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Qual é a ligação entre diabetes e doenças do fígado? | Colunistas

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Existe uma interação complexa e sinérgica entre o DM 2 e as doenças do fígado. O DM 2 causa e agrava a doença, promovendo uma evolução mais rápida para estágios mais graves e aumentando o risco de morte desses pacientes.²

Por outro lado, as doenças hepáticas também podem modificar a história natural do DM 2 e aumenta as chances em pacientes saudáveis de desenvolver diabetes, gerando um círculo vicioso.2,3 A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), a hemocromatose, a hepatite C e a hepatite alcóolica são as que mais frequentemente causam diabetes.5

Por
que indivíduos com problemas no fígado podem desenvolver DM 2?

O fígado
desempenha um papel fundamental na regulação dos níveis de glicose plasmática,
através de mecanismos como a gliconeogênese e a glicogenólise. Sendo assim, em
indivíduos com deterioração da função hepática, a homeostasia metabólica da
glicose fica alterada, gerando resistência à insulina e manifestação clínica do
DM.5

Outros fatores
que influenciam na fisiopatologia da doença incluem a diminuição da depuração
da insulina, contribuindo para um estado de hiperinsulinemia e,
consequentemente, diminuição da sensibilidade periférica a esse hormônio.
Ademais, os próprios fatores hepáticos associados à doença, como o excesso de ferro
ou vírus, promovem uma dessensibilização das células beta pancreáticas. 5

Por
que indivíduos com DM 2 podem desenvolver problemas no fígado?

Geralmente,
a resistência insulínica do DM 2 surge precocemente no fígado em relação aos
tecidos periféricos. Isso acontece devido à proximidade desse órgão à gordura
omental, a qual é menos sensível à ação da insulina e, portanto, favorece a
lipólise (degradação de lipídeos), expondo o fígado a altas concentrações de
ácidos graxos livres e facilitando o seu depósito.4

O acúmulo de
lipídeos no fígado tem efeito lipotóxico, ou seja, resulta em estresse
oxidativo com produção de radicais livres. O resultado disso é a indução de
inflamação crônica, necrose e apoptose celular.Além disso, no
estado de resistência à insulina do DM 2, há liberação de citocinas
pró-inflamatórias, como fator de necrose tumoral alfa e interleucina-6, o que
potencializa ainda mais o estresse oxidativo hepático e o dano hepático
progressivo.5

Mais da
metade dos doentes diabéticos tipo 2 apresentam doença hepática gordurosa não
alcoólica (DHGNA).³ Assim, na presença de sinais sugestivos de acúmulo hepático
de gordura, torna-se prudente a pesquisa do DM. A definição de DHGNA requer
evidências de acúmulo de gordura hepática e inexistência de causas secundárias
que justifiquem esses achados, como consumo de álcool significativo (> 20
g/dia para homens e > 10 g/dia para mulheres), uso de medicamentos
esteatogênicos ou doenças hereditárias.¹

Sou
diabético. Como saber se tenho Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica?

A maior
parte das pessoas com DHGNA é completamente assintomática. O diagnóstico geralmente
ocorre após alterações das transaminases em análises rotineiras ou com o
aparecimento de imagens sugestivas em uma ecografia abdominal solicitada por
outros motivos. O método diagnóstico de excelência é a biópsia hepática, que
permite fazer a graduação histológica, porém, por ser um método invasivo, nem
sempre é solicitado.¹

Recomenda-se
que pessoas com DM, além de realizarem o tratamento e controle glicêmico
conforme recomendação médica, mantenham acompanhamento periódico pela equipe
multidisciplinar para que eventuais complicações do DM sejam diagnosticadas
precocemente. O seu médico deve identificar se há DHGNA mediante a combinação
de achados clínicos, laboratoriais e de imagem, sendo a ultrassonografia abdominal
o método de imagem mais comumente empregado, por não ser invasivo, estar
amplamente disponível e ter baixo custo.1,5

Sou
diabético e fui diagnosticado com DHGNA. O que fazer?

A abordagem
terapêutica de cada paciente deve ser individualizada e inclui o controle dos
distúrbios associados à síndrome metabólica, como a redução do peso, dieta
balanceada e prática regular de exercício físico.5 Os medicamentos
são de uso empírico, sendo direcionados para a etiologia principal da doença.
Além disso, alguns medicamentos para DM podem precisar ser ajustados em casos
de doença hepática crônica.1,3

De uma forma geral, a DHGNA tem progressão lenta. Estima-se que 20 a 30% dos pacientes com esteatose hepática progridam, ao longo de 3 anos, para o segundo estágio: esteatohepatite não alcoólica. Em 10 anos, 20 a 50% dos pacientes passam para o terceiro e quarto estágios: cirrose e carcinoma hepatocelular. Esses números dependem das comorbidades do paciente. Portanto, é essencial manter o acompanhamento multidisciplinar para retardar a evolução da doença.1

Autora:
Marize Fonseca de Oliveira, estudante de Medicina, UEFS.

http://lattes.cnpq.br/1858080922827950

Instagram: @dizyfonseca

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