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Queratose pilar: como identificar e tratar a condição comum na pele

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A queratose pilar é uma alteração cutânea benigna e bastante frequente, resultante de um distúrbio da queratinização folicular. Caracteriza-se pela presença de pequenas pápulas ásperas, de coloração semelhante à da pele ou levemente eritematosas, geralmente localizadas nas superfícies extensoras dos braços, coxas e, por vezes, nas bochechas.

Embora seja inócua e possa ser considerada uma variante normal da pele, a condição pode impactar a estética e a autoestima de alguns pacientes. Além disso, a queratose pilar está frequentemente associada a outras dermatoses, como dermatite atópica e ictiose vulgar, além de poder ocorrer em contextos de alterações metabólicas.

Com início típico na infância e tendência a se acentuar na adolescência, tende a apresentar melhora gradual com o tempo, sendo possível amenizar suas manifestações por meio de medidas simples de hidratação, esfoliação e, em casos selecionados, terapias dermatológicas específicas.

Epidemiologia da queratose pilar

A queratose pilar é uma dermatose frequente, acometendo principalmente adolescentes, grupo no qual a prevalência varia de 50% a 80%, mas também presente em cerca de 40% dos adultos. Por ser subnotificada, sua ocorrência real pode ser ainda mais elevada. Ademais, não há predileção por raça ou sexo para o desenvolvimento da condição.

Etiologia da queratose pilar

A queratose pilar é considerada um distúrbio genético da queratinização, no qual ocorre a formação de tampões córneos nos óstios foliculares. Embora sua causa exata não seja totalmente esclarecida, há evidências de que mutações no gene da filagrina e alterações na cascata de sinalização Ras estejam envolvidas.

Além disso, a condição costuma apresentar padrão de herança autossômica dominante, muitas vezes com penetrância incompleta, e tem forte associação com dermatite atópica, o que reforça a hipótese de que resulte da perda da função normal da barreira epitelial. Ademais, casos mais raros estão relacionados a deleções do cromossomo 18p ou ao uso de medicamentos, como o nilotinibe, um inibidor de tirosina quinase.

Manifestações clínicas da queratose pilar

Clinicamente, a queratose pilar caracteriza-se por pápulas queratóticas e ásperas, geralmente localizadas nas superfícies extensoras dos braços e coxas, mas que também podem envolver face, tronco, nádegas e extremidades distais. Essas lesões podem estar agrupadas ou dispersas e, com frequência, apresentam eritema perifolicular discreto.

Queratose pilar: diversas pápulas discretamente eritematosas de base folicular. Fonte: UpToDate, 2024.
Queratose pilar: distribuição de diversas pálpulas foliculares, eritematosas e queratóticas. Fonte: UpToDate, 2024.

A condição é, em grande parte, assintomática, sendo muitas vezes identificada incidentalmente durante o exame físico. Todavia, alguns pacientes relatam pele áspera e aparência estética incômoda.

A associação com dermatite atópica e ictiose vulgar é comum, e o quadro tende a piorar no inverno, possivelmente pela xerose e pelo atrito de roupas grossas. Em geral, há melhora com o avanço da idade, embora possa persistir na vida adulta.

Existem variantes clínicas, como:

  • Queratose pilar rubra, com eritema perifolicular acentuado, especialmente em bochechas, testa e pescoço,
  • Eritromelanose folicular da face e do pescoço, que combina eritema, hiperpigmentação e pápulas foliculares, predominando nas têmporas, bochechas e áreas pré-auriculares.
Queratose pilar rubra: diversas pápulas ásperas e queratóticas, de base folicular, com eritema de fundo, localizadas nas bochechas. Fonte: UpToDate, 2024.
Eritromelanose folicular da face e do pescoço: lesões eritematosas com telangiectasias e pápulas foliculares. Fonte: UpToDate, 2024.

Diagnóstico da queratose pilar

O diagnóstico da queratose pilar é predominantemente clínico, fundamentado na anamnese detalhada e no exame físico. O médico deve investigar o início, evolução, localização e características das lesões, além de possíveis tratamentos prévios e impacto estético ou emocional para o paciente.

A dermatoscopia pode auxiliar, evidenciando folículos dilatados com fios curtos, finos, enrolados ou retidos no estrato córneo, além de descamação e eritema.

Por fim, a biópsia por punch raramente é recomendada ou necessária para confirmar o diagnóstico de queratose pilar. Entretanto, caso seja realizada, a análise histológica revelará obstrução marcante do orifício folicular, acompanhada de hiperqueratose e acantose na epiderme. Além disso, também pode ser observado um infiltrado linfocitário na derme, além de possível presença de hipergranulose.

Diagnóstico diferencial da queratose pilar

O diagnóstico diferencial da queratose pilar inclui diversas condições que apresentam pápulas foliculares, mas com características e causas distintas.

O líquen espinuloso, comum em crianças, apresenta pápulas foliculares queratóticas que se unem formando placas simétricas no tronco e membros, e tende a desaparecer espontaneamente.

Líquen espinuloso, caracterizado por lesão delimitada composta por pápulas foliculares hiperqueratóticas. Fonte: UpToDate, 2024.

Já a frinodermia, decorrente de deficiência de vitamina A ou desnutrição, manifesta-se por hiperqueratose folicular nas áreas extensoras dos membros, ombros e nádegas.

Frinodermia: pápulas típicas localizadas nas áreas extensora dos joelhos em uma criança. Fonte: UpToDate, 2024.

A queratose pilar atrófica é um grupo raro de genodermatoses que envolve queratose folicular acompanhada de inflamação, cicatrizes e possível perda de cabelo, afetando principalmente a face, especialmente as sobrancelhas e bochechas.

Eritema, pápulas foliculares com excesso de queratina e queda das sobrancelhas em uma criança com queratose folicular atrófica. Fonte: UpToDate, 2024.

Tratamento da queratose pilar

A queratose pilar tende a melhorar espontaneamente com o tempo e, em muitos casos, não necessita de intervenção.

Portanto, o tratamento é indicado principalmente quando há acometimento extenso, eritema acentuado ou impacto estético relevante. No entanto, a melhora obtida costuma ser temporária, sendo necessário manter a terapia para prolongar a remissão.

Medidas gerais incluem:

  • Higiene adequada.
  • Uso de sabonetes hipoalergênicos.
  • Evitar mexer nas pápulas.
  • Cuidados para evitar ressecamento da pele, como uso de sabonetes suaves, banhos mornos e aplicação regular de hidratantes.

Os emolientes e ceratolíticos tópicos (ureia 20%, ácido lático, ácido salicílico), por exemplo, são a primeira linha, pois suavizam e reduzem as pápulas, embora não atenuem significativamente o eritema.

Entretanto, quando não há resposta adequada, podem ser utilizados retinoides tópicos (tretinoína, adapaleno, tazaroteno), aplicados diariamente por 8 a 12 semanas, com estudos mostrando melhora na textura, aspereza e vermelhidão. Além disso, corticosteroides tópicos de baixa a média potência podem ser usados por curtos períodos se houver inflamação evidente.

Por fim, outras abordagens, geralmente reservadas para casos resistentes, incluem:

  • Retinoides sistêmicos.
  • Peelings químicos com ácido glicólico.
  • Procedimentos como laser de corante pulsado, laser de alexandrita, Nd:YAG e diodo, que podem reduzir temporariamente a aspereza e o eritema.

Prognóstico da queratose pilar

A queratose pilar geralmente surge na infância e tende a melhorar com o passar do tempo. Um estudo revelou que 35% dos pacientes apresentaram melhora, enquanto 43% mantiveram a condição estável e 22% experimentaram piora.

Além disso, a intensidade da queratose pilar também varia conforme as estações do ano, com quase metade dos pacientes relatando melhora no verão e piora no inverno, provavelmente devido à menor umidade do ar durante os meses mais frios.

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Referências

  • Landis, M. N. Keratosis pilaris. UpToDate, 2024.
  • Pennycook, K. B.; McCready, T. A. Keratosis Pilaris. National Library of Medicine, 2023.

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