O que é Doença arterial coronariana
(DAC)?
Refere-se ao comprometimento da
circulação coronária com alterações na luz das artérias, ou seja, corresponde
às alterações anatômicas das artérias coronárias, levando ou não alterações no
fluxo sanguíneo coronário. Geralmente, a causa é pela aterosclerose. Este diagnóstico
de DAC pode ser: insuficiência coronária, isquemia ou isquemia silenciosa. A
insuficiência coronária se caracteriza por um desequilíbrio entre a oferta de
oxigênio (O2) para miocárdio e o seu respectivo consumo. A isquemia é a
desproporção entre a oferta e demanda de O2, causa exclusivamente pela
incapacidade de aumento proporcional do fluxo sanguíneo. A isquemia silenciosa
é caracteriza pela isquemia sem sintomatologia concomitante.
O que é Doença do refluxo
gastroesofágico (DRGE)?
A doença do refluxo gastroesofágico é uma afecção crônica
decorrente do fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o
esôfago e/ou órgãos adjacentes a ele, acarretando um espectro variável de
sinais e sintomas. Esses sintomas podem ou não estar associados a lesões
teciduais.
Diferenciando os sintomas
Sintomas
da Doença arterial coronária.
– Angina pectoris: sensação de asfixia e ansiedade. Mas
também, há relatos de “constrição”, “queimação”, “peso” e “aperto”;
– Os locais mais comuns do desconforto
são o retroesternal e o precordial;
– Irradiação para superfície
ulnar do antebraço esquerdo, membro superior direito, dorso, pescoço e,
raramente, acima da mandíbula.
– Um sintoma semelhante a DRGE é a
queixa de somente dor epigástrica, ou então associada a desconforto torácico.
– Se atentar para os chamados “equivalentes anginosos”, como
dispneia, tontura, fadiga e eructações, frequentes em mulheres, idosos e
diabéticos.
Obs1.: tabela de probabilidade de doença arterial coronária:

Obs2.: lembrar que o diagnóstico e possíveis diagnósticos diferenciais são feitos com a ajuda dos exames complementares.
Sintomas
da doença do refluxo gastroesofágico
– Lembrando que a intensidade e a
frequência dos sintomas são fracos preditores de gravidade, porém, a duração
está associada a aumento do risco de complicações.
– Manifestações:
–
Pirose
–
Dor retroesternal
–
Sintomas que sugerem a origem esofágica: dor durante o sono, ter duração de
horas ou dias, se precipitada por refeições copiosas e por líquidos muito
quentes ou frios; porém, pacientes cardiopatas podem apresentar sintomas
esofágicos concomitantes (lembrar que o uso de nitratos e bloqueadores de
canais cálcio pode favorecer o refluxo esofágico.
–
Atenção: Pode simular dor anginosa típica, podendo se irradiar-se para pescoço,
mandíbula e membro superior esquerdo, além de poder ocorrer durante esforço
físico e ser precipitada por tensão emocional. Porém, são casos raros, sendo
diagnóstico diferencial após descartar doença arterial coronariana.
Tratamentos
Doença arterial coronária
Baseia-se em cinco aspectos fundamentais:
– Tratamento
de doenças associadas que possam precipitar ou piorar a angina;
–
Controle dos fatores de risco;
–
Mudança no estilo de vida;
–
Terapia medicamentosa;
–
Revascularização miocárdica, quando indicada.
Assim, podemos traçar como objetivos fundamentais para o
tratamento da DAC: (1) prevenção do infarto do miocárdio e redução da
mortalidade; (2) redução dos sintomas e da ocorrência da isquemia miocárdica,
propiciando melhor qualidade de vida.
Pensando na terapêutica
medicamentosa, temos que os antiagregantes plaquetários, os hipolipemiantes, em
especial as estatinas, os bloqueadores beta-adrenérgicos após infarto agudo do
miocárdio e Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina I (IECA) reduzem a
incidência de infarto e aumentam a sobrevida, enquanto os nitratos,
antagonistas dos canais de cálcio e trimetazidina reduzem os sintomas e os
episódios de isquemia miocárdica, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Dessa forma, é prioritário e fundamental iniciar o tratamento com medicamentos
que reduzem a morbimortalidade e associar, quando necessário, aos medicamentos
que controlem a angina.
Doença do refluxo gastroesofágico
O tratamento da DRGE tem como
objetivos principais o alívio dos sintomas, a cicatrização das lesões e a prevenção
de recidivas e complicações. É fundamental que o paciente seja esclarecido da
natureza crônica de sua enfermidade e sobre a necessidade de modificações em
seu estilo de vida para o sucesso do tratamento.
Tratamento clínico
Medidas comportamentais e
dietéticas: elevar a cabeceira da cama (aproximadamente 15 cm), evitar
líquidos durante a refeição, refeições volumosas e ricas em gorduras; aguardar
1 ou 2 horas após refeições antes de se deitar e cessar o consumo de tabaco;
redução do peso corpóreo.
Tratamento medicamentoso
Inibidores da bomba de prótons (IBP):
drogas
de primeira escolha. O tratamento inicial (Omeprazol, 40mg) deve ser feito em
dose plena, por um período de 4 a 8 semanas. Quando não se observa resposta
satisfatória, deve ser considerado o uso de dose dobrada da medicação. No caso
de recidivas frequentes, recomenda-se a terapia de manutenção com dose mínima
de IBP.
Bloqueadores dos receptores H2 da
histamina (ARH2): os mais utilizados são ranitidina, famotidina e cimatidina. A
limitação desses medicamentos deve-se à baixa eficácia e ao mecanismo de
tolerância, restringindo sua utilização como terapia de manutenção.
Procinéticos: eleva a
amplitude das contrações peristálticas do corpo esofágico, acelera o
esvaziamento gástrico e eleva a pressão no esfíncter inferior do esôfago. Ex.:
metoclopramida é o agente procinético mais antigo; domperidona tem menores
efeitos colaterais.
Antiácidos, alginatos e sucralfato: usado para alívio sintomático passageiro.

Produzido por:
Liga: Liga Acadêmica de Gastroenterologia e Hepatologia
Autores: Pedro Paulo Costa e Silva, Ana Carolina Souza
Santana e Ana Carolina Dias Rasador
Revisor: Larrie Rabelo Laporte
Orientador: Nádia Regina Caldas Ribeiro