Apesar de ambas as doenças levarem a uma obstrução da
uretra, e cursarem com diminuição do jato urinário e sensação de esvaziamento
incompleto, elas ocorrem em sítios diferentes e possuem seguimentos diferentes.
A estenose de uretra masculina é uma fibrose crônica da uretra, e a hiperplasia
prostática benigna é um crescimento nodular benigno da próstata que cresce em
volta da uretra. Na estenose de uretra é indicado procedimento cirúrgico,
enquanto na hiperplasia prostática benigna a depender da severidade do quadro
pode ser tratamento farmacológico ou cirúrgico.
O que é Estenose de Uretra
Masculina?
É o estreitamento do lúmen da uretra devido a uma fibrose
crônica. Essa fibrose pode ocorrer por condições inflamatórias, como em pós
processos infecciosos – IST’s, intervenções iatrogênicas, incluindo
instrumentação uretral, ou por trauma externo. Normalmente, o estreitamento
acontece de maneira centrípeta, dificultando o esvaziamento da urina assim como
também a ejaculação. Para o diagnóstico de estenose de uretra pode-se usar a uretrografia
retrógrada, uretrocistoscopia, uretrocistografia miccional ou ultrassonografia.
Esta doença deve ser incluída em diagnósticos diferenciais para homens que
apresentem diminuição do fluxo urinário, esvaziamento vesical incompleto, ITU,
e resíduo pós-miccional volumoso.
O que é Hiperplasia Prostática
Benigna (HPB)?
É o tumor benigno mais comum em homens, estando sua
incidência relacionada com a idade. Surge por um aumento contínuo da próstata,
sendo resultado de um processo proliferativo não maligno que acontece ao redor
da uretra, mais especificamente um crescimento nodular situado na zona de
transição da próstata. Para que ocorra o desenvolvimento desta doença há uma
influência genética, hormonal e ambiental. A HPB leva a um variado grau de
obstrução da uretra, que pode ou não ser sintomática. É importante avaliar a
severidade da doença, documentar a resposta terapêutica e identificar a
progressão dos sintomas, devendo-se usar o índice de sintomas da AUA, e a
partir dos escores discutir tratamento.
Diferenciando os sintomas
Sintomas da Estenose de Uretra
Masculina
Quando sintomática cursa com jato urinário fraco, sensação de
esvaziamento incompleto, polaciúria, disúria, dor pélvica e retenção urinária. Os
homens com estenose de uretra podem ter jato urinário espalhado, e
apresentarem volumoso resíduo pós-miccional e redução na força da ejaculação.
Sintomas
da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)
Os sintomas podem ser obstrutivos: jato urinário fraco,
sensação de esvaziamento incompleto, hesitação, esforço miccional e
gotejamento. E podem ser irritativos: urgência, polaciúria, noctúria. Em casos
mais severos a qualidade de vida é bem prejudicada.
Tratamentos
Estenose de Uretra Masculina:
A escolha do tratamento leva em consideração a etiologia,
localização e extensão da estenose, assim como a presença de comorbidades do
paciente. Dentre as opções, têm a dilatação uretral, que é o tipo de tratamento
mais antigo. A uretrotomia interna, que juntamente com a dilatação uretral,
ainda é a forma terapêutica mais utilizada atualmente e, que antes do
surgimento das uretroplastias, era a técnica de escolha. A uretroplastia, atualmente,
é a opção inicial de tratamento para estenoses não-bulbares, estenoses maiores
que 2 cm, e estenoses recorrentes após terapêutica endoscópica.
Hiperplasia Prostática Benigna:
Homens que apresentam sintomas leves ou moderados podem ser
acompanhados com vigilância ativa. No tratamento farmacológico, têm os
alfa-bloqueadores que promovem melhora rápida dos sintomas, no entanto, não
interfere na evolução da doença. Há também os inibidores da 5-alfa-redutase,
possuindo resultados mais demorados, cerca de quatro a seis meses, mas que previnem
a progressão da doença reduzindo a necessidade de cirurgia e a retenção
urinaria aguda. Há também o tratamento combinado de inibidores da
5-alfa-redutase associado a alfabloqueadores, que é recomendado para homens com
sintomas moderados a intensos, próstata aumentada e/ou PSA elevado e fluxo
urinário máximo reduzido. Além disso, caso o paciente apresente sintomatologia
significativa pode eleger o tratamento cirúrgico como tratamento inicial.
Produzido por:
Liga: Liga Acadêmica de Urologia do Cariri
Autores: Barbara Donnyna Lucena Petronio.
Revisor: Erikson de Luna Delmondes
Orientador: Mikael Vieira da Silva.