O raciocínio clínico na enfermaria é uma função basilar da prática médica e é uma atividade centrada na tomada de decisões diagnósticas, incluindo atividades de coleta e síntese de informações, interpretação de dados, construção de diferenciais diagnósticos, refinamento de hipóteses iniciais para chegar a um diagnóstico e desenvolvimento de condutas.
Assim, a eficiência do atendimento médico é altamente dependente da análise e síntese adequadas dos dados clínicos e da qualidade das decisões envolvendo riscos e benefícios dos testes diagnósticos e do tratamento.
Tanto é assim que muitos estudos têm demonstrado que falhas cognitivas nas tomadas de decisões desencadeiam erros diagnósticos, intervenções terapêuticas deficientes e desfechos insatisfatórios.
A importância do raciocínio clínico na enfermaria
Profissionais com habilidade insuficiente de raciocínio clínico falham em detectar a moléstia que acomete seus pacientes em 10 a 15% dos casos. Quantificaram o impacto dessa falha cognitiva, e a consideraram fator determinante em 17% dos eventos clínicos adversos, sendo o erro diagnóstico a segunda maior causa de iatrogenias.
Por outro lado, o contrário também se mostra verdadeiro, isto é, o raciocínio clínico, se bem conduzido, constitui-se em índice da qualidade da assistência médica.
Considera-se que são benefícios diretamente relacionados ao bom raciocínio clínico:
- a otimização do tempo diagnóstico;
- a utilização racional dos exames, o que dispensa propedêutica desnecessária e, consequentemente, diminui os custos operacionais e os riscos potenciais de efeitos adversos;
- o aumento da resolubilidade do problema do paciente e, consequentemente, aumento da sua satisfação;
- e, sobretudo, aumento da autossatisfação profissional, quando a lógica da conclusão se mostra adequada.

Imagem: Enfermaria do Hospital Geral Clériston Andrade. Fonte: https://www.jornalgrandebahia.com.br/
O raciocínio clínico na Enfermaria
O paciente internado em enfermaria é a realidade de muitos médicos. O principal objetivo da hospitalização é restaurar ou melhorar a saúde para que o paciente possa retornar para casa.
Assim, as internações têm a intenção de ser relativamente curtas e de permitir que o paciente receba alta para casa ou para outra instituição de cuidados médicos em que o tratamento poderá ser concluído.
Desse modo, deve-se entender a realidade do paciente internado, construir uma rotina bem estruturada para atender suas demandas, conhecer o caso do paciente com seu prontuário e se atentar a armadilhas que devem ser evitadas.
No internamento, temos que compreender a realidade do paciente. Entender o problema que fez o paciente ser internado, seja por uma patologia ou por um procedimento que será realizado, para que, desse modo, seja possível realizar um cuidado continuado. Por isso, a história prévia deve ser conhecida, assim como a da admissão e a do próprio internamento.
Rotina na enfermaria
Na rotina de acompanhamento, é imprescindível evitar um hábito médico comum dentro das enfermarias hospitalares que é ir direto para os prontuários e/ou equipe de enfermagem para verificar os acontecimentos das últimas 24 horas e só depois verificar os pacientes pessoalmente.
SE LIGA! É mais adequado verificar os pacientes primeiro.
Para essa primeira visita ser rápida, uma técnica é a “evolução digital”. Isso significa ir de quarto em quarto perguntando de leito em leito rapidamente se o paciente está bem, com um sinal de positivo ou ok, chamando o paciente pelo nome. Também é importante deixar claro que voltará em breve.
Com isso, o médico se assegura que nenhum paciente está instável ou em situação grave e pode tratar problemas urgentes com maior eficiência. Este procedimento é de curta duração, mas é de extrema importância.
Posts relacionados
- Livro de Raciocínio Clínico: Por que é importante?
- Raciocínio Clínico, qual a importância?
- Curso de Raciocínio Clínico Baseado em Problemas
- Raciocínio clínico na emergência
- A falibilidade do Raciocínio Clínico: como os vieses cognitivos te fazem errar | Colunistas
- Massas cervicais – raciocínio clínico e principais etiologias | Colunistas
- Resumos: as bases médicas para o raciocínio clínico do Sistema Renal | Ligas