Anúncio

Pseudocrise hipertensiva: como diagnosticar e qual conduta adotar? | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A hipertensão arterial é uma síndrome
caracterizada pelo aumento dos níveis pressóricos sistólico e diastólico, sendo
uma das mais importantes enfermidades do mundo moderno. Dados de 2018 mostram
que 24,7% da população das capitais do Brasil afirmaram ter sido diagnosticadas
com essa síndrome, cujas complicações chegam a provocar aproximadamente 9,4
milhões de mortes por ano no mundo.

Uma dessas complicações é a crise
hipertensiva, em que a elevação da pressão arterial ocorre de forma abrupta e
repentina, sendo que a pressão diastólica nesses casos normalmente apresenta
valores superiores a 120mmHg e é acompanhada de sintomas como cefaleia,
tonturas, palpitações e perturbações visuais. A crise hipertensiva pode se
tratar de uma urgência hipertensiva, quando não há lesões de órgãos-alvo, ou pode
ser considerada uma emergência hipertensiva, quando há risco de vida
evidenciado por lesão de órgãos-alvo (coração, cérebro, rins e artérias).

Diante disso, é certo que, por se
tratar de uma ameaça à sobrevida do indivíduo, já que o estado hipertensivo
pode atuar por muitos anos ou décadas causando sobrecarga do coração e dos
vasos sanguíneos de vários órgãos, a intervenção imediata e cuidadosa é de
fundamental importância para a redução da morbidade e da mortalidade.

Crise Hipertensiva x
Pseudocrise Hipertensiva

No entanto, há ainda uma terceira
situação em que ocorre aumento dos níveis da pressão arterial: durante a pseudocrise
hipertensiva, a qual ainda é pouco explorada pela literatura. Quando o paciente
apresenta essa condição, a elevação acentuada da pressão arterial normalmente é
causada por algum evento emocional, doloroso ou desconfortável, como enxaqueca,
tontura rotatória, cefaleias e manifestações da síndrome do pânico, sem sinais
de deterioração de órgão-alvo. Pode, inclusive, ser o caso de um paciente
portador de hipertensão arterial que não tem usado as medicações da forma
correta e, por essa razão, sua pressão arterial está apresentando um valor
muito elevado.

Dessa forma, como normalmente não se
trata de uma situação crônica, como as crises hipertensivas, seus mecanismos
patogenéticos não são necessariamente os mesmos das condições citadas
anteriormente. Nesse sentido, a condução clínica e o tratamento dessas
condições também não deveriam ser iguais, contudo quase a totalidade dos
pacientes com pseudocrise hipertensiva é tratada como sendo portadores de crise
verdadeira. 

Diagnóstico da pseudocrise
hipertensiva

Apesar de um dos primeiros testes
realizados nas triagens classificatórias de pacientes em hospitais, em Unidades
de Pronto Atendimento e em Unidades Básicas de Saúde ser a aferição da pressão
arterial, os profissionais da saúde devem ter a consciência de que apenas os
níveis pressóricos não são suficientes para diferenciar os casos de emergência,
urgência ou pseudocrise hipertensiva.

Por essa razão, inúmeras variáveis
clínicas devem ser buscadas pelos médicos durante a entrevista e durante o exame
físico do paciente para que o diagnóstico diferencial possa ser feito e a condução
do caso seja a mais segura e adequada possível.

Cefaleia e elevação da PA

Um ponto interessante é que a
população normalmente atribui sintomas inespecíficos ao aumento dos níveis
pressóricos, sendo que, na maioria das vezes, a elevação da pressão arterial é
uma consequência desses sintomas e não sua causa. Isso é muito comum, por
exemplo, com o relato de que o paciente começou a apresentar cefaleia desde que
houve aumento na PA.

Contudo, em geral, estímulos dolorosos
são a causa e não a consequência da elevação pressórica, sendo normalmente
considerados como portadores de pseudocrise hipertensiva pacientes que
apresentam sinais e sintomas como dor de origem musculoesquelética,
gastralgias, odenofagias, pirose e dores de modo geral.

Nesse sentido, estudos mostram que a
cefaleia está normalmente associada a pseudocrises hipertensivas, sendo que se
trata de uma queixa comum em 88% dos pacientes que foram diagnosticados de
forma errônea como portadores de crise hipertensiva.

Condução clínica

Fica evidente, portanto, que a terapêutica mais adequada para
os casos de pseudocrise hipertensiva causada por fatores emocionais ou
dolorosos é feita com uso de fármacos destinados ao tratamento dos sintomas
associados, e não com o uso de medicações anti-hipertensivas. Nesses casos,
após o tratamento da sintomatologia, é comum se verificar a redução dos níveis
pressóricos dos pacientes, corroborando a tese de que dores, desconfortos e
questões emocionais são as condições que provocam essas pseudocrises.

Tais informações são de extrema importância para a prática
clínica, visto que a conduta a ser adotada em um paciente que apresenta uma
pseudocrise é bem diferente das condutas a serem adotadas em casos de urgência
ou de emergência hipertensiva. No caso de uma emergência, a redução da PA deve
ser feita de forma imediata através de medicações parenterais; já quando se
trata de uma urgência, a redução pode ocorrer dentro de horas e, em geral,
utilizando-se agentes orais.

Como a terapêutica dos três casos é bem diferente, o médico
responsável deve dar grande valor aos sintomas iniciais apresentados pelo
paciente, pois, no caso da pseudocrise, são esses sintomas o alvo do
tratamento. Na hipótese de não haver redução da PA mesmo quando tais sintomas
forem aliviados, medidas adicionais podem ser adotadas.

No entanto, a American College of Emergency Physician Clinical Policy recomenda que o início do tratamento de hipertensão, no caso de uma pseudocrise, não é necessário quando o paciente tem um acompanhamento, sendo que a redução rápida da pressão arterial nesses pacientes é desnecessária e, inclusive, pode ser perigosa. Dessa forma, quando se optar por fazer o manejo da pressão arterial nesses casos, sua redução deve ocorrer de forma gradual.

Autoria: Virgínia Costa Marques

Posts relacionados:

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀