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Qual a diferença entre apendicite aguda e doença inflamatória pélvica? | Ligas

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O que é apendicite
aguda
?

A
apendicite aguda consiste em uma condição inflamatória decorrente da obstrução
do lúmen apendicular, podendo ocorrer pela hiperplasia dos folículos linfoides
no percurso de um processo inflamatório, pela obstrução por bolo de áscaris,
por corpos estranhos ou tumores e, de forma mais frequente, por obstrução por
fecalito.

A
obstrução, por sua vez, tende a causar um aumento da pressão no interior do
apêndice, gerando distensão, que irá promover a diminuição do suprimento
arterial e venoso para o órgão. Esse processo resulta, assim, em isquemia do
tecido apendicular, podendo evoluir com necrose e perfuração.

O que é doença inflamatória pélvica?

A
doença inflamatória pélvica consiste em uma síndrome clínica ocasionada por um
processo infeccioso/inflamatório do trato genital superior, decorrente da
ascensão de microrganismos advindos da vagina e endocérvice. Esses
microrganismos em ascensão podem acometer útero, trompas, ovários e peritônio.
Em seu espectro clínico, então, podemos incluir endometrite, salpingite,
abcesso tubo-ovariano, pelviperitonite e salpingo-oforite.

Diferenciando os sintomas

Sintomas da apendicite
aguda

  • Dor abdominal: inicialmente
    epigástrica ou periumbilical, decorrente do estímulo de fibras nervosas
    aferentes pela distensão do órgão. Posteriormente, a dor torna-se mais bem
    localizada em fossa ilíaca direita;
  • Anorexia;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Constipação e
    parada de eliminação de flatos;
  • Febre baixa;
  • Nos casos em que a
    ponta do apêndice está situada em locais atípicos, o paciente pode apresentar:
    manifestações urinárias, quando próximo da bexiga ou do ureter e toque retal e
    exame ginecológico dolorosos, quando situado em região pélvica;
  • Ao exame físico,
    podemos notar, ainda:

    • Dor a
      descompressão brusca do ponto de McBurney (Sinal de Blumberg);
    • Dor em fossa
      ilíaca direita à compressão da fossa ilíaca esquerda (Sinal de Rovsing);
    • Dor à
      hiperextensão da coxa direita (Sinal do psoas);
    • Dor a rotação
      interna da coxa (Sinal do obturador).

Sintomas
da
doença inflamatória pélvica

  • Dor abdominal
    infraumbilical;
  • Dor em região
    anexial unilateral ou bilateral;
  • Dor à mobilização
    do colo uterino;
  • Febre;
  • Dispareunia;
  • Disúria;
  • Descarga vaginal anormal;
  • Dor lombar;
  • Náuseas e
    vômitos.

Tratamentos

Apendicite aguda

Por
se tratar de um processo inflamatório progressivo e de inevitável complicação,
o tratamento de escolha é sempre cirúrgico, através da apendicectomia. Ela pode
ser realizada tanto por laparotomia quando por laparoscopia e a escolha entre
as técnicas depende da idade do paciente, da existência de comorbidades
associadas, da gravidade do quadro e da habilidade do cirurgião.

Doença inflamatória pélvica

O
tratamento da doença inflamatória pélvica pode ser feito de forma ambulatorial
ou hospitalar. O tratamento ambulatorial deve ser feito em mulheres que
apresentam quadro clínico leve, exame abdominal e ginecológico sem sinais de
pelviperitonite. Já o tratamento hospitalar está indicado para os casos graves,
com suspeita de abscesso anexial, estado geral grave, gestação, ausência de
melhora após 72 horas de antibioticoterapia oral e intolerância de medicação VO
em casa.

O
tratamento ambulatorial pode ser feito a partir de 3 esquemas:

Esquema
1

  • Ceftriaxone 250
    mg, IM, em dose única + Doxiciclina 100 mg, por via oral, de 12/12 horas, por
    14 dias;
  • Metronidazol 500
    mg, por via oral, de 12/12 horas por 14 dias (opcional).

Esquema
2

  • Cefoxitina 2 g,
    IM, dose única + Probenecide 1g, via oral, dose única + Doxiciclina 100 mg, por
    via oral, de 12/12 horas, durante 14 dias;
  • Metronidazol 500
    mg, por via oral, de 12/12 horas, durante 14 dias (opcional).

Esquema
3

  • Outra
    cefalosporina de terceira geração + Doxiciclina 100 mg, por via oral, de 12/12
    horas, durante 14 dias;
  • Metronidazol 500
    mg, por via oral, de 12/12 horas, durante 14 dias (opcional).

O
tratamento hospitalar, por sua vez, pode ser feito da seguinte maneira:

Esquema
1

  • Cefotetan 2 g,
    IV, de 12/12 horas ou Cefoxitina 2 g, IV, de 6/6 horas + Doxiciclina 100 mg,
    por via oral ou IV, de 12/12 horas.

Esquema
2

  • Clindamicina 900
    mg, IV, de 8/8 horas + Gentamicina IV ou IM, 2 mg/kg (dose de ataque), seguida
    por uma dose de manutenção (1,5 mg/kg), de 8/8 horas.

Produzido
por:

Liga:
LAGH – Liga Acadêmica de Gastroenterologia e Hepatologia

Autores:
Carolina Souza Santana, Larrie Rabelo Laporte e Pedro Paulo Costa e Silva

Revisor:
Ana Carolina Dias Rasador

Orientador: Nádia Regina Caldas Ribeiro

Confira o vídeo:

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