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Radiologia e Inteligência Artificial: futuro da profissão ou algoz?

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Introdução

Há bastante tempo, desde o desenvolvimento das tecnologias de Inteligência Artificial (ou AI’s), uma dúvida assola a comunidade médica: será que as AI’s irão tomar o espaço de especialidades médicas levando ao seu fim? Entre as especialidades que estão mais associadas com essa discussão, uma das mais faladas é, sem dúvidas, a Radiologia e Diagnóstico por Imagem.

Se você tem interesse nessa área, ou mesmo conhece pessoas que tem interesse, com certeza já ouviu alguém dizer: “não vale a pena fazer Radiologia, porque a área vai desaparecer no futuro próximo por conta das tecnologias”. As Inteligências Artificiais cada vez mais são uma realidade, e a dúvida parece cada vez mais feroz: afinal, a Radiologia vai desaparecer?

Funções da Radiologia

De início, vamos entender o que exatamente um Médico Radiologista faz. Resumidamente, esse profissional é a pessoa que vai analisar, de acordo com os dados clínicos de um paciente e com seus conhecimentos sobre os diferentes exames de imagem (radiografia, ultrassom, tomografia e ressonância), possíveis diagnósticos que expliquem o quadro clínico do paciente. Obviamente, a área é muito mais ampla que isso, havendo diferentes subespecialidades para estudar assuntos específicos dentro da Radiologia. Por exemplo, existe a subespecialidade Radiologia Intervencionista, em que o profissional irá se valer de exames de imagem para guiar procedimentos como biópsias guiadas por ultrassom, cirurgias vasculares minimamente invasivas, etc. Por outro lado, um neurorradiologista, por exemplo, irá laudar exames relacionados com o encéfalo, medula e outros componentes do Sistema Nervoso Central. Dificilmente um radiologista irá trabalhar com todos os exames possíveis, mesmo que ele não se subespecialize, haverá exames que ele terá mais facilidade e contato e outros que ficarão a cargo de outros profissionais.

Provavelmente, o ponto mais comentado por outras áreas médicas é que os radiologistas não tem contato com pacientes. Acredita-se, falsamente, que o radiologista vive em uma caverna com baixíssima luminosidade, onde só tem contato com a luz de máquinas e onde nenhum outro humano existe. No entanto, em exames como o ultrassom, que é completamente “operador-dependente”, o médico radiologista está em contato direto com os pacientes, da mesma forma que grande parte das especialidades médicas. Além disso, mesmo quando estão laudando exames que não exigem contato direto com o paciente, o radiologista tem contato com toda a equipe que realizou o exame, e com o próprio médico solicitante, tendo muitas vezes que entrar em contato com o solicitante para conseguir mais informações, etc. O radiologista tem muito mais comunicação com outras pessoas do que se pensa sobre a área.

Talvez mesmo, por isso, a crença da substitutibilidade do médico radiologista: se essa pessoa não tem tanto contato com o paciente, talvez substitui-la por uma máquina não faça diferença, porém, as nuances do contato humano e capacidade de raciocínio desses profissionais dificilmente pode ser substituída. Dessa forma, o radiologista não é “mais suscetível” às AI’s do que as demais especialidades médicas.

Funções da Inteligência Artificial (AI)

Ao contrário do que se pensa também, as AI’s não são mais uma tecnologia do futuro. Elas já estão aí. Exemplos mais simples de inteligências artificiais são as que estão presentes no seu bolso. Mais exatamente no seu celular. Se você usa um smartphone Apple, com certeza está habituado com o software Siri, que age como uma assistente pessoal resolvendo muitas funções no celular. O mesmo pode ser dito da Google Assistente, nos smartphones Android, Cortana com a Microsoft, Alexa com a Amazon. Tantas variedades, porém um conceito em comum: todas essas aplicações são, em seu cerne, inteligências artificiais.

Mas afinal, o que é uma inteligência artificial? Basicamente, são máquinas ou softwares que, devido à tecnologia (principalmente do que hoje é chamado de machine learning), conseguem adquirir capacidades humanas de aprender, perceber padrões e reproduzir o que foi aprendido de maneira racional. Basicamente, num primeiro momento, o software vai recebendo várias informações, para que ela aprenda os padrões e aprenda a “pensar” de forma artificial, identificando, por exemplo, uma solicitação feita pelo usuário e emitindo uma resposta para aquela pergunta. Resumidamente, a máquina recebe grande quantidade de informações (big data) prévia, adquirida pela internet, geralmente com esses dados sendo armazenados em “nuvem”. Com isso, quando você pergunta para a Google Assistente “como está o clima hoje”, a AI vai primeiro identificar, a partir dos dados que tem do usuário, a cidade onde ele vive ou está, procurar dados de sites de meteorologia sobre o clima naquele local e te enviar essa informação (inclusive lendo o clima da semana e até falando seu nome, com um sistema de voz que melhorou muito nos últimos anos).

E como isso se aplica na Medicina, ou na Radiologia? Já existem alguns softwares em desenvolvimento voltados para essa área, e até concursos oferecendo grandes quantias em dinheiro para equipes que trouxerem inovações nessa área. Algumas AI’s em desenvolvimento já são capazes de gerar automaticamente dados para laudos, como a mensuração e descrição de órgãos e nódulos que tinham que ser feitas manualmente pelo profissional. Isso já facilita muito a vida do radiologista, que teria à sua disposição dados iniciais para seu laudo. O que se espera é que, em um futuro próximo, as AI’s consigam ainda identificar dados e achados de imagem que são de difícil percepção para o próprio profissional, bem como gerir os bancos de dados, priorizar exames de acordo com gravidade, etc. O futuro ainda reserva grandes avanços para essa área, e considerando o ritmo que a tecnologia tem evoluído, não tardará para termos uma revolução na área de Diagnóstico por Imagem.

Afinal, a Inteligência Artificial vai fazer a Radiologia desaparecer?

A meu ver, a resposta é um bem categórico não. Conforme mencionado anteriormente, o papel do radiologista é muito maior que simplesmente o de um mero diagnosticador. O profissional tem que desempenhar habilidades de comunicação, de raciocínio e, principalmente, desenvolver uma visão holística a fim de ver o paciente como um todo, entendendo seu quadro clínico e o processo de saúde-doença para só então chegar ao diagnóstico. Essas características dificilmente serão desempenhadas pela máquina, e o bom profissional não tem que temer o avanço da tecnologia.

Porém, que a Inteligência Artificial vai revolucionar o mercado da Radiologia é um fato inegável, e cada vez mais, uma realidade. Seja com laudos mais rápidos, ou com menos tarefas necessárias para o radiologista desempenhar, a tecnologia com certeza impactará na prática médica nessa profissão. Porém, a elaboração mais rápida de laudos é uma vantagem e não um problema. A demanda de pacientes por exames de imagem parece crescer exponencialmente, e os médicos radiologistas muitas vezes vivem uma rotina extremamente intensa de exames. Com a redução do tempo para elaboração de laudos, tem-se um serviço mais efetivo, de maior qualidade, além de melhorar a qualidade de vida dos próprios médicos. Os profissionais passarão a ter mais tempo para desempenhar sua atenção junto ao paciente, que às vezes é prejudicada pela correria, e também para buscar diagnósticos cada vez mais precisos.

O mercado de trabalho da Radiologia será abalado, provavelmente de forma mais intensa que com o advento da Ressonância Magnética. Os profissionais que não se adaptarem à nova realidade certamente terão mais dificuldades no mercado, uma vez que, com exames mais rápidos e a quantidade crescente de formação de novos radiologistas, potencialmente menos profissionais serão requeridos. Entretanto, o bom profissional, que está constantemente se atualizando, buscando o melhor para o paciente, se adaptando às tecnologias e não fugindo delas, dificilmente perderá seu espaço. Além disso, essas mudanças trazidas pela AI irão afetar muitas outras áreas da Medicina. Por exemplo, softwares capazes de detectar lesões de pele com potencial de malignidade estão sendo desenvolvidos, e cirurgias guiadas inteiramente por robôs parecem cada vez mais próximas da realidade. A revolução será generalizada e os que melhor se adaptarem se sairão melhor. Dessa forma, a Radiologia e Diagnóstico por Imagem pode sim mudar bastante com o incremento das inteligências artificiais, porém não deixará de existir tão cedo.

Autor: João Flávio Almeida Abreu

Instagram: @johnnyfstark


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

https://tecnoblog.net/263808/o-que-e-inteligencia-artificial/

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-39842017000500001&script=sci_arttext&tlng=pt

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