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Reganho de peso durante tratamento para obesidade

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Confira as principais informações sobre como conduzir com excelência casos de paciente em tratamento de obesidade com reganho de peso!

O reganho de peso é um problema relativamente comum no tratamento de indivíduos com obesidade, devido a múltiplas razões que envolvem aspectos comportamentais, alimentação inadequada e a descontinuidade do acompanhamento médico. 

Como médicos, sabemos que é preciso abordar esse fenômeno considerando uma abordagem multidisciplinar para que haja maior chance de sucesso do tratamento e os resultados a longo prazo da perda de peso se sustentem.

Para isso, nesse artigo, iremos explorar estratégias importantes a serem adotadas no tratamento do reganho de peso para te ajudar na condução desses casos com o que há de mais atual nas evidências médicas sobre esse assunto.

Ao longo do artigo iremos abordar as causas que levam ao reganho do peso, as abordagens iniciais do tratamento e os aspectos que são indispensáveis na avaliação desses pacientes, além das medicações que são úteis nessa fase e possíveis intervenções cirúrgicas.

Tratamento obesidade: relembre conceitos importantes

A obesidade é definida como um estado de excesso de tecido adiposo que é provocado pelo aumento da reserva adiposa de energia em forma de triglicerídeos e ácidos graxos, sendo diretamente relacionada à qualidade da alimentação dos indivíduos.

Avaliação da obesidade

O método mais utilizado para a avaliação da obesidade é o Índice de Massa Corporal, o IMC, que é um indicador que resulta da relação entre o peso e a altura de um indivíduo. Por meio do IMC é possível ter uma estimativa da quantidade de gordura corporal e identificar possíveis riscos à saúde associados ao excesso de peso.

Calcular o IMC

A fórmula para calcular o IMC consiste em dividir o peso pela altura ao quadrado. Por exemplo: num indivíduo de 1,68m de altura e que pesa 120kg, temos um IMC de 42,55. Esse seria um paciente com obesidade grau III (IMC >40,0).

Pacientes com IMC entre 25,0 e 29,9 são categorizados como pacientes em sobrepeso (ou pré-obesidade). A partir de um IMC de 30,0, já consideramos a obesidade, que pode ser classificada em grau I, grau II ou grau III. 

Tratamento da obesidade e a perda de peso

O objetivo do tratamento da obesidade é promover a redução de peso e melhorias das condições que se referem as comorbidades relacionadas a essa doença e os riscos de comorbidades futuras. 

Para determinar o tratamento adequado, utilizamos das informações da anamnese, exame físico e da avaliação de fatores de riscos associados a comorbidades.

Pilares de conduta com o paciente

A conduta observa três pilares que podem ser aplicados individualmente ou em conjunto. São eles:

  • Mudanças no estilo de vida, principalmente com estímulos ao abandono do sedentarismo e melhoria da dieta diária;
  • Farmacoterapia com medicamentos que possuem efeito de supressão do apetite e/ou que atuam na inibição da absorção de gordura no trato gastrointestinal;
  • Tratamento cirúrgico.

Estima-se que uma perda de peso de 8 a 10% no período de 6 meses é uma meta aceitável e realista a ser elaborada.

Principais causas do reganho de peso

A principal causa do reganho do peso no contexto da obesidade se dá na perda de seguimento na manutenção da perda de peso. 

A perda de peso segue algumas estratégias comportamentais como pilar principal e que precisam se manter por toda a vida. São elas:

  • Dieta com baixo teor de gordura e poucas calorias;
  • Atividade física regular;
  • Autopesagem frequente;
  • Tratamento medicamentoso da obesidade e das comorbidades relacionadas com o ganho de peso.

Como o tratamento tem como estratégia principal as mudanças no estilo de vida, sem o seguimento dessas medidas, o reganho de peso ocorre. 

Principais fatores

Além disso, outros fatores que colaboram para o reganho do peso envolvem:

  • Alterações metabólicas após a perda inicial de peso;
  • Mudanças hormonais;
  • Fatores psicológicos;
  • Dificuldade na adaptação metabólica;
  • Fatores genéticos.

Pela complexidade desse processo, o acompanhamento multidisciplinar que envolve profissionais da medicina, da psicologia, da nutrição e da educação física se torna indispensável.

Como conduzir quadros de reganho de peso?

Formas de evitar o reganho de peso têm sido amplamente discutidas na comunidade médica, principalmente pela recorrência de casos. A complexidade  intrínseca requer uma abordagem multifatorial, incluindo avaliação do histórico médico, hábitos alimentares, atividade física e fatores psicossociais.

Na prática, algumas abordagens que você pode seguir com pacientes nessas condições:

  • Traçar objetivos pequenos, mensuráveis e alcançáveis para o estilo de vida do paciente é crucial para fortalecer a adesão terapêutica;
  • Os aspectos qualitativos e quantitativos da dieta precisam ser revistos. Nesse contexto, a atuação de um nutricionista será muito importante;
  • Identificar se o paciente mantém atividades físicas em sua rotina é indispensável, pois encontrar um estilo de atividade que o paciente se identifique e consiga realizar é um fator muito relevante;
  • Incluir o paciente em programas de acompanhamento e de incentivo à perda de peso;
  • Atuar com uma equipe multidisciplinar para traçar planos que ofereçam o suporte necessário às necessidades individuais do paciente.
  • Avaliar a possibilidade de intervenção cirúrgica em casos refratários ao tratamento clínico.

Ao seguir essas dicas práticas, as estratégias se tornam mais aceitáveis e viáveis para os pacientes. É importante também enfatizar a importância do acompanhamento regular e ajustar o plano conforme necessário para garantir sua eficácia.

Avaliação psicológica em casos de reganho de peso

O reganho de peso, como vimos até aqui, é produto de uma interação realmente complexa em fatores de diferentes naturezas: fisiológicos, genéticos, comportamentais e emocionais. 

Considerando que a colaboração do paciente é crucial para o sucesso do tratamento, a avaliação psicológica é uma ferramenta indispensável. Por meio dessa avaliação, é possível compreender:

  • Fatores emocionais como a ansiedade, baixa autoestima ou a depressão que possam contribuir para indisposição ou inaptidão para realizar atividades;
  • Comportamentos alimentares influenciados por fatores psicológicos e que possam sugerir distúrbios alimentares presentes como compulsão alimentar e outros;
  • Identificar gatilhos emocionais e desenvolver estratégias de enfrentamento aos comportamentos que se relacionam com o reganho de peso.

Além desses pontos que associam os aspectos emocionais ao ganho de peso, a avaliação também visa promover saúde mental num contexto amplo de saúde.

A terapia cognitiva comportamental é a abordagem da psicologia mais recomendada para esses pacientes.

Medicações para controle do peso

Existem várias formas de tratar a obesidade, incluindo medicamentos, que são importantes quando combinados com outras medidas, como mudanças comportamentais.

A escolha do medicamento varia de acordo com cada caso, pois é preciso identificar o peso atual do paciente e a presença de comorbidades, além do custo financeiro.

Antidiabéticos

Os antidiabéticos agonistas de GLP1 são os medicamentos de primeira linha nesse contexto. A semaglutida e liraglutida são dois princípios ativos que exemplificam essa classe.

Esses dois medicamentos têm sido popularmente referenciados como canetas para o tratamento da obesidade devido a sua forma de apresentação. Ambos são na verdade injeções subcutâneas com um aplicador que tem o formato de caneta e, por isso, receberam esse nome.

É essencial prescrevê-los com cautela, considerando os efeitos colaterais e custos

Outros medicamentos

Orlistate, fentermina e bupropiona são medicamentos que podem complementar o tratamento. O topiramato é utilizado off-label para perda de peso, mas sua prescrição ainda não é consensual.

Dosagem

A dosagem depende da obesidade do paciente e suas condições de saúde, além da tolerância aos efeitos colaterais. O tratamento de outras condições de saúde também deve ser considerado.

Possíveis intervenções cirúrgicas

A cirurgia bariátrica é o procedimento cirúrgico indicado para a obesidade e para casos de reganho de peso nesse contexto. Contudo, não são todos pacientes que podem ser submetidos a essa cirurgia por múltiplos motivos.

Os critérios de indicação geral para a cirurgia bariátrica são:

  • Idade entre 18 e 65 anos;
  • IMC acima de 40kg/m², tendo ou não comorbidades identificadas OU IMC entre 35 e 40kg/m² havendo comorbidades OU IMC entre 30 e 35kg/m² com comorbidade grave atestada por especialista;
  • Insucesso de tratamento clínico e farmacológico prévio;
  •  IMC estável há 2 anos.

Estar abaixo de 18 anos de idade ou estar acima de 65 não é impeditivo para a realização da cirurgia, porém, esses casos consideram outros fatores como o consentimento familiar e condições clínicas gerais.

Ao decidir por cirurgia, é obrigatório que o paciente possua um acompanhamento psicológico.

Em caso de paciente com diabetes melittus como comorbidade, é possível realizar a cirurgia metabólica em conjunto com a bariátrica. Vale lembrar que é preciso ficar atento as indicações específicas que devem ser avaliadas previamente.

Como fazer o acompanhamento contínuo do paciente?

O sucesso do tratamento e a prevenção ao reganho do peso dependem muito da participação do paciente em todo o processo. Para isso, é necessário que ele seja bem instruído e compreenda os efeitos deletérios do reganho de peso em curto, médio e longo prazo.

Para um acompanhamento eficaz, algumas estratégias práticas podem ser adotadas em acordo com o paciente:

  • Educação contínua em saúde com equipe multidisciplinar: informar sobre nutrição, atividade física e estratégias de enfrentamento para melhor adesão terapêutica.
  • Cronograma estruturado de consultas para avaliar o progresso do tratamento.
  • Aferição regular de parâmetros clínicos para estabelecer metas realistas de peso e atividade física.
  • Plano de manutenção do peso após alcançar o peso ideal para prevenir novo reganho de peso.
  • Registro diário de hábitos alimentares e atividade física pelo paciente para conscientização do problema e adesão ao tratamento.

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Referências

  • JAMESON, L. J et al. Medicina Interna de Harrison. 20 ed. Porto Alegre: AMGH, 2020.
  • GOLDMAN, L; AUSIELLO, D. Cecil Medicina. 23 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
  • TOWNSEND, C. et al. Sabiston – Tratado de Cirurgia. 20ª ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2019. 3278p.
  • KATZUNG, B. G. et al. Farmacologia básica e clínica. 13. ed. – Porto Alegre: AMGH, 2017.

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