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Prevenção ao câncer de colo de útero | Colunistas

Prevenção ao câncer de colo de útero | Colunistas-BLOG-RIan_

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Há algumas décadas, o câncer de colo de útero era um dos tipos mais prevalentes na população feminina, mas graças às descobertas de seus principais fatores carcinógenos e, consequentemente, o combate a eles, a incidência desse tipo de câncer diminuiu absurdamente, em países mais desenvolvidos.

Infelizmente, nos países com menor grau de desenvolvimento, essa taxa ainda permanece elevada, devido aos hábitos higiênicos, ao grau de informação da população e à abrangência dos serviços de saúde.

 A eficácia desse modelo preventivo, sem dúvidas, deve-se ao teste de Papanicolau, que serve para a detecção de lesões cervicais, acesso ao colo uterino e biópsia.  O estudo das amostras coletadas, evidenciou que a presença de uma forma viral sexualmente transmissível é responsável pela maior parte desse tipo de câncer, essa forma viral chamamos hoje de HPV.

O que é o HPV?

O HPV é uma família de vírus de DNA, tipificados de acordo com sua sequência genica e divididos em subgrupos de acordo com seu potencial oncogênico. Os HPV’s de elevado risco oncogênico foram detectados não só no Câncer de Colo de Útero, mas também em carcinomas de células escamosas vaginais, alguns subgrupos de cânceres vulvais, perianais e perineais.

Atualmente são computados 15 tipos de HPV com alto potencial oncogênico, sendo o tipo 16 e o 18, os mais importantes, gerando respectivamente 60% e 10% dos cânceres cervicais. Mas para que o vírus se instale, obviamente são necessários alguns fatores-extra para desencadear o quadro infeccioso, dentre eles podemos destacar: exposição ao vírus, capacidade imunológica do indivíduo e a presença de fatores cocarcinógenos.

FONTE: Freepik
LEGENDA: o HPV é um vírus encapsulado, com uma camada de proteínas capsulares que facilitam sua fixação às células alvo.

Como ocorre a infecção?

Diferente do que se pensa, a infecção por HPV é comum, a diferença que se tem é que a maioria dos indivíduos são assintomáticos, não causando nenhum desconforto ou qualquer alteração tecidual detectável pelo Papanicolau. A maioria dessas infecções são eliminadas dentro de 8-24 meses pelo próprio sistema imunológico, sem que seja necessária uma intervenção.

Essa variação do período de eliminação ocorre devido a capacidade maligna desses vírus, HPVs de alto risco oncogênico demoram mais para serem eliminados e quanto mais essa infecção persiste, maior é a chance de gerar um pré-câncer.

O vírus infecta células basais, preferencialmente, imaturas do epitélio escamoso, nas áreas de transição ou células escamosas metaplásicas imaturas presentes na junção escamocolunar. A invasão do HPV em áreas maduras, como no ectocérvix só é possível, caso haja uma deficiência imunológica ou uma lesão persistente, favorecendo o desenvolvimento viral. Portanto, fica nítida a alta capacidade colo uterina de desenvolver o câncer, devido às grandes áreas de transição, que possuem epitélio metaplásico imaturo, da mesma forma dos canceres anais.

FONTE: http://anatpat.unicamp.br/lamgin2.html

De dentro da célula…

Após o vírus infectar as células imaturas, há um efeito na célula: é criado um halo perinuclear e ocorre uma atipia nuclear. A célula passa a se chamar Coilócito, o HPV induz a síntese de DNA nessas células e interfere no ciclo celular, fazendo com que as células potencializem sua capacidade mitótica ao afetar os genes Rb e p53, supressores tumorais.

Essa capacidade é gerada, principalmente, pelas proteínas virais E6 e E7, uma vez que promovem a reativação do ciclo celular pela ligação Rb e suprarregulação de Ciclina E; interrompem a via de morte programada pela p53, induzindo a duplicação de centrossomos e a instabilidade genômica; previnem a senescência replicativa pela suprarregulação de telomerase.

De forma geral, o processo é parecido com a oncogênese básica da maioria dos canceres, há uma desregulação na síntese de DNA e há uma inibição da apoptose dessas células alteradas, fazendo com que as células tumorais se multipliquem.

Prognóstico do câncer de colo de útero

Os exames de triagem filtram bastante o desenvolvimento do Câncer de Colo de Útero, por isso mais da metade desses cânceres são detectados em mulheres que não passaram pelo processo preventivo.

Caso o processo de evolução do câncer ainda esteja nas fases iniciais, a simples biopsia em cone, pode recolher a lesão toda, já em cânceres mais avançados é necessário histerectomia, esvaziamento linfonodal e terapias associadas.

A taxa de sobrevida varia de acordo com o grau de estaiamento tumoral, em carcinomas existe uma taxa de sobrevida em 5 anos de:

ESTÁGIO CHANCE DE SOBREVIDA EM 5 ANOS
1a 95%
1b 80-90%
2 75%
3 <50%

Os pacientes de estágio 4 possuem péssimo prognóstico pela extensão do tumor e pelo número de metástases à distância.

FONTE: https://br.freepik.com/vetores-premium/ilustracao-infografico-de-cancer-cervical_11097270.htm#&position=10&from_view=detail#&position=10&from_view=detail
LEGENDA: a figura mostra uma a região anatômica do colo de útero onde prevalecem as lesões e faz importantes comparações dos estágios da lesão cancerígena, para facilitar a compreensão do leitor. Naturalmente, o estadiamento do câncer deve ser feito pela análise histopatológica do tecido e não pelo que aparenta na lesão macroscópica.

O caminho mais seguro

Não restam dúvidas que o caminho mais seguro para a população feminina é evitar o Câncer de Colo de Útero e para isso, faz-se necessária uma triagem regular para detectar a presença de lesões, uma vez que esse tipo de câncer é precedido por uma lesão de longa duração na maioria das vezes.

A prevenção desse tipo de câncer é dividida em várias partes, desde a triagem citológica, diagnóstico histológico, remoção das lesões pré-cancerosas e, se for o caso, remoção cirúrgica dos componentes invasivos, junto às terapias adjuvantes. Outra ferramenta fundamental para a prevenção do câncer de colo de útero é a vacinação contra o HPV.

O teste de Papanicolau consiste na coleta de amostras celulares esfoliadas da zona de transformação do colo uterino (zona de maior prevalência de lesões) por espátulas ou escovas, a raspagem é feita de modo circular e é feito um esfregaço do material coletado. Junto ao exame citológico pode ser feito adjunto, um exame de HPV DNA, caso ambos deem negativo, a avalição pode ser feita novamente a cada 3 anos, caso o exame citológico seja negativo, mas o HPV DNA positive é necessária uma reavaliação em um período de 6-12 meses.

Conclusão

Como dito anteriormente, a infecção por HPV é extremamente comum e nem sempre ela vai gerar uma lesão cancerígena, como o HPV é sexualmente transmissível, mulheres abaixo dos 30 anos, que possuem maior atividade sexual, tem muita chance de conter esse vírus na sua forma assintomática, por isso não é indicado exame de HPV para essa faixa etária, sendo necessário somente o teste preventivo para detectar a presença ou não de lesões no colo uterino.

Quando o Teste de Papanicolau resulte em coleta de material cancerígeno é necessária uma abordagem colposcópica do colo uterino e da região vaginal, para avaliar a extensão da lesão e delimitar as áreas a serem biopsiadas para o exame histopatológico.

Por fim, é importante ressaltar ao caro leitor a importância da prevenção a esse tipo de câncer, uma vez que infelizmente ainda é muito prevalente na população feminina brasileira, pela ausência dos procedimentos de triagem. Boa parte da população não utiliza preservativos nas relações sexuais, favorecendo a transmissão viral, não pratica ações higiênicas corretas tanto após a relação, quanto no dia a dia e não busca prevenir-se regularmente, pela desinformação e pela vergonha, que muito ainda se tem, de se submeter ao exame ginecológico.

AUTOR: RIAN BARRETO ARRAIS RODRIGUES DE MORAIS

INSTAGRAM: @rianrodrigues10.

Sugestão de leitura

Referências

  1. Robbins & Cotran, Bases patológicas das doenças.
  2. Neoplasia intraepitelial cervical (NIC) + condiloma plano viral do colo uterino, disponível em: http://anatpat.unicamp.br/lamgin2.html
  3. Prevalência de achados sugestivos de papilomavírus humano (HPV) em biópsias de carcinoma espinocelular de cavidade oral e orofaringe: estudo preliminar, disponível em: https://www.scielo.br/j/rboto/a/qyjKytWDwBYj6wBZdjhY3Vj/?lang=pt

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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