), tem como principal enfoque discutir o conhecimento médico-científico e
médico-familiar, relacionando-os com as supostas diferenças em relação ao doente-médico.
A relação doente-médico, pode ser classificada como causadora de alguns
sentimentos negativos, como a ansiedade, majoritariamente em classes sociais
mais baixas, em virtude das dificuldades existentes no ato de comunicação.

            Por
fim, destaca-se um estudo de Schraiber (1993 apud CAPRARA et al., 1999) no qual,
por meio de entrevistas realizadas com médicos que possuíam uma elevada
experiência clínica, constatou-se fortemente a presença de tecnologias de um
modo geral na execução da profissão, por exemplo o excesso de solicitação de
exames complementares e de medicalização. Tal fato é frisado pela valorização
da ciência e a intelectualização dos saberes, ou seja, a medicina teria como
enfoque a ciência das patologias, perdendo a relevância das diversas condições sociais.

COMPETÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO
NAS CONDUTAS DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

A procura por uma relação mais
humana e personalizada dos profissionais de saúde, sem dúvidas, é um grande
desafio a ser enfrentado. Outro ponto a ser destacado é a importância do
paciente reconhecer os seus direitos e deveres assegurados pelos dispositivos
legais, sendo, inclusive, um dos assuntos realçados pelo Humaniza-SUS (Brasil,
2006b).

            É
possível fazer uma relação bastante clara e objetiva da importância de uma
comunicação efetiva. Nessa perspectiva, a prevalência das doenças
crônicas-degenerativas sobre as doenças infecciosas, elucida a primordialidade
da busca por estratégias de tratamentos que possam propiciar uma melhor
qualidade de vida ao paciente. Em decorrência da adoção de tratamentos com
longa duração e, principalmente, a importância do comprometimento e
participação do paciente, é perceptível a necessidade de habilidades
comunicativas que possibilitem uma maior compreensão e adesão ao tratamento e,
por conseguinte, êxito das intervenções (SUCUPIRA, 2007).

            Acresça,
também, as novas exigências de caráter social, isto é, demandas que ultrapassam
do conhecimento puramente biomédico, presentes nos consultórios, como o
alcoolismo, violência, queixas sobre o emprego, casamento e outras áreas que,
conforme a intensidade, são capazes de gerar grandes desconfortos. Desse modo,
o médico necessita possuir habilidades que superam os conceitos técnicos e que
sejam capazes de ampliar a sua atuação (SUCUPIRA, 2007).

            Por
fim, no contexto dos atendimentos de urgência e emergência, apesar da
necessidade de intervenções imediatas, o profissional deve focar no indivíduo e
não na doença, pois a adoção dessa postura possibilita uma redução do número de
vezes que o paciente retorna ao serviço. Assim, há uma quebra de um círculo
vicioso que promove o descontentamento tanto dos profissionais quanto dos
usuários (SUCUPIRA, 2007).

CONCLUSÃO

             Diante disso, urge que as universidades reorganizem a grade curricular com o escopo de inserir essa temática como eixo fundamental e obrigatório na formação dos futuros médicos, como ocorre, a título de ilustração, no Centro Universitário Uniredentor – Itaperuna. Ademais, é indubitável a importância desse feito, dado que é um fator primordial e decisivo no papel de protagonismo nas relações entre os profissionais e os indivíduos, pautadas na empatia e humanização.

Autora:
Stefanie de Freitas Almeida

Instagram:
@stefanieffreitas

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