Definição da dor
- A dor é definida pela IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor) como experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão tecidual já existente, real ou potencial, ou relatada como se uma lesão existisse.
Anamnese da dor
- No processo de avaliação da dor existem elementos chave que são de extrema importância, como: localização, descrição, intensidade, duração, fatores de melhora e piora.
- Inicialmente faz uma avaliação abrangente para obter o máximo de conhecimento da situação
- Primeiramente pede-se ao paciente descrever a dor com suas próprias palavras, para depois fazermos perguntas mais específicas para poder identificar causa e conseguir diagnosticar e tratar
- Quando a dor está presente em idosos, a avaliação deve ser cuidadosa devido a eles poderem apresentar déficits auditivos, cognitivos e visual.
- Os termos clínicos que ajudam a descrever a qualidade e o caráter da dor incluem aguda ou crônica; difusa ou localizada; pulsátil ou contínua; surda ou em cólicas; em queimação, em formigamento, em punhaladas, ou lancinante; aguda ou dolorida; constante ou intermitente; e emergente ou incidente.
Escalas para avaliação da dor
A gravidade ou a intensidade da dor podem ser avaliadas pelo emprego de escalas de dor
- Deve-se escolher a escala com base no grau de desenvolvimento do paciente, conforme sua idade e cognição
- Existem 2 tipos de escalas:
- Unidimensionais: medem a intensidade da dor considerando apenas um valor qualitativo ou numérico. Ex: escala visual analógica, escala numérica de intensidade da dor (mais usada), escala de descrição verbal e escala de faces
- Multidimensionais: avaliam vários aspectos. Ex: questionário da dor de McGill (mais usada), questionário da dor de Dartmouth, Inventário Multidimensional da Dor de West Haven-Yale.
Escala numérica para descrever a dor e a sua influência nas AVD

Escala numérica de intensidade da dor


Escala análoga visual (vas)
- Utiliza-se uma linha horizontal de 10 cm de comprimento, onde num extremo temos a situação sem dor e no outro extremo temos a pior dor imaginável, os doentes avaliados devem assinalar nesta escala um ponto que representa a intensidade da sua dor, havendo uma equivalência entre a intensidade da dor e a posição assinalada.

Escala faces de Wong Baker
- É constituída por seis rostos de desenho compostos por diferentes expressões. O médico aponta para cada rosto, descrevendo a dor, e pede ao paciente que identifique o rosto que se adequa à dor que sente.

Classificação da dor quanto ao tempo de duração
- Pode-se classificar a dor quanto ao tempo de duração dos sintomas e resposta fisiológica do paciente como dor crônica ou dor aguda, conforme quadro abaixo:

Classificação da dor quanto a fisiopatogenia
Dor nociceptiva
- Esse tipo de dor envolve estímulos ascendentes (ativação de nociceptores) transmitidos através de nervos normais, ao longo de neurônios sensoriais, e que sobem pelas vias espinotalâmicas da medula espinhal. Compreende as dores somáticas e viscerais.
→ Dor nociceptiva somática
- A dor somática é tipicamente bem localizada sobre a superfície cutânea ou nas estruturas musculoesqueléticas profundas (p. ex., feridas no pós-operatório imediato, metástases ósseas, estiramentos musculares, fratura de osso, corte da pele, tendinite). Pode piorar com o movimento.
→ Dor nociceptiva visceral
- A dor visceral costuma ser mal localizada e frequentemente é atribuída a estruturas profundas, como os intestinos (p. ex., prisão de ventre, apendicite inicial)
Dor inflamatória
- A dor inflamatória é transmitida através de vias e nervos normais, tal como a dor nociceptiva.
- Entretanto, o grau de lesão tissular leva à ativação de mediadores inflamatórios agudos e crônicos que potencializam a dor, diminuem os limiares de condução e sensibilizam o sistema nervoso central para o estímulo que chega.
- Os exemplos incluem condições inflamatórias crônicas, tais como artropatias e artrites, vasculopatias isquêmicas, feridas pós-operatórias tardias e queimaduras.
Dor neuropática
- Esse tipo de dor surge em uma área anormal do ponto de vista neurológico, sendo causada por uma lesão do sistema nervoso central ou periférico.
- É uma dor que pode ser secundária a alguma coisa previa que ocorreu. É comum em dor crônica, mas não é regra.
- Os mecanismos de lesão são em sua maior parte mal compreendidos, mas podem incluir lesão incisional ou por esmagamento do tecido nervoso e agressões nutricionais, químicas, isquêmicas, metabólicas, neoplásicas ou paraneoplásicas do sistema nervoso periférico ou central.
Dor referida
- A dor referida é quando a pessoa sente dor em uma parte do corpo que fica distante do tecido causador da dor.
- Relação com o desenvolvimento embriológico, por isso a dor distante, mesma inervação.
- Mecanismo: fibras da dor visceral fazem sinapse na medula espinal nos mesmos neurônios de segunda ordem que recebem sinais dolorosos da pele. Quando as fibras viscerais para a dor são estimuladas, os sinais dolorosos das vísceras são conduzidos por alguns dos mesmos neurônios que conduzem os sinais dolorosos da pele, e a pessoa tem a impressão de que as sensações se originam na pele.
- Exemplo: dor em órgãos viscerais geralmente é referida à área na superfície do corpo.
Dor irradiada
- Dor sentida à distância de sua origem, mas em estruturas inervadas pela raiz nervosa ou em nervo cuja estimulação é responsável pela dor.
- Como exemplo, a ciatalgia provocada pela compressão de uma raiz nervosa por hérnia de disco lombar. A pessoa sente dor em todo o trajeto do nervo.
Dor psicogênica
- A dor psicogênica é caracterizada desde o início por ser claramente associada a um transtorno do humor, que parece ser primário em termos de tempo e causa, geralmente, é mais difusa e menos bem localizada, o paciente queixa-se de dor constante e pode não encontrar palavras adequadas para descrevê-la
- Quando os exames solicitados não evidenciam nenhuma enfermidade, devemos pensar na possibilidade de uma dor psicogênica.
Autora: Nicoly Camila Spack
Instagram: @nispack
Referências
GOLDMAN, L; AUSIELLO, D. Cecil Medicina Interna. 23. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
HALL, J.E. Tratado de fisiologia médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
VON ROENN, J.H. Current: diagnóstico e tratamento da dor. Porto Alegre: AMGH, 2011.
SABISTON, D.C.J; et al. Tratado de cirurgia: A base Biológica da prática Cirúrgica Moderna. 19ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
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