Anúncio

Prolactinoma: quadro clínico, diagnóstico e tratamento

Índice

Mês do Consumidor Sanar Pós

Faça parte da Lista VIP e tenha benefícios no Mês do Consumidor

*Consulte condições

Dias
Horas
Min

O prolactinoma é um tipo de adenoma hipofisário funcional que secreta prolactina em excesso. Trata-se do tumor mais frequente da hipófise e, apesar de benigno, pode impactar profundamente a qualidade de vida do paciente. A depender do tamanho e da quantidade de prolactina liberada, os sintomas variam entre alterações menstruais, infertilidade, distúrbios visuais e até osteoporose.

O que é prolactinoma?

O prolactinoma é um tumor originado na adenohipófise, composto por células lactotróficas que secretam prolactina. Ele pode ser classificado de acordo com o tamanho:

  • Microprolactinomas: medem menos de 10 mm e afetam predominantemente mulheres
  • Macroprolactinomas: têm 10 mm ou mais e são mais comuns em homens, geralmente por atraso no diagnóstico.

A produção aumentada de prolactina interfere diretamente no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, reduzindo os níveis de gonadotrofinas (LH e FSH) e, por consequência, a função gonadal.

Quais são os sintomas do prolactinoma?

O quadro clínico do prolactinoma varia conforme o sexo, a idade do paciente e o tamanho do tumor. No entanto, alguns sintomas se repetem com frequência.

Sintomas em mulheres

Mulheres em idade fértil costumam perceber rapidamente os efeitos da hiperprolactinemia, pois apresentam alterações menstruais como:

  • Amenorreia ou oligomenorreia
  • Infertilidade
  • Galactorreia (secreção láctea não associada à amamentação)
  • Diminuição da libido
  • Secura vaginal e dispareunia

Como esses sintomas são percebidos precocemente, o diagnóstico costuma ocorrer enquanto o tumor ainda é pequeno.

Sintomas em homens

Nos homens, os sintomas podem demorar mais para aparecer, o que leva ao diagnóstico em estágios mais avançados, muitas vezes com macroadenomas. Os principais sintomas incluem:

  • Disfunção erétil
  • Diminuição da libido
  • Infertilidade
  • Ginecomastia
  • Redução da massa muscular
  • Cefaleia e alterações visuais (quando há efeito de massa)

Além disso, homens geralmente não apresentam galactorreia, o que dificulta ainda mais a identificação precoce da doença.

Sintomas relacionados ao efeito de massa

Quando o tumor é grande, pode comprimir estruturas adjacentes como o quiasma óptico. Isso resulta em:

  • Cefaleia intensa
  • Alterações visuais (geralmente hemianopsia bitemporal)
  • Paralisias de nervos cranianos em casos mais extensos

Se o adenoma evolui com apoplexia hipofisária (infarto ou hemorragia súbita), o paciente pode apresentar dor de cabeça aguda, náuseas, perda visual abrupta e sinais de insuficiência hipofisária.

Como diagnosticar o prolactinoma?

O diagnóstico do prolactinoma depende de uma combinação entre exames laboratoriais e de imagem, além da exclusão de causas secundárias de hiperprolactinemia.

Dosagem de prolactina

O primeiro passo é realizar a dosagem da prolactina sérica. Valores persistentemente elevados sugerem prolactinoma, principalmente quando ultrapassam 100 ng/mL. Níveis acima de 250 ng/mL geralmente indicam macroprolactinomas.

É fundamental realizar a coleta de maneira adequada, preferencialmente em jejum e com o paciente em repouso. Estresse, exercício físico, estímulo mamilar ou coleta inadequada podem elevar falsamente os níveis.

Exames de imagem

A ressonância magnética de sela túrcica com gadolínio é o exame padrão-ouro. Ela permite identificar a presença de adenoma, seu tamanho, extensão e relação com estruturas vizinhas.

Além disso, quando o tumor é volumoso, é necessário realizar um exame de campo visual para avaliar a integridade do quiasma óptico.

Imagens de RM axial (esquerda) e sagital (direita) de um prolactinoma (seta fina). Fonte: “Prolactinoma” por Tajana Tešan Tomić et al. 

Diagnóstico diferencial

Diversas condições podem causar hiperprolactinemia sem a presença de prolactinoma. Portanto, é essencial investigar:

  • Uso de medicamentos como antipsicóticos, metoclopramida e antidepressivos
  • Hipotireoidismo primário
  • Doença renal crônica
  • Síndrome dos ovários policísticos
  • Macroprolactinemia (presença de formas inativas de prolactina)

Nesses casos, a correção da causa de base pode normalizar os níveis hormonais.

Tratamento do prolactinoma

O tratamento do prolactinoma visa, principalmente, normalizar os níveis de prolactina, restaurar a função gonadal, reduzir o volume tumoral e preservar o campo visual.

Tratamento medicamentoso

A cabergolina é o agonista dopaminérgico de primeira escolha. Seu uso permite:

  • Normalização da prolactina em mais de 80% dos pacientes
  • Redução tumoral significativa, muitas vezes completa
  • Recuperação da fertilidade

Seu esquema posológico é simples (duas vezes por semana), com boa tolerância e menos efeitos colaterais quando comparada à bromocriptina.

Já a bromocriptina é uma alternativa eficaz, especialmente em gestantes ou mulheres que desejam engravidar. Embora exija doses diárias e tenha mais efeitos adversos, ainda é amplamente utilizada quando a cabergolina não está disponível.

Em pacientes resistentes ou intolerantes aos agonistas dopaminérgicos, é possível aumentar a dose progressivamente ou trocar o medicamento. Casos refratários são raros, mas exigem atenção especializada.

Cirurgia

A cirurgia transesfenoidal pode ser considerada em algumas situações específicas:

  • Intolerância ou resistência aos agonistas dopaminérgicos
  • Apoplexia hipofisária com comprometimento visual agudo
  • Macroadenomas com invasão significativa
  • Preferência do paciente por evitar uso contínuo de medicamentos

Contudo, a taxa de recorrência após cirurgia isolada é alta, especialmente em macroprolactinomas. Por isso, a maioria dos casos segue com tratamento clínico como primeira linha.

Radioterapia

A radioterapia hipofisária é raramente utilizada, sendo reservada para casos extremamente resistentes ao tratamento clínico e cirúrgico. Seu efeito é tardio e pode levar à deficiência hormonal permanente.

Prolactinoma e gravidez

O manejo do prolactinoma durante a gestação exige cuidados especiais. A bromocriptina é o agente mais seguro e recomendado durante esse período. Quando a paciente engravida após normalização da prolactina e redução tumoral, os riscos são baixos.

Durante a gestação, a cabergolina costuma ser suspensa, exceto em casos de macroadenoma com risco de crescimento. A monitorização clínica é suficiente para a maioria das pacientes, mas exames de imagem devem ser realizados se houver sintomas sugestivos de crescimento tumoral.

Prognóstico

Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes com prolactinoma apresenta excelente evolução. Os níveis de prolactina normalizam, os sintomas reprodutivos regridem e o volume tumoral reduz consideravelmente.

Além disso, a fertilidade pode ser restaurada sem necessidade de outras intervenções. A longo prazo, muitos pacientes conseguem reduzir a dose da medicação e, eventualmente, interrompê-la sob monitoramento.

Considerações finais para médicos

O reconhecimento precoce do prolactinoma é essencial para evitar complicações reprodutivas, visuais e ósseas. Por isso, diante de alterações menstruais, infertilidade ou sintomas visuais associados à cefaleia, sempre investigue a possibilidade de hiperprolactinemia.

O tratamento clínico é eficaz na imensa maioria dos casos, permitindo controle hormonal e redução tumoral com segurança. No entanto, a adesão ao acompanhamento regular é fundamental para garantir bons resultados e evitar recidivas.

Quer aprofundar seu conhecimento? Conheça nossa pós-graduação em Endocrinologia e prepare-se para atuar com excelência em todas as fases do cuidado.

Referências bibliográfica

Compartilhe este artigo:

Uma pós que te dá mais confiança para atuar.

Conheça os cursos de pós-graduação em medicina da Sanar e desenvolva sua carreira com especialistas.

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀