Com a ascensão da
abertura de novas escolas médicas, o Governo Federal regulamentou, em 2014, uma
nova resolução que institui Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso
de Graduação em Medicina no Brasil. A resolução foi instituída em concomitância
com a ocorrência da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em junho, assinada por
Erasto Fortes Mendonça que, na época, era presidente em exercício da Câmara de
Educação Superior.
A formação médica em
sua essência deve ser humanista, crítica, reflexiva e ética; o médico deve ter
capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde. Esse primeiro
trecho compõe o artigo 3 do capítulo I da DCN. A construção do alicerce da
carreira médica deve ser feita partindo desses pressupostos estabelecidos, com
responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania, da dignidade
humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade em sua
prática, sempre, a determinação social do processo de saúde e doença.
Dessa forma, desde a
criação da Escola de Cirurgia da Bahia em 1808, muita coisa aconteceu no
cenário da consolidação e evolução da Educação Médica no nosso país. Logo, essa
evolução levou o Ministério da Educação a interferir no que pode e no que deve
ser ensinado dentro de uma academia médica em território nacional. A partir de
1961, foram instituídas por lei diretrizes que devem reger os aspectos
educacionais diversos no Brasil, inclusive a formação médica.
E, na contemporaneidade,
pensar em DCNs e formação médica nos remete ao início do século XX, momento em
que Flexner remodelou todo o Ensino da Medicina nos
territórios estadunidense e canadense. Até meados de 1933, foram fechadas
precisamente 94 escolas médicas de um total de 160, e para as remanescentes
estipularam-se normas de funcionamento. Por que pensar nessa situação?
Pois
se observa um panorama semelhante acontecendo no nosso país e, enquanto
acadêmicos ou docentes, devemos nos preocupar com a formação médica que estamos
adquirindo ou propagando dentro do ambiente científico. As Diretrizes
Curriculares Nacionais norteiam a academia de medicina, todavia, as orientações
instituídas pelo Governo Federal não garantem de forma completa e adequada um
currículo preparado para enfrentar as diversas situações no mundo da medicina.
Enquanto
docentes, devemos garantir o acesso ao vasto universo científico da medicina a
nossos futuros médicos através de atividades de pesquisa e extensão que vão além
dos muros da universidade. Por sua vez, enquanto estudantes, devemos ser ávidos
pela busca de desafios e sapiência além da biblioteca das nossas universidades
e dos nossos dispositivos eletrônicos.
E, então, juntos,
iremos perceber que Aristóteles sempre esteve exato ao proferir que
se os homens filosofaram para se libertarem da ignorância, é evidente que
buscavam o conhecimento unicamente em vista do saber e não por alguma utilidade
prática. Ou seja, sejamos médicos pelo prazer do conhecimento e não apenas pela
obrigação que a grade curricular nos impõe. A formação médica está na vontade
de acumular o saber e, em algum momento, saber colocá-lo em prática para suprir
quem sabe a melhor colocação das DCN: um médico humanista,
crítico, reflexivo e ético.