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Profilaxia pré-exposição (PrEP) como prevenção ao HIV

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A profilaxia pré-exposição (PrEP) surgiu como nova ferramenta de prevenção à infecção pelo HIV, sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, responsável por gerar AIDS. O HIV infecta e ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças, sendo que as células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. Depois de se multiplicar, o vírus rompe os linfócitos e se dissemina.

Apesar de incurável, o HIV tem tratamento eficaz através da terapia antirretroviral (TARV), que consegue manter níveis indetectáveis do vírus no organismo.

Para cessar a cadeia de transmissão do vírus, o uso de preservativo é extremamente eficaz. Além disso, estudos recentes vêm mostrando eficácia através da PrEP, método que utiliza uma via farmacológica para impedir que o vírus invada as células e inicie seu processo de infecção. Nesta publicação, o leitor poderá ter acesso às mais importantes informações sobre esse tema tão atual e importante. 

O que é a profilaxia pré-exposição (PrEP)

A profilaxia pré-exposição (PrEP) como prevenção ao HIV é um método seguro de prevenção à infecção pelo HIV.

Consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais antes da exposição sexual ao vírus, para reduzir a probabilidade de infecção pelo HIV caso ocorra o contato.

Desse modo, impede que o vírus causador da AIDS infecte o organismo, criando mecanismos de defesa. Além da prevenção, contribui para a promoção de uma vida sexual mais saudável e segura.

Como a profilaxia pré-exposição (PrEP) atua no organismo

A PrEP resulta da combinação de dois medicamentos (tenofovir + entricitabina) em um único comprimido. O princípio ativo desses medicamentos bloqueia algumas importantes vias de acesso celular que o HIV usa para infectar as células. Desse modo, o vírus não encontra meios de penetrar a célula, depositar o próprio material genético e iniciar a replicação viral, sendo destruído pelo sistema imunológico.

Portanto, para que isso ocorra, o paciente deve administrar, por via oral, um comprimido diariamente e de modo regular. Caso contrário, pode não haver concentração sérica suficiente do medicamento em sua corrente sanguínea para bloquear o vírus. 

A PrEP torna-se efetiva após 7 dias de uso para relação anal e 20 dias de uso para relação sexual vaginal. Antes disso, o risco permanece significativo.

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é eficaz?

Desde sua liberação para uso, a realização de inúmeros estudos mostra que a PrEP reduz o risco de contrair o HIV.

O iPrEX, um dos maiores estudos realizados sobre o tema e publicado na New England Journal, avaliou 2.499 homens que fazem sexo com homens na América Latina, EUA, África do Sul e Tailândia e mostrou que o medicamento reduziu em até 90% o risco de contrair o HIV.

Sendo assim, infere-se que a profilaxia pré-exposição (PrEP) como prevenção ao HIV, quando usada adequadamente, é extremamente eficaz.

Indicações e contraindicações para uso da profilaxia pré-exposição (PrEP)

A PrEP não é um método preventivo para todos. Dessa forma, a sua indicação fica resguardada às pessoas que têm maior chance de entrar em contato com o HIV, isto é, pessoas em situação de maior vulnerabilidade e que tenham práticas de maior risco para infecção pelo HIV.

Em conformidade com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com o Ministério da Saúde (MS), no Brasil, a PrEP é indicada para populações-chave:  

  • Gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH);
  • Pessoas transexuais e travestis; 
  • Profissionais do sexo.

Além disso, em alguns casos, a decisão de iniciar o uso da PrEP deve ser conjunta, cabendo ao paciente dividir a responsabilidade do acompanhamento e do uso da medicação com o médico. Esses casos incluem os pacientes que:

  • Frequentemente deixam de usar camisinha durante as relações sexuais (anais ou vaginais);
  • Constantemente têm relações sexuais sem camisinha com alguém que seja HIV positivo e que não esteja em tratamento;
  • Faz uso repetido de PEP (profilaxia pós-exposição ao HIV);
  • Apresenta episódios frequentes de infecções sexualmente transmissíveis.

Triagem para indicação da profilaxia pré-exposição (PrEP)

Nos casos  em que o paciente se encontre em uma das situações mencionadas acima e tenha interesse na adesão ao PrEP, é necessário procurar algum Serviço de Atenção Especializada onde a PrEP é ofertada. Dessa forma, um médico irá avaliar a presença de critérios sólidos e consistentes para iniciar a terapia, além de avaliar o interesse e compromisso para com o autocuidado.

Na PrEP, além de tomar um comprimido diariamente, o paciente é acompanhado mensal ou trimestralmente, deve realizar exames regulares, tem testagem para HIV e demais ISTs a cada consulta e deve buscar a medicação gratuitamente a cada três meses.

Se, em algum momento do acompanhamento, o paciente tiver testagem positiva para alguma IST, o tratamento é iniciado diretamente no centro onde é atendido. Caso ocorra infecção pelo HIV, por uso irregular da medicação ou abandono da mesma, o paciente deixa de utilizar a PrEP e passa a utilizar a terapia antirretroviral (TARV), uma vez que a estratégia, nesse momento, é tratá-lo e não mais, impedir a contaminação.

Efeitos colaterais da profilaxia pré-exposição (PrEP)

Assim como todo medicamento, a PrEP possui efeitos colaterais. Eles são orientados ao paciente no ato de início da terapia. Os efeitos adversos mais comuns incluem náuseas, gases, alteração do ritmo intestinal, dor e distensão abdominal. Porém, tais efeitos não inviabilizam o uso.

Já os efeitos mais graves, felizmente raros, exigem avaliação médica imediata. Além disso, o paciente é informado que, assim como todo medicamento de uso crônico, a PrEP pode trazer sinais de sobrecarga hepática e/ou renal e desmineralização óssea devido a metabolização do medicamento.

Por conta disso, é imprescindível a realização regular de exames laboratoriais visando avaliar a função dos rins, do fígado e metabolismo ósseo. Contudo, o benefício da PrEP suplanta os riscos e, quando indicada, não deve ser postergada por receio dos eventos adversos.

Acesso a profilaxia pré-exposição (PrEP)

Desde 2017, a população de risco pode ter acesso a PrEP pelo SUS. Para usar o medicamento, é necessário entrar em contato com o serviço de saúde da cidade e pesquisar em qual serviço há oferta do medicamento. Nesse site do Ministério da Saúde, é possível pesquisar em quais cidades a PrEP está disponível.

A PrEP não é vendida das farmácias. Ela é oferecida gratuitamente pelo SUS, assim como todo acompanhamento médico. Aqueles que queiram acessar a medicação pela rede particular devem recorrer a consultas com infectologista para que ele forneça a documentação necessária para proceder com a importação da medicação, que custa em média R$ 300,00 a 400,00 por mês.

Além do HIV, a PrEP previne contra outras ISTs?

A PrEP previne exclusivamente a infecção pelo HIV e sob hipótese alguma justifica o abandono do uso regular do preservativo, seja ele interno ou externo. O preservativo protege da infecção por outros patógenos sexualmente transmissíveis, assim como atua na contracepção indesejada. Nesta perspectiva, torna-se de suma importância realizar a prevenção combinada.

Os profissionais orientam o paciente, constantemente, a usar preservativo em todas as relações sexuais, utilizar a PrEP diariamente e testar sempre para o HIV e outras ISTs. No ato de liberação da medicação, o usuário recebe preservativos e lubrificante.

Desse modo, cabe ressaltar: PrEP não substitui o uso do preservativo!

Diferença entre PrEP e PEP

A profilaxia pós-exposição (PEP) consiste no uso de medicamentos antirretrovirais após possível contato com o vírus HIV em situações como violência sexual, relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com rompimento da camisinha), acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou em contato direto com material biológico).

Além disso, para ser efetiva, inicia-se a PEP logo após a exposição de risco, em janela de oportunidade de até 72 horas, com uso das medicações durante 28 dias. Portanto, a PEP é uma prevenção de emergência e deve ser utilizada após exposição. É ofertada em certos serviços específicos e unidades de pronto-atendimento.

Já a profilaxia pré-exposição (PrEP) é o uso preventivo de medicamentos antes da exposição ao vírus do HIV, reduzindo a probabilidade da pessoa se infectar com vírus. A PrEP não é para todos e também não é uma profilaxia de emergência como a PEP.

Em resumo, são métodos profiláticos distintos com indicações distintas, mas que compartilham um objetivo em comum: impedir a cadeia de transmissão do HIV.

Benefícios do uso da profilaxia pré-exposição (PrEP)

A OMS recomenda, desde 2012, a oferta da PrEP como uma das estratégias para prevenir a AIDS. O tratamento é oferecido nos sistemas de saúde da França e na África do Sul e também está disponível para comercialização na rede privada dos Estados Unidos, Bélgica, Escócia, Peru, Canadá. Na América Latina, o Brasil foi o primeiro país a incorporar a PrEP como política pública em seu sistema de saúde.

Da perspectiva do paciente, o uso regular garante eficácia significativa (mais de 90% de segurança), com assistência médica garantida, gratuidade no atendimento e promoção de vida sexual saudável.

Além disso, do ponto de vista da saúde pública, estudos de custo-efetividade mostraram que vale mais a pena custear a PrEP para as pessoas com maior risco de se contaminarem com o HIV do que ter de arcar com o tratamento contra o vírus, que precisa ser vitalício.

Espero que você tenha curtido a publicação deste conteúdo e consiga, ao longo de sua vida pessoal ou profissional, orientar as pessoas quanto Profilaxia pré-exposição (PrEP) como prevenção ao HIV.

Autoria: Adriano Gutemberg, interno de Medicina da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Salvador

Instagram: @addriyear

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  1. http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/prevencao-combinada/profilaxia-pre-exposicao-prep
  2. http://www.aids.gov.br/pt-br/o-que-e-prep
  3. http://www.aids.gov.br/pt-br/acesso_a_informacao/servicos-de-saude/prep?province=All&city=
  4. https://www.uol.com.br/vivabem/listas/12-perguntas-e-respostas-sobre-a-prep.htm
  5. http://www.aids.gov.br/pt-br/faq/qual-e-diferenca-entre-prep-e-pep
  6. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/nejmoa1011205
  7. http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-e-hiv#:~:text=HIV%20%C3%A9%20a%20sigla%20em,faz%20c%C3%B3pias%20de%20si%20mesmo.
  8. https://www.medicina.ufmg.br/prep-saiba-o-que-e-verdade-e-o-que-e-mito-sobre-o-medicamento/
  9. https://www.sanarmed.com/hiv-epidemiologia-fisiopatologia-e-clinica

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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