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Qual a importância da Relação médico-paciente na adesão do paciente aos tratamentos? | Colunistas

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Com o avanço da tecnologia, podemos perceber como um
computador e um aparelho de ressonância magnética adquiriram um papel mais
importante na atuação médica. Qual seria a necessidade de conversar com o
paciente se é possível colocá-lo em uma máquina e ver tudo por dentro?

Esse avanço tecnológico, apesar dos seus benefícios,
colaborou para o esfriamento da tão importante relação médico-paciente. E é
sobre isso que vamos discorrer agora: a Relação Médico-Paciente, o seu porquê,
sua necessidade e seus benefícios.

Em primeiro lugar, vamos colocar uma definição para este
termo. Podemos dizer, em palavras mais simples, que essa relação é uma “interação
que envolve confiança e responsabilidade, que se caracteriza pelos compromissos
e deveres de ambas as partes, junto com a sinceridade e o amor”.

Levando em conta essa nossa definição, nós, como estudantes
de medicina e médicos, devemos entender que, da mesma forma que a nossa vida é
corrida, a de nossos pacientes também é, ele pode ser um trabalhador, um pai, um
filho, uma esposa, uma avó que, com todos seus deveres e responsabilidades,
agora dispõe de mais um “inconveniente”, o que pode deixá-lo confuso e, na hora
de conversar com o médico, acabe se esquecendo de tudo aquilo que ensaiou no
caminho pra consulta.

Nossa obrigação como profissionais da saúde é estabelecer
mais que uma relação momentânea, e sim uma interação, não importando raça, cor
ou crença, que traga confiança e segurança. E, para que isto ocorra, o
profissional precisa estar preparado e levar em conta que esta relação não é
somente para o paciente, ela se estende para seus acompanhantes/responsáveis.

Uma melhor relação médico-paciente não tem somente efeitos
positivos na satisfação dos usuários e na qualidade dos serviços, mas exerce
também uma influência direta sobre a saúde dos pacientes. Além disso, é uma
parte integrante do cotidiano de milhares de profissionais, relacionada ao
conhecimento médico e à relação mais geral entre medicina e sociedade, que é um
instrumento de difusão e manutenção da instituição médica sobre a sociedade.

Existem dois campos onde devemos observar o aprendizado
dessa relação, um deles é o extra-hospitalar, em que a formação profissional
abrangente adapta o médico às demandas inerentes a está área, que se mostra
limitada ao raciocínio fisiopatológico; e o outro campo é o hospitalar, que tem
uma atuação integrada de uma equipe multiprofissional.

Se retornarmos ao passado, veremos como era habitual uma relação
muito forte entre o médico, o paciente e seus familiares. Existia aquele médico
da família, que acompanhava todos os membros ao longo da vida, e que hoje não
existe mais. Com o avanço da medicina e a fragmentação do corpo em diversas
especialidades médicas, torna-se cada vez mais frequente um atendimento
intencionado a resolver unicamente a queixa biológica do paciente, mas este pode
apresentar uma série de fatores que vão além do biológico. Como ser humano, ele
está sujeito aos reflexos de suas condições psicológicas, ambiente em que vive
e frequenta, relações sociais e condições socioeconômicas.

Sem o devido contato, não é possível estabelecer um diálogo
e desenvolver uma anamnese correta, um passo que é chave para o diagnóstico. E
isso é algo que pode fazer com que o paciente não dê a devida importância ao
tratamento indicado pelo médico, porque, muito provavelmente, este paciente já
passou por outros profissionais que não tiveram o cuidado de sequer olhá-lo nos
olhos e conversar, entender o paciente como um todo.

Precisamos, sem abdicar da modernidade e conforto da
tecnologia, buscar resgatar as qualidades daquele médico do passado e passar a
sermos médicos modernos humanizados, com o objetivo de oferecer uma assistência
boa e de qualidade ao paciente. Dessa forma teremos maior êxito na adesão aos
tratamentos propostos e, consequentemente, na resolução de muitos problemas de
saúde.

Vale ressaltar que esta adesão é definida como uma
colaboração ativa entre o médico e seu paciente, em um trabalho cooperativo,
para alcançar sucesso terapêutico. Ela é expressa pelo paciente
correspondentemente à opinião, informação e/ou cuidado médico, seguindo assim
as instruções do profissional.

Levando em conta tudo isso que acabamos de discorrer,
podemos ver a importância de uma boa relação e um bom atendimento, um
atendimento humanizado, e como isto pode mudar totalmente o curso da consulta e
da vida do paciente, e também do médico, porque durante o texto inteiro
discorremos sobre como tudo isso é bom para o paciente e seus familiares, mas
não nos esqueçamos do porque escolhemos esta profissão! Estamos aqui para
ajudar as pessoas, estudamos anos a fio – na verdade, nunca deixamos de estudar
e ficar “antenados” nas novidades tecnológicas e acadêmicas -, de forma que,
quando temos êxitos com os pacientes, ou mesmo quando somos cordiais, levamos
também uma vida melhor, mais alegre e mais gratificante.

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