Elaboramos um conteúdo completo sobre os Princípios Diagnósticos para esclarecer todas as suas dúvidas. Boa leitura!
Os princípios diagnósticos
Em 1676, Anton van Leeuhennhoek observou bactérias na água utilizando um dos seus primeiros microscópios. No século XIX, Louis Pasteur conseguiu cultivar bactérias em laboratório usando um meio de cultura feito com extrato de levedura, açúcar e sais de amônio.
Ainda no século XIX, com uso do ágar de cozinha, Hesse logrou solidificar um meio de cultura que permitiu o crescimento de colônias bacterianas macroscópicas. Esses foram alguns dos acontecimentos que marcaram a evolução das técnicas diagnósticas.
Desde então, a capacidade e a evolução dos métodos de identificação de patógenos se intensificou e nos permitiu obter todas as técnicas que temos hoje.
Doenças infecto-contagiosas ainda são de alta prevalência global. Logo, técnicas de isolamento de patógenos são de grande utilidade para o diagnóstico de infecções e para a sua identificação etiológica, permitindo condutas específicas e eficazes para obter controle ou cura.
Princípios diagnósticos: Microscopia
A microscopia tem duas funções básicas na microbiologia: detectar e identificar preliminar ou definitivamente microorganismos. Características morfológicas são muito utilizadas para a identificação preliminar da maioria das bactérias e para a identificação definitiva de fungos e parasitas.
No entanto, pode ser usada para detectar também inclusões virais presentes em células infectadas. Há cinco métodos gerais de microscopia:
Microscopia de campo claro
É utilizada uma fonte de luz, que ilumina o material analisado; um condensador, que concentra a luminosidade sobre o material; e um conjunto de lentes – lente objetiva e lente ocular –, que amplia a imagem das estruturas.
A luz atravessa o condensador até o material e a amostra é visualizada. A imagem é, então, ampliada, primeiramente com lentes objetivas e, em seguida, pelas lentes oculares.
As lentes objetivas podem ser de baixo poder (amplia em 10 vezes), podendo ser usadas para triagem do material analisado; de alto poder seca (amplia em 40x), localizando microorganismos maiores, como parasitas e alguns fungos; e a lente de imersão em óleo (amplia em 100 vezes), que observa bactérias, leveduras e os detalhes da morfologia de microorganismos maiores.
O óleo aprimora a resolução por reduzir a dispersão da luz. As lentes oculares, finalmente, ampliam mais ainda a imagem, em cerca de 10 a 15 vezes.
A microscopia de campo claro tem como limitação a resolução da imagem (capacidade de diferenciar entre dois objetos diferentes). Além disso, os melhores microscópios de campo claro não permitem a visualização dos vírus.
Por fim, os índices de refração dos microrganismos e do fundo são semelhantes, tornando imperativo que os microrganismos sejam corados para que sejam visualizados.
Microscopia de campo escuro
A diferença desta para a microscopia de campo claro é que, na microscopia de campo escuro, o condensador impede que a luz ilumine diretamente o local.
Apenas umas luz oblíqua e dispersa atinge o material a ser visualizado, passando pelo sistema de lentes, fazendo com que o material fique iluminado contra um fundo preto.
Sua vantagem é o poder de resolução substancialmente aumentado em relação a microscopia de campo claro, possibilitando visualizar bactérias delgadas. Sua desvantagem é a má visualização das estruturas internas do microrganismo, já que a luz ilumina mais o seu entorno.
Microscopia de contraste de fase
Permite uma melhor visualização das estruturas internas do microrganismo, na medida em que os feixes paralelos de luz são desviados ao passar através de objetos com diferentes densidades.
Anéis anulares no condensador e nas lentes amplificam os desvios e criam uma imagem tridimensional do microrganismo ou da amostra.
Microscopia de fluorescência
Alguns compostos denominados “fluoróforos” são capazes de absorver luminosidade de baixo comprimento de onda e então emitir energia em um comprimento de onda superior visível.
Este processo envolve uso de corantes fluorescentes nos microrganismos e posterior visualização destes em um microscópio fluorescente especialmente projetado.
O microscópio usa lâmpada de mercúrio de alta pressão, lâmpada de halogênio ou de vapor de xenônio, que emitem luz de comprimento de onda mais curto do que as emitidas por microscópios tradicionais.
A luz emitida pelo fluoróforo é ampliada por lentes objetivas e oculares tradicionais. Os microrganismos e amostras com fluoróforos aparecem brilhantes, em contraste com o fundo, e este contraste é suficiente para que a amostra seja localizada rapidamente em menor aumento e, então, examinada em menor aumento.