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Psicofarmacologia de estabilizadores do humor

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Aprenda sobre a psicofarmacologia dos estabilizadores do humor e qual a importância dessas medicações para guiar sua prática médica!

As drogas estabilizadoras de humor servem como medicações para regular o humor em condições de instabilidade ou alteração do tônus afetivo dos indivíduos, como ocorre no transtorno afetivo bipolar.

A compreensão da psicofarmacologia desses medicamentos permite uma maior segurança ao realizar a prescrição, o monitoramento e a otimização do tratamento. Dessa forma, é indispensável que todo médico conheça como utilizá-los na prática.

Para tanto, esse artigo tem como objetivo principal expor os pontos mais importantes que você precisa saber sobre os estabilizadores, seus tipos e importância do seu uso no tratamento dos transtornos do humor.

A instabilidade do humor em transtornos psiquiátricos como o bipolar

A alegria ou a tristeza são sentimentos comuns à existência humana, em qualquer fase da vida. Porém, o excesso de alegria ou de tristeza são sinais que devem acender um alerta, pois não é normal.

Nos transtornos de humor, o estado de tristeza ou de euforia profunda e prolongada é um dos principais sintomas. Tendem a estarem acompanhados de comprometimento da capacidade funcional dos indivíduos.

Porém, no transtorno bipolar observa-se que o indivíduo é marcado por episódios depressivos intensos que se intercalam com a mania ou hipomania. O que causa grande sofrimento para o paciente em vários aspectos de sua vida.

A instabilidade do humor é o principal comemorativo do transtorno bipolar, embora possa ocorrer em outras doenças psiquiátricas como a esquizofrenia ou em outros quadros associados a condições clínicas gerais como a síndrome de Cushing.

Classes de Estabilizadores de Humor

Existem três grupos principais de fármacos que atuam como estabilizadores do humor no tratamento do transtorno bipolar. São eles:

  • Carbonato de lítio;
  • Anticonvulsivantes (também chamados de antiepilépticos) – valproato, carbamazepina e lamotrigina;
  • Antipsicóticos de segunda geração – olanzapina, risperidona, quetiapina, aripiprazol, haloperidol.

Todos esses medicamentos apresentam um tipo de efeito e mecanismo específico que iremos discutir a seguir. Porém, dentre eles, o lítio é o agente principal e mais utilizado na prática clínica.

Mecanismo de ação dos estabilizadores de humor

A intenção do tratamento com os estabilizadores de humor é impedir as grandes oscilações de humor que ocorrem no transtorno bipolar – variações essas entre a fase depressiva e a fase maníaca da doença.

Quando esses fármacos são utilizados para tratar uma fase maníaca, em geral consegue-se ter uma boa eficácia na resposta ao tratamento. Contudo, a fase depressiva requer a utilização de antidepressivos.

Porém, o carbonato de lítio pode ser utilizado de forma conjunta com os antidepressivos, fazendo com que não haja problemas no uso concomitante em curto prazo.

Cada um dos tipos dos estabilizadores de humor possuem um mecanismo específico de atuação.

Mecanismo de ação do carbonato de lítio

O lítio é o medicamento principal no tratamento do transtorno bipolar. Ele é clinicamente eficaz em concentrações plasmáticas de 0,5 a 1 mmol/l. Tenha atenção a dose porque é reconhecido na literatura que doses superiores a 1,5mmol/l possuem efeitos tóxicos importantes.

A substância é um cátion que pode simular o papel do Na+ em tecidos excitáveis e permeia os canais de Na+ controlados por voltagem, sendo esse o motivo pelo qual eles produzem potenciais de ação. Esse efeito ocorre por ele se acumular dentro das células excitáveis, fazendo com que se perca K+ intracelular e a célula seja devidamente despolarizada.

Porém, existe uma gama ampla de efeitos bioquímicos do lítio que ainda não são totalmente reconhecidos pela sua complexidade. Porém, acredita-se que as principais ações do lítio no sistema nervoso seja:

  • Inibição de enzimas que participam das vias de transdução de sinais;
  • Inibição da proteína G;
  • Modulação de neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina;
  • Inibição do inositol monofosfatase e a glicogênio sintase quinase-3 (GSK-3).

Mecanismo de ação dos anticonvulsivantes

Os anticonvulsivantes no tratamento do transtorno bipolar mais utilizados são a carbamazepina, o valproato e a lamotrigina.  A atuação deles enquanto bloqueadores dos canais de Na+ os torna capazes de reduzir os sintomas nas várias fases do transtorno. Dentre eles, a carbamazepina é o que não apresenta eficácia na fase depressiva.

No contexto das fases agudas de mania e no tratamento em longo prazo, o valproato e a carbamazepina são os mais utilizados. A lamotrigina, por sua vez, apresenta eficácia na prevenção da recorrência da fase maníaca e da depressiva.

Mecanismo de ação dos antipsicóticos

Os antipsicóticos de escolha para o tratamento são os de segunda geração (também chamados como antipsicóticos de segunda geração).  Eles possuem a ação antagonista dos receptores D2 da dopamina e 5HT-2A, além de atores em receptores e transportadores de aminas.

A ação desses fármacos nos receptores D2 de dopamina permite reduzir o estado de hiperatividade associado à fase maníaca, diminuindo esses sintomas. Eles são uteis também no controle de sintomas psicóticos como alucinações ou delírios.

Indicações clínicas dos estabilizadores de humor

Os usos clínicos dos estabilizadores de humor estão mais voltados ao transtorno bipolar, principalmente em relação ao lítio.

O carbonato de lítio é indicado na profilaxia do transtorno bipolar, bem como na profilaxia e tratamento da mania. Ele pode ser recomendado também em casos de transtorno unipolar (depressão maníaca ou depressiva recorrente).  Vale ressaltar que esse medicamento apresenta uma janela terapêutica bem estreita, embora a duração da ação seja longa.

Os antiepilépticos/anticonvulsivantes são indicados para profilaxia e tratamento das crises de manias. Em especial, o valproato e a lamotrigina, servem como tratamento do transtorno bipolar em si, sendo as segundas opções em caso de impossibilidade do uso do lítio.

Efeitos colaterais e considerações do tratamento

Carbonato de lítio

O carbonato de lítio é administrado via oral e tem eliminação renal de metade de uma dose em aproximadamente 12 horas. A outra metade é eliminada ao longo de 1 ou 2 semanas.

Por conta desse aspecto farmacocinético, é preciso que esse medicamento seja administrado com cuidado. É preciso respeitar a dose plasmática de 0,5 a 1 mmol/l para evitar seus efeitos tóxicos e conseguir extrair seus efeitos desejáveis.

Doses entre 3 a 5 mmol/l podem provocar efeitos neurológicos como:

  • confusão e comprometimento motor,
  • evoluindo para coma,
  • convulsões e
  • óbito.

Como reações adversas ao lítio, destacam-se no sistema:

  • gastrointestinal: Náuseas, vômitos e diarreia;
  • nervoso: tremores;
  • renal: poliúria pela inibição do ADH e, em tratamento prolongado pode provocar lesão tubular renal grave.
  • endócrino: aumento do volume tireoidiano, associado eventualmente com hipotireoidismo.

Outros efeitos são perda de cabelo e aumento do peso corporal.

Anticonvulsivantes

Em comparação com o lítio, os anticonvulsivantes apresentam menos efeitos adversos e também são eficazes para tratar o transtorno bipolar. Porém, quando apresentam efeitos adversos, pode-se observar:

  • Reações de pele;
  • Dor de cabeça;
  • Sonolência;
  • Repercussões gastrointestinais como diarreia;
  • Irritação e/ou agressividade.

Antipsicóticos

Os efeitos colaterais dos antipsicóticos são bem semelhantes aos dos anticonvulsivantes. Contudo, um efeito colateral relativamente comum é o ganho de peso.

Monitoramento clínico do paciente em uso de estabilizadores de humor

O monitoramento clínico do paciente com transtorno bipolar é um dos pilares para garantir a eficácia do tratamento. É preciso gerenciar efeitos colaterais, prevenir recaídas, garantir medidas de qualidade de vida para o paciente e realizar alterações necessárias.

Em caso de exibição de sintomas, é preciso realizar uma anamnese bem detalhada para compreender a gênese dos sintomas e sua cronologia.

Esse ponto é crucial, pois há relatos em que casos leves de transtorno bipolar tipo II foram confundidos com outros transtornos, resultando em tratamento inadequado e prolongando o sofrimento do paciente. Portanto, confirmar o diagnóstico é essencial para um monitoramento clínico eficaz.

Passos de como monitorar o paciente

  • Traçar um plano terapêutico é essencial, incluindo medidas não medicamentosas como acompanhamento psicológico e terapia psicossocial.
  • Pacientes com transtorno bipolar têm risco aumentado de suicídio, portanto, exigem monitoramento próximo e uma rede de apoio.
  • A educação em saúde é crucial, informando o paciente sobre sua condição.
  • A recorrência na avaliação clínica permite ajustes nos medicamentos para garantir eficácia e evitar efeitos adversos.
  • Comorbidades devem ser acompanhadas com atenção.

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Referências

  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing, 2013.
  • CANTILINO, A; MONTEIRO; D.C. Psiquiatria clínica: um guia para médicos e profissionais de saúde mental. 1 ed, Rio de Janeiro: MedBook, 2017.
  • KATZUNG, B. G. et al. Farmacologia básica e clínica. 13. ed. – Porto Alegre: AMGH, 2017.
  • RANG, H.P; Dale, M.M. Editora Elsevier, 8a edição, 2016. Farmacologia Clínica.
  • SCHATZBERG, Alan F. Manual de psicofarmacologia clínica. 6 ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

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