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Quais as diferenças conceituais entre o sepsis-3 e o ILAS? |Colunistas

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O Sepsis-3 é o Terceiro Consenso Internacional para Definições de Sepse e Choque Séptico, que alterou as definições previamente conhecidas de sepse e choque séptico. O Instituto Latino Americano de Sepse, todavia, manteve suas estratégias de triagem baseadas na Campanha de Sobrevivência a Sepse (SSC) e não alterou alguns critérios usados para as definições.

Quais as principais mudanças do Sepsis-3?

A presença dos critérios da síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS) não é mais necessária para a definição de sepse segundo o Sepsis-3. Além disso, a expressão “sepse grave” deve ser abolida, sendo considerada todo caso de sepse como um caso grave.  Ainda, sugeriu o uso de um escore SOFA simplificado, denominado “quick SOFA” (qSOFA), uma ferramenta para triagem para identificar pacientes graves. É positivo quando o paciente apresenta pelo menos dois dos critérios clínicos a seguir: frequência respiratória > 22, alteração do nível de consciência (segundo a Escala de Coma de Glasgow inferior a 15), ou pressão arterial sistólica de < 100mmHg.

Quais foram as mudanças do Sepsis-3? 

Conforme as novas definições do Sepsis-3, os termos utilizados agora são infecção, sepse e choque séptico. A infecção sem disfunção abrange os pacientes que possuem foco infeccioso suspeito ou confirmado (bacteriano, viral, fúngico, etc) sem apresentar disfunção orgânica. A sepse é presença de disfunção ameaçadora à vida em decorrência da presença de resposta desregulada à infecção. O choque séptico é definido pela presença de hipotensão não responsiva à reposição volêmica e  hiperlactatemia mesmo após reposição volêmica inicial. 

A caracterização da disfunção orgânica pelo Sepsis-3 utiliza o score SOFA.

Quais as diferenças em relação ao ILAS?

O ILAS considera a síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SRIS) uma ferramenta importante para a triagem de pacientes com suspeita de sepse. Da mesma forma que a Campanha de Sobrevivência à Sepse (SSC), o ILAS não mudou os critérios usados para definir disfunção orgânica, mantendo a hiperlactatemia como um deles. O critério para definição de choque séptico, que pelo Sepsis-3 inclui hiperlactatemia, também não foi alterado. Assim, a definição de choque séptico permanece como presença de hipotensão não responsiva à utilização de fluídos, independente dos valores de lactato.

Quais os critérios utilizados para detectar disfunção orgânica segundo o Sepsis-3?

O diagnóstico clínico de disfunção orgânica pelo Sepsis-3 se baseia na variação de dois ou mais pontos no escore Sequential Organ Failure Assessment (SOFA).

Os critérios utilizados são:

PaO2 /FiO2

Plaquetas

Bilirrubina

PAM ou necessidade de dobutamina

Escala de coma de Glasgow

Creatinina

Débito urinário

Em cada um desses critérios, os pontos variam entre 0-4.

Quais critérios para detectar disfunção orgânica segundo o ILAS?

Os critérios que caracterizam disfunção orgânica segundo o ILAS são:

Hipotensão (PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg ou queda de PA > 40 mmHg)

Oligúria (≤0,5mL/Kg/h) ou elevação da creatinina (>2mg/dL);

Relação PaO2/FiO2 < 300 ou necessidade de O2 para manter SpO2 > 90%;

Contagem de plaquetas < 100.000/mm3 ou redução de 50% no número de plaquetas em relação ao maior valor registrado nos últimos 3 dias;

Lactato acima do valor de referência;

Rebaixamento do nível de consciência, agitação, delirium;

Aumento significativo de bilirrubinas (>2X o valor de referência).

Quais as vantagens do Sepsis-3?

– A definição ampla da sepse como presença de disfunção orgânica por resposta desregulada à infecção.

– As novas definições não exigem a presença de SRIS, que não é nem sensível, nem específica para sepse.

– Não mais se usa sepse “grave”, mas apenas “sepse”.

– O qSOFA aponta a  diminuição do nível de consciência e elevada frequência respiratória como marcadores de gravidade da doença e mortalidade.

Quais as desvantagens do Sepsis-3?

– Redução de sensibilidade para detectar casos que podem ter evolução desfavorável, principalmente em países em desenvolvimento. 

– Os novos conceitos limitam os critérios para disfunção orgânica.

– O uso dos critérios apenas do Sepsis 3 para disfunção orgânica pode levar a uma identificação tardia.

– O SOFA não é bem conhecido pelos profissionais de saúde que trabalham no pronto-socorro ou nas enfermarias e a sua aplicabilidade é complexa.

– Desvalorização de hiperlactatemia como uma disfunção orgânica metabólica.

– Nova definição de choque séptico, na qual se exige hiperlactatemia.

Conclusão

A sepse tem elevada morbidade, mortalidade e altos custos. O reconhecimento precoce e tratamento adequado são essenciais e a criação de protocolos auxilia o estabelecimento de melhores condutas. As novas definições do Sepsis-3 geraram muita controvérsia, principalmente no que se refere ao aumento da especificidade à custa de redução da sensibilidade. Desse modo, o ILAS apresenta alternativas às novas definições e critérios diagnósticos.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências bibliográficas

ILAS. Instituto Latino Americano De Sepse Implementação De Protocolo Gerenciado De Sepse Protocolo Clínico Adulto. Instituto Latino Americano de Sepse, p. 14, 2018. 

MACHADO, F. R. et al. Getting a consensus: Advantages and disadvantages of Sepsis 3 in the context of middle-income settings. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 28, n. 4, p. 361–365, 2016. SINGER, M. et al. The third international consensus definitions for sepsis and septic shock (sepsis-3). JAMA – Journal of the American Medical Association, v. 315, n. 8, p. 801–810, 2016.

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