Quer saber mais sobre a fusão da Rede D’Or com a SulAmérica? Continue a leitura deste post.
A Rede D’Or comprou a SulAmérica seguros. A transação foi aprovada pelos conselhos de administração das duas empresas na última quarta-feira (23). A negociação durou cerca de uma semana.
De acordo com informações da agência Reuters, essa é considerada a maior aquisição da Rede D’Or desde que a companhia marcou sua estreia na B3, no ano passado. A operação avaliou a SulAmérica em cerca de R$ 13 bilhoões.
“A operação engloba dois líderes do mercado de saúde no Brasil, juntando a maior rede hospitalar a uma das principais seguradoras independentes do País”, pontuaram as empresas através de um comunicado conjunto.
“A combinação entre as companhias baseia-se em fundamentos estratégicos para expansão e alinhamento dos seus ecossistemas de saúde. Incluindo os negócios de saúde, odonto, vida, previdência e investimentos, em favor de todos os clientes, beneficiários e parceiros de negócio”, acrescentaram.
A SulAmérica tem cerca de 7 milhões de clientes. Em 2021, a seguradora registro um lucro líquido de R$ 332,7 milhões.
O que muda com a fusão da SulÁmerica com a Rede D’Or?
Com base no comunicado das empresas, com o acordo, a base acionária da SulAmérica será incorporada pela Rede D’Or. O que significa que os acionistas da seguradora receberão papéis da operadora hospitalar.
Após a incorporação, os acionistas da SulAmérica receberão ações equivalentes a 13,5% do capital da Rede D’Or. Avaliada em R$ 111,575 bilhões na bolsa no fechamento do dia do acordo.
Esse percentual levaria à emissão de 307,7 milhões de novas ações da Rede D’Or, que seriam destinadas aos acionistas da seguradora, avaliada em cerca de R$ 10,3 bilhões no mercado.
Dessa forma, para cada 100 papéis da SulAmérica, os acionistas receberiam 25,61 papéis da rede hospitalar.
Desdobramentos do acordo
A SulAmérica assumiu a obrigaçaõ de exclusividade com a Rede D’Or por doze meses. Em caso de desistência e negociação com outros compradores, a multa a pagar é de R$ 5 bilhões.
Outro compromisso é de pelo período de 18 meses os controladores devem votar de forma contrária a qualquer operação concorrente que seja submetida à assembleia geral da SulAmérica. O descumprimento gera uma multa de R$ 2 bilhões.
Independente da negociação, a SulAmérica e a Rede D’Or vão continuar atuando de forma separada. A independência na área de saúde suplementar seja mantida.
Isso significa dizer, por exemplo que a SulAmérica continuará com seus negócios nos planos de saúde, de seguros de vida e outros. E também o negócio de gestão de ativos, pelo qual oferta vários fundos de investimentos.
Vale ressaltar que a incorporação, por regra, não poderá acarretar em alterações que prejudiquem o segurado, seja no valor da mensalidade, índice de reajuste ou condições contratuais.
Confira o que diz o comunicado das empresas:
A SulAmérica manterá seus compromissos com seus mais de 7 milhões de clientes, 30 mil corretoras e parceiros comerciais, e mais de 23 mil prestadores de serviços contratados.
A Rede D’Or, por sua vez, continuará oferecendo as melhores relações comerciais de longo prazo às mais de 300 operadoras parceiras e a seus pacientes o melhor que a medicina contemporânea pode oferecer.
Opinião de especialista
Em entrevista ao Folha de São Paulo, a advogada Melissa Dietrich, comentou sobre o que pode mudar com o acordo. A especialista alertou que o que pode variar são as questões burocráticas.
Exemplo: canais de atendimento e centrais de reembolso. Isso vale principalmente com relação ao tempo, no quesito antecedência, que o segurado deve comunicar essas atividades.
Atualmente, a Rede D’Or tem 65 hospitais pelo Brasil. Em entrevista ao jornal Folha, o advogado Rafael Robba, especialista em direito à saúde, contou que é provável que a Rede D’Or queira incorporar seus hospitais à rede da SulAmérica.
Próximos passos da fusão Rede D’Or com a SulAmérica
O acordo passará por assembleia geral das duas empresas. E também será submetido à avaliação pelos órgãos reguladores como Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Superintendência de Seguros Privados (Susep).
As datas das assembleias não foram divulgadas.
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Cenário de fusões na área de saúde
Desde o ano passado, as fusões entre planos de saúde e hospitais tem se tornado cada vez mais comuns.
O objetivo desse tipo de negociação é ganhar escala para fazer frente a uma revolução tecnológica antecipada pela crise do coronavírus, com expansão do atendimento por telemedicina e foco em procedimentos que buscam detectar o risco de o paciente desenvolver doenças graves — e, com isso, tratá-las antecipadamente.
É importante acrescentar que o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. Mas apenas 47 milhões contam com cobertura de saúde complemetar.
As fusões são uma oportunidade de expandir operações por diversas capitais e interiores do país e de melhorar os serviços prestados.
O analista da Rio Gestão, gestora de recusos mobiliários, Igor Tello, a operação pode gerar uma concentração de mercado especialmente para o mercado premium de planos de saúde.
“Tem o benefício da escala da Rede D’Or e tem abertura para cobrar um tíquete médio mais caro do beneficiário. Para pequenos operadores e hospitais vai ficar mais complicado. Isso porque é uma fusão de duas grandes empresas”, explicou Tello, em entrevista ao jornal O Globo.
O potencial de sinergia vem do lado da receita, por ter uma base de utilização mais abrangente para os dois lados. Para a SulAmérica, pode significar uma redução na sinistralidade”, completou.
Fonte: comunicado das empresas, jornal O Globo e Folha de São Paulo.