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Propranolol: saiba mais sobre o primeiro betabloqueador |Colunistas

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Hipertensão

A hipertensão arterial (HA) é uma condição clínica multifatorial, que depende de fatores genéticos, epigenéticos, ambientais e sociais. Conforme as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020, ela pode ser caracterizada por uma elevação dos níveis pressóricos, ou seja, PA sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg  e/ou PA diastólica (PAD) ≥90 mmHg, sendo que essa medição deve ser feita com a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes e na ausência de medicação anti-hipertensiva.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) relata que a HA afeta entre 20% a 40% da população adulta. No Brasil, dados do ano de 2013, da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), apontam para uma prevalência média de 21,4%, variando entre diferentes faixas etárias, chegando até 52,7% em indivíduos 65 a 74 anos. Nota-se que houve uma prevalência mais alta em pessoas de baixa escolaridade, residentes em área urbana e no sudeste do Brasil.

Betabloqueadores

Os betabloqueadores apresentam ações farmacológicas complexas. Seu mecanismo anti-hipertensivo envolve a diminuição inicial do débito cardíaco, redução da secreção de renina, com a readaptação dos barorreceptores, vasodilatação e diminuição das catecolaminas nas sinapses nervosas.

Receptores beta adrenérgicos

Os betabloqueadores agem como antagonistas dos receptores beta adrenérgicos:

  • Receptor β1: são responsáveis pelo aumento do débito cardíaco, através do aumento da frequência cardíaca e do aumento da fração de ejeção de sangue, bem como pela liberação de renina nas células justaglomerulares.
  • Receptor β2: são responsáveis pelo relaxamento da musculatura lisa, glicogenólise, gliconeogênese, inibição da liberação de histamina pelos mastócitos e aumento da secreção de renina dos rins.
  • Receptor β3: é o receptor adrenérgico que predominantemente causa efeitos metabólicos, como a estimulação da lipólise do tecido adiposo.

Classificação dos betabloqueadores

Os betabloqueadores podem ser diferenciados de acordo com a seletividade para ligação aos receptores adrenérgicos:

  • Não seletivos: atuam bloqueando tanto os receptores adrenérgicos β1, quanto os β2. Apresentam efeitos periféricos mais acentuados como aumento da resistência arterial periférica e broncoconstrição. Ex.: Propanolol, Nadolol e Pindolol.
  • Cardiosseletivos: atuam bloqueando preferencialmente os receptores β1 adrenérgicos, portanto, sem os efeitos de bloqueio periférico indesejáveis, porém em doses muito altas podem também ter ação nos receptores β2. Ex.: Atenolol, Metoprolol e Bisoprolol.
  • Ação vasodilatadora: manifesta-se por antagonismo ao receptor α1 periférico como o Carvedilol e o Labetalol, e por produção de óxido nítrico como o Nebivolol.

Propranolol

O propranolol é um protótipo dos antagonistas dos receptores beta adrenérgicos não seletivo, foi o primeiro betabloqueador que demonstrou eficácia no tratamento da hipertensão e de cardiopatia isquêmica. Hoje em dia, o propranolol foi substituído em grande parte por bloqueadores beta cardiosseletivos, como o Metoprolol e o Atenolol.

Farmacocinética

O propranolol pode ser administrado por via oral e intravenosa, porém é completamente absorvido por via oral. As concentrações plasmáticas máximas ocorrem entre 1 e 2 horas após a administração em pacientes em jejum. Apresenta uma meia vida de eliminação de 3 a 6 horas. É um medicamento o qual é distribuído de forma ampla e rápida pelo corpo, sendo que as concentrações mais altas ocorrem nos pulmões, fígado, rins, cérebro e coração e sua excreção é feita pela urina.

Farmacodinâmica

É um betabloqueador antagonista competitivo que atua sobre os receptores adrenérgicos β1, β2 e β3. Não possui atividade agonista no receptor beta adrenérgico. O propranolol, assim como outros betabloqueadores, produz efeitos cronotrópicos e inotrópicos negativos, o que provoca uma diminuição do débito cardíaco e do consumo de oxigênio pelo coração, o que explica o seu efeito anti-hipertensivo, devido a esse mecanismo de ação restringe sua utilização em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada.

Usos terapêuticos

  • Controle da hipertensão arterial podendo ser usado de forma isolada ou em associação com outros anti-hipertensivos, especialmente com o diurético tiazídico;
  • Angina estável crônica;
  • Angina pectoris devido à aterosclerose coronariana;
  • Estenose subaórtica hipertrófica;
  • Profilaxia e tratamento de arritmias cardíacas;
  • Tratamento auxiliar em feocromocitoma;
  • Hipertireoidismo;
  • Enxaqueca;
  • Prevenção de infarto agudo do miocárdio;
  • Tratamento de tremor essencial.

Principais reações adversas e contraindicações

As reações adversas mais comuns após a administração do propranolol são: broncoespasmo, bradicardia, distúrbios da condução atrioventricular, vasoconstrição periférica, depressão, astenia e disfunção sexual. O propranolol também pode produzir um aumento nos valores dos triglicerídeos plasmáticos.

Os betabloqueadores são contraindicados em pacientes com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica severa, insuficiência cardíaca crônica severa e bloqueio atrioventricular (BAV) de segundo e terceiro graus.

Pontos-chaves

  • Dados da PNS apontam uma prevalência no Brasil de 21,4% de HA, que está alinhada com as estatísticas da OMS.
  • Os Betabloqueadores são uma classe de anti-hipertensivos que atuam nos receptores beta adrenérgicos.
  • O propranolol foi o primeiro betabloqueador que demonstrou eficácia no tratamento da HA e da cardiopatia isquêmica.
  • A via de administração pode ser oral ou intravenosa, possui uma meia vida entre 3 – 6 horas, sendo predominantemente excretado na urina.
  • Indicado para diversas condições cardíacas como: hipertensão arterial, angina, infarto agudo do miocárdio e arritmias cardíacas; bem como condições não cardíacas como: enxaqueca, hipertireoidismo e tremor essencial.
  • As principais contraindicações são em doenças obstrutivas de vias aéreas, insuficiência cardíaca severa e BAV de 2º e 3º graus.

Autora: Katty Carolinne Lêdo Vieira Felix

Instagram: @kattyledo


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referência Bibliográfica

  • KATZUNG, B. et. al. Farmacologia Básica e Clínica. 12ª ed. Porto Alegre – RS: AMGH, 2014.
  • CHÉRY, P. Manual de Farmacologia Básica y Clínica. 6ª ed. México: McGraw-Hill Interamericana de España SL, 2013.
  • SBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 116, n. 6, p. 516-658, 2021. Disponível em: <http://departamentos.cardiol.br/sbc-dha/profissional/pdf/Diretriz-HAS-2020.pdf> Acesso em: 15 abril 2021.

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