Elaboramos um artigo completo sobre a Mamoplastia Redutora e Reconstrução da Mama. Confira o que preparamos, boa leitura!
A mama feminina
O tamanho e formato das mamas são determinados, em parte, por fatores genéticos, étnicos e alimentares e é durante a puberdade que as mamas aumentam o seu tamanho, em parte, pelo desenvolvimento glandular, mas principalmente pelo aumento da deposição de gordura.
Na parte anterior da mama se encontra a papila mamária, uma proeminência cônica ou cilíndrica, situada no centro da aréola. A papila não apresenta gordura, pelos ou glândulas sudoríparas.
Sua extremidade é fissurada e os ductos lactíferos se abrem nela, sendo formada por fibras musculares lisas circulares que comprimem esses ductos lactíferos durante a lactação, causando a ereção das papilas em resposta a estimulação, como quando um bebê começa a sugar.
A aréola é uma estrutura cutânea pigmentada circular, rica em glândulas sebáceas, que auxiliam na lubrificação da região, especialmente na gravidez e lactação. As aréolas e papilas também aumentam na puberdade.

Imagem: Anatomia da mama feminina. Fonte: https://bit.ly/3iP2Mps
O leito mamário se estende transversalmente da margem lateral do esterno até a linha axilar média e verticalmente da costela II até a VI. Dois terços do leito são formados pela fáscia peitoral, sobre o músculo peitoral maior e o outro terço é formado pela fáscia que cobre o músculo serrátil anterior.
A inervação sensitiva da porção superior da mama é fornecida pelos nervos supraclaviculares formados do terceiro e quarto ramos do plexo cervical. A pele da porção medial da mama é inervada pelas divisões cutâneas anterior do segundo ao sétimo nervo intercostal.
A inervação dominante do mamilo é oriunda do ramo cutâneo lateral do quarto nervo intercostal, enquanto os ramos cutâneos laterais dos outros nervos intercostais têm um trajeto subcutâneo até e além da linha medioclavicular da aréola e da pele da mama.
SE LIGA! A confirmação independente da importância do ramo cutâneo lateral do quarto nervo intercostal levou a uma maior aceitação das técnicas que incluem o seu trajeto no pedículo vascular do mamilo.
Existem três fontes principais de suprimento sanguíneo para a mama. A artéria mamária interna nutre a porção medial através de perfurantes mediais próximas a borda esternal. A artéria torácica lateral nutre as porções laterais. Os ramos anterior e lateral dos vasos intercostais nutrem o restante.
Embora exista um grau substancial de colaterização entre estes vasos no parênquima mamário, estima-se que a artéria mamária interna proporciona aproximadamente 60% do total. Parece que a artéria torácica lateral irriga os 30% adicionais, principalmente para as porções superior externa e lateral.
Os ramos anterior e lateral da terceira, quarta e quinta artérias intercostais posteriores irrigam o quadrante mamário inferior externo restante. A variabilidade e a intercomunicação entre a rede vascular respondem por uma notável segurança dos pedículos para o mamilo em diversas técnicas com base em diferentes suprimentos vasculares.
A mama apresenta dois sistemas principais de drenagem venosa: um superficial e outro profundo. O sistema de drenagem superficial é dividido em dois tipos: transversal e longitudinal. As veias transversais correm medialmente no espaço subcutâneo e deságuam nas veias mamárias internas através de múltiplos vasos perfurantes.
A drenagem longitudinal sobe até a área supra-esternal para unir-se com as veias superficiais da porção inferior do pescoço. Existem conexões anatômicas atravessando a linha média, porém apenas entre os sistemas superficiais.
A porção principal da drenagem profunda é feita através de ramos perfurantes da veia mamária interna. A drenagem venosa adicional é na direção da veia axilar. O trajeto restante da drenagem é posterior através de perfurantes para as veias intercostais, que transportam o sangue posteriormente até as veias vertebrais.
As vias linfáticas de drenagem da mama correm paralelas às vias venosas, incluindo os trajetos subcutâneos, mamário interno, intercostal posterior e axilar. Embora a maior parte do fluxo linfático seja feita através da região axilar, os canais torácicos internos podem levar 3 a 20% do total.
Apesar da investigação cuidadosa das causas metabólicas subjacentes de hipertrofia mamária e gigantomastia, estes problemas permanecem muito mal compreendidos, sendo resultado de sensibilidade hormonal dos órgãos terminais, herança genética e peso corpóreo total.
Mamoplastia redutora
A cirurgia redutora das mamas está entre os procedimentos mais realizados no universo da cirurgia plástica mundial. Isto gerou uma grande diversidade de técnicas operatórias que remontam aos primórdios do desenvolvimento da medicina.
Com o passar do tempo, observa-se que as técnicas tendem a evoluir para a redução das cicatrizes remanescentes, com preservação da arquitetura, simetria e fisiologia mamárias.
A técnica de mamoplastia redutora sem descolamento cutâneo apresenta-se como uma opção em relação a procedimentos anteriormente realizados, visando preservar ao máximo as estruturas glandulares e do complexo areolopapilar (CAP).
Permite-se, assim, não só a manutenção da sensibilidade e irrigação sanguínea, fundamentais para que essas estruturas possam cumprir a sua função primordial, mas também que se confeccione uma nova mama com aspecto estético mais natural e harmonioso.
Indicações para mamoplastia redutora
Para a realização do procedimento, deve-se primeiramente identificar o que aflige as pacientes e, então, definir a técnica operatória adequada para melhor resolução do problema apresentado.
As mulheres que buscam a redução das mamas geralmente experimentam dor e tensão crônicas no pescoço, ombros e parte superior das costas, bem como uma sensação de peso nas mamas.
Os sintomas geralmente são piores no final de um dia de postura ereta. O sutiã de apoio usado por muitas mulheres com macromastia pode causar sulcos visíveis e palpáveis sobre o trapézio e, ao longo dos anos, estes podem se tornar cavidades permanentes que não se resolvem mesmo depois que o sutiã é removido.

Imagem: Macromastia com ranhuras da alça de sutiã. Fonte: UpToDate, 2020
Além do desconforto físico, podendo evoluir para má postura e dor na coluna vertebral, as mulheres podem experimentar alterações na dinâmica ventilatória devido a dificuldade de expansão alveolar pelo peso imposto a parede torácica.
Observa-se também uma considerável perda da autoestima, podendo evoluir para alterações psicológicas que alteram significativamente a qualidade de vida dessas pacientes.

Imagem: Macromastia com problemas posturais. As fotos demonstram a postura típica observada em pacientes com macromastia. Fonte: UpToDate, 2020
Dessa forma, um ou mais dos seguintes sintomas podem levar o cirurgião plástico a recomendar a redução da mama:
Dor crônica
A principal indicação para cirurgia de redução de mama é dor crônica na mama, pescoço, ombro ou região centro-torácica das costas, geralmente exigindo analgésicos para alívio.
A mulher também pode se queixar de dor de cabeça, que é atribuída a constante tensão no pescoço e nos ombros. Mulheres que sofrem de doença da coluna vertebral subjacente podem ter um agravamento significativo da dor nas costas.
A dor, como indicação para cirurgia, geralmente está presente há vários anos e é intratável com tratamento padrão, como fisioterapia. Uma melhora temporária da dor imediatamente após o tratamento pode ocorrer, mas geralmente ocorre quando as atividades normais são retomadas.
Desconforto e comprometimento físico da mama
Desconforto significativo que interfere nas atividades diárias e leva a modificação do comportamento para obter algum alívio é outra indicação para a redução da mama.
A mulher pode se queixar de dificuldade em obter apoio adequado para as mamas durante o exercício ou desconforto nas mamas, levando a um nível reduzido de atividade física. Como resultado, muitas mulheres com macromastia acham difícil perder peso.