Preparamos um artigo completo sobre a Prevenção da transmissão vertical (Hepatites B e C) para você esclarecer todas as suas dúvidas. Bons estudos!
A transmissão vertical da hepatite B e C é documentada em diversos estudos acerca do tema. Por ser infecções muito comuns, os cuidados na prevenção da transmissão vertical é fundamental no cuidado à mãe e filho.
Transmissão da hepatite B: onde o vírus pode ser encontrado?
O vírus da hepatite B pode ser encontrado no sangue, saliva, sêmen e nas secreções vaginais da pessoa infectada.
Pensando nisso, a transmissão pode ser por todos os meios que envolvem o contato dessas secreções. Assim, durante o ato sexual, havendo pequenos ferimentos ou a troca de secreção, a VHB pode ser transmitida. Por esse motivo, a hepatite B é considerada uma IST.
Outras formas de transmissão incluem o uso de drogas injetáveis e transfusão sanguínea. Sobre essa via de transmissão, trataremos melhor adiante.
Transmissão da hepatite C: conhecimento e prevenção
Diferente da hepatite B, a transmissão por via sexual é menos frequente. Com isso, a forma mais comum de transmissão do vírus é pela via sanguínea.
Por esse motivo, cortes ou feridas em contato com material contaminado ou partilha de seringas são muito preocupantes no contágio da hepatite C. O vírus já foi detectado em saliva, embora a probabilidade de contaminação pelo beijo ser baixa, contando a ausência de feridas na boca.
Sintomas da Hepatite B e C: como desconfiar da doença?
As hepatites B e C são doenças silenciosas. Por isso, não existem sintomas que sejam claros, e denunciem a presença da doença.
Quando presentes, eles incluem fadiga, náusea, perda de apetite, dor abdominal e icterícia, além de febre.
A hepatite pode evoluir para uma inflamação crônica do fígado, podendo levar à cirrose e ao câncer de fígado. Por isso, é importante fazer o diagnóstico precoce, seguido de um tratamento adequado. É importante ressaltar que a transmissão pode ocorrer mesmo que a mãe não apresente sintomas.
Transfusão sanguínea e a transmissão de hepatite B e C
A relação entre transfusão sanguínea e contaminação por hepatites já teve uma face mais preocupante no Brasil.
Antes de 1992, a pesquisa sorológica para hepatite durante uma transfusão sanguínea não era realizada. Como resultado disso, a transmissão ocorria com mais frequência por essa via.
Em vista disso, a partir desse ano (1992), passou a ser realizada a triagem sorológica e molecular para hepatite durante a transfusão nos EUA. São realizados testes que detectam anticorpos, cobrindo o período de janela imunológica. No entanto, em alguns países essa triagem ainda não é totalmente regulamentada.
No entanto, é importante que durante a consulta seja questionada a transfusão sanguínea prévia a 1992. Considerando que o paciente tenha sinais clínicos sugestivos da doença, recomendamos que ela seja investigada. Essa informação é importante sobretudo pela alta taxa de cronificação da hepatite C, chegando a 85% dos casos.

O que é a transmissão vertical?
A transmissão vertical é o processo pelo qual uma infecção é transmitida de uma mãe para seu filho durante diferentes fases. Essas fases podem ser na gravidez, no próprio parto ou amamentação. O risco de transmissão varia dependendo da doença e do estágio da gestação, além da quantidade de vírus.
Esse tipo de transmissão é preocupante, pois pode resultar em graves consequências para a saúde do bebê. Algumas delas envolve defeitos congênitos, baixo peso ao nascer, doenças crônicas e até mesmo morte. Em vista disso, a prevenção da transmissão vertical é uma medida fundamental.
Ela pode ocorrer com uma variedade de doenças infecciosas, incluindo:
- Vírus da imunodeficiência humana (HIV);
- Hepatites B e C;
- Sífilis;
- Toxoplasmose;
- Rubéola;
- Citomegalovírus.
No caso do HIV, por exemplo, a transmissão vertical pode ocorrer em três momentos diferentes:
- Durante a gestação;
- Através da placenta durante o parto quando o bebê entra em contato com o sangue e fluidos corporais da mãe;
- Durante a amamentação, através do leite materno.
Prejuízos da hepatite B e C para o bebê: porque a prevenção de transmissão vertical?
A transmissão vertical é a principal forma de contágio da hepatite para o bebê. Assim como os prejuízos causados à mãe envolvendo a hepatite crônica e câncer de fígado, essas chances também aumentam para o bebê.
O tratamento da hepatite C durante a gravidez não é recomendado, mas a avaliação e o acompanhamento médico são importantes para identificar a necessidade de tratamento após o parto.
Transmissão vertical das Hepatites B e C: como ocorre?
No caso das hepatites B e C, a transmissão vertical pode ocorrer durante o parto ou através do aleitamento materno. A vacinação da mãe e do bebê, juntamente com o uso de medicamentos antivirais, pode ajudar a reduzir o risco de transmissão dessas doenças.
É importante ressaltar que a prevenção da transmissão vertical começa com a identificação e tratamento precoce da infecção na mãe. Testes pré-natais devem ser realizados para identificar qualquer doença infecciosa, permitindo que medidas preventivas sejam tomadas.
O cuidado pré-natal adequado, o uso de medicamentos antivirais, a cesariana eletiva e a alimentação com fórmula infantil são medidas que podem ser tomadas para reduzir o risco de transmissão. Elas evitam o contato direto e chances de infecção entre mãe e filho.
Em resumo, a transmissão vertical é uma forma de infecção que pode ter consequências graves para a saúde do bebê. A identificação precoce da infecção, juntamente com medidas preventivas adequadas, é fundamental para reduzir o risco de transmissão e proteger a saúde do bebê.
É importante que as mães grávidas recebam o cuidado adequado durante a gestação e o parto para garantir a saúde e o bem-estar de seus filhos.
Idade da mãe e a transmissão vertical
É importante ressaltar que a idade materna é um fator que pode influenciar na transmissão vertical da hepatite B e C, e outras doenças.
Quanto mais velha a mãe, maior é o risco de transmissão vertical da hepatite B para o bebê. Estudos indicam que mães com mais de 35 anos têm maior probabilidade de transmitir o vírus da hepatite B para o recém-nascido durante o parto do que mães mais jovens.
Isso pode estar relacionado à idade materna avançada estar associada a um maior risco de doenças crônicas, como a hepatite B, que pode afetar a função hepática e aumentar a carga viral. Além disso, a idade materna avançada também pode estar relacionada a outras condições de saúde que podem afetar a transmissão da doença.
No entanto, é importante ressaltar que a transmissão vertical da hepatite B pode ocorrer independentemente da idade da mãe e é influenciada por outros fatores, como a carga viral da mãe e o tipo de parto realizado.
Prevenção da transmissão vertical da hepatite B e C: quais medidas tomar?
Aqui estão algumas medidas que podem ajudar na prevenção da transmissão vertical de hepatite B e C:
- Testes pré-natais: Todas as mulheres grávidas devem ser testadas para hepatite B e C no início da gravidez para identificar qualquer infecção. Os bebês de mães infectadas podem ser vacinados e receber tratamento imediatamente após o nascimento para prevenir a transmissão.
- Vacinação: A vacinação contra hepatite B é uma medida preventiva importante para evitar a infecção pelo vírus. As gestantes que não foram vacinadas devem receber a vacina durante a gravidez, uma vez que esta pode ajudar a proteger o recém-nascido.
- Evitar o aleitamento materno: Mães infectadas com hepatite B ou C devem evitar amamentar seus filhos, pois há risco de transmissão do vírus por meio do leite materno. Os bebês devem ser alimentados com fórmula infantil ou leite materno pasteurizado.
- Evitar o compartilhamento de objetos pessoais: Os objetos pessoais, como escovas de dente, lâminas de barbear e outros itens de higiene pessoal, devem ser evitados de serem compartilhados com a mãe infectada, pois podem conter traços do vírus que podem infectar o bebê.
- Tratamento: As gestantes infectadas devem receber tratamento antiviral durante a gravidez para reduzir a carga viral e diminuir a probabilidade de transmissão do vírus para o recém-nascido.
A mulher gestante e exames feitos para prevenção da transmissão vertical da hepatite B e C
Em resumo, a prevenção da transmissão vertical da hepatite B e C é fundamental para evitar a propagação desses vírus e proteger a saúde das crianças.
As medidas preventivas incluem testes pré-natais, vacinação, cuidados de saúde adequados durante o parto, evitar o aleitamento materno, evitar o compartilhamento de objetos pessoais e tratamento antiviral.
É importante que todas as mulheres grávidas sejam conscientizadas sobre essas medidas preventivas e recebam o cuidado adequado durante a gestação para evitar a transmissão desses vírus.
Os exames de pesquisa sorológica são solicitados preferencialmente na primeira consulta de pré-natal. São eles:
- Ag HBs;
- Anti-HBs;
- Anti-HCV.
O AgHBs é um marcador presente na superfície do vírus da Hepatite B. Isso significa que quando identificada em um exame de sangue da paciente, ela está infectada pelo vírus. Caso sejam tomadas as medidas de tratamento e esse marcador persista por 6 meses, ela é considerada portadora crônica da Hepatite B.
O Anti-HBs e anti-HCV, por outro lado, pesquisam a presença de anticorpos contra os vírus. Sendo assim, com resultado positivo, a paciente é considerada imune. No entanto, se não existirem registros sobre a cobertura completa à hepatite, o recomendado é que ela complete o esquema.
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Perguntas frequentes
- O que é a transmissão vertical?
É a transmissão de uma doença passada de uma mãe infectada para o bebê através da gestação, parto ou amamentação. - Quais são os testes realizados para identificar a hepatite B e C?
AgHBs, Anti-HCV e anti-HBS. - Como a prevenção das hepatites pode ser feita?
Através dos testes pré-natais, vacinação e evitar compartilhamento de objetos pessoais.
Referências
- Hepatitis B and pregnancy. Hannah Lee, MD. UpToDate
- Vertical transmission of hepatitis C virus. Eric Goldberg, MD. UpToDate