Entenda tudo sobre a pregabalina, qual a funcionalidade dessa medicação, contraindicações, efeitos colaterais e mais.
A pregabalina tem se destacado como uma opção terapêutica eficaz no manejo de condições como dor neuropática, fibromialgia e transtornos de ansiedade.
Assim, compreender as restrições necessárias, o mecanismo de ação e os efeitos colaterais associados a esse medicamento é crucial para melhorar os resultados clínicos e garantir a segurança do paciente.
Dessa forma, o objetivo deste artigo é explorar os principais cenários em que a pregabalina pode ser indicada, além de discutir alternativas e considerações importantes para o uso eficaz deste medicamento.
O que é pregabalina?
A pregabalina é uma medicação anticonvulsivante. Dessa forma, essa medicação é quimicamente conhecida como ácido (S)-3-(aminometil)-5-metil-hexanóico e é um análogo do ácido gama-aminobutírico (GABA).
Além de ser classificada como um novo tipo de agente ansiolítico, a pregabalina se distingue dos benzodiazepínicos por seu mecanismo de ação, uma vez que não atua nos receptores GABA-A e GABA-B. Assim, em vez disso, ela modula a atividade dos canais de cálcio, inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios como glutamato, aspartato e substância P em áreas do sistema límbico, incluindo o hipocampo e a amígdala.
Dosagem
A comercialização do medicamento é em comprimidos e suas dosagens variam.
Dessa maneira, suas dosagens estão entre 25 mg e 300 mg. Além disso, não possui necessidade da ingestão ser com algum alimento acompanhado.
Para realizar a utilização, é fundamental consultar um médico psiquiatra ou neurologista para prescrever ou renovar a receita, que possui validade de 30 dias.
Efeitos colaterais e riscos
De acordo com o Ministério da Saúde, as principais, e mais comuns, reações de efeitos colaterais são:
- tontura;
- sonolência;
- aumento do apetite;
- confusão;
- desorientação;
- irritabilidade;
- humor eufórico (euforia);
- diminuição da libido (desejo sexual);
- insônia, dificuldade em coordenar os movimentos voluntários;
- coordenação anormal;
- transtorno de equilíbrio;
- amnésia (perda da capacidade de recordar experiências passadas ou de formar novas memórias);
- distúrbios de atenção;
- dificuldade de memória;
- tremores;
- disartria (alterações na fala);
- parestesia (alterações na sensibilidade, como por exemplo, formigamentos);
- sedação (diminuição da consciência);
- letargia (lentidão);
- hipoestesia (sensibilidade diminuída ao estímulo);
- nistagmo (oscilação rítmica dos globos oculares), distúrbios da fala;
- mioclonia (contrações de um músculo ou de um grupo de músculos);
- hiporreflexia (reflexos enfraquecidos);
- discinesia (dificuldade em realizar movimentos voluntários);
- hiperatividade (agitação) psicomotora;
- vertigem postural (tontura ao mudar de posição);
- hiperestesia (aumento do tato), ageusia (perda do paladar);
- sensação de queimação, tremor de intenção (tremor que ocorre quando se faz um movimento voluntário);
- estupor (diminuição da reatividade a estímulos ambientais);
- síncope (desmaio);
- visão turva;
- diplopia (percepção de duas imagens de um objeto único);
- vertigem, vômitos, distensão abdominal, constipação (intestino preso), boca seca, flatulência (excesso de gases intestinais);
- disfunção erétil (redução do enrijecimento do pênis);
- edema periférico (inchaço de extremidades);
- marcha (caminhada) anormal;
- sensação de embriaguez;
- fadiga (cansaço);
- reação alérgica; e
- hipersensibilidade.
Pregabalina possui registro na ANVISA?
A medicação possui regristro na ANVISA. No entanto, existem usos específicos que são indicados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. São eles:
- Tratamento da dor neuropática em adultos;
- Como terapia adjunta das crises epilépticas parciais, com ou sem generalização secundária, em pacientes a partir de 12 anos de idade;
- Tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) em adultos; e
- Controle de fibromialgia.
É importante ressaltar que, usado para casos diferentes desses, se situa como fora de bula e, portanto, não é de responsabilidade da ANVISA. Dessa maneira, neste caso, se inclui como responsabilidade do médico que realizou a indicação.
Histórico da pregabalina
A pregabalina foi um medicamento analisado na SUS. Assim, a solicitação surgiu em 2020, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde (SCTIE/MS) fez o pedido à Conitec sobre o uso do medicamento pregabalina para o tratamento de dor neuropática e fibromialgia.
Porém, na 97ª reunião ordinária da Comissão, realizada nos dias 5 e 6 de maio de 2021, o Plenário considerou que a pregabalina apresentava eficácia e segurança semelhantes aos tratamentos já disponibilizados no SUS.
No entanto, alguns aspectos negativos foram apontados e durante a 99ª reunião, que foi realizada 30 de junho e 1º de julho de 2021, a Conitec alegou a não recomendação da pregabalina para o tratamento não só da dor neuropática crônica como também da fibromialgia no Sistema Único de Saúde (SUS).
Pregabalina no manejo da dor crônica
A medicação é utilizada para o menejo de dores crônicas, já que de acordo com um estudo realizado por Biegstraaten M & van Schaik em 2007 relatou que os pacientes tratados com essa medicação tiveram 50% da dor reduzida.
Porém, essa medicação ainda não é visto clinicamente como uma boa recomendação para primeira linha de escolha e não possui disponibilidade através no SUS.
Dessa forma, os medicamentos disponibilizados pelo SUS para o alívio da dor crônica são: codeína, metadona, morfina e gabapentina (Grupo 2- cujo financiamento é de responsabilidade das Secretarias de Estado da Saúde).
Perguntas de concurso sobre pregabalina
CONCURSO PÚBLICO – Processo Seletivo – Residência Médica – Dor – Áreas de Atuação (COREME/FM – 05/2022)
1- Qual das alternativas a seguir apresenta os medicamentos com maior evidência para tratamento da fibromialgia?
(A) Sertralina, duloxetina.
(B) Pregabalina, sertralina.
(C) Pregabalina, amitriptilina.
(D) Duloxetina, oxibato de sódio.
Resposta correta: letra C.
A pregabalina é um medicamento que atua no sistema nervoso central, diminuindo não só a intensidade do dor, como também auxiliando nos distúrbios do sono, ambos comuns em pacientes com fibromialgia.
Já a amitriptilina atua na modulação da dor ao aumentar a disponibilidade de neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina no cérebro. Assim, esses neurotransmissores têm um papel importante na percepção e controle da dor, especialmente em condições de dor crônica como a fibromialgia.
2- Assinale uma alternativa verdadeira em relação aos anticonvulsivantes.
(A) São analgésicos de primeira escolha para dores nociceptivas.
(B) Age exclusivamente em canais de cálcio dependentes de voltagem.
(C) A biodisponibilidade da gabapentina é diretamente proporcional à dose administrada.
(D) A pregabalina tem características semelhantes à gabapentina, tem posologia mais adequada e melhor biodisponibilidade.
Resposta correta: letra D.
Anticonvulsivantes, como a pregabalina e a gabapentina, são mais usados para tratar dor neuropática. Além disso, não são considerados analgésicos de primeira linha para dores nociceptivas, que normalmente são tratados com anti-inflamatórios ou analgésicos prejudiciais.
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