Pré-diabtes: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
Pré-diabetes é uma condição metabólica na qual os níveis de glicose no sangue estão mais elevados do que o normal. Contudo, esses níveis não atingem os critérios para um diagnóstico de diabetes tipo 2.
É considerada uma fase intermediária entre a glicemia normal e a diabetes. Dessa forma, serve como um alerta de que a pessoa tem um alto risco de desenvolver diabetes no futuro. Contudo, isso pode ser evitado através de medidas para prevenir ou retardar a progressão da doença.
Quais os principais indicadores da pré-diabetes?
Existem dois principais indicadores de pré-diabetes:
- Hemoglobina glicada
- Glicemia de jejum
Hemoglobina glicada (A1C)
É um exame que mede a porcentagem de glicose ligada à hemoglobina no sangue ao longo de aproximadamente três meses. Um resultado de A1C entre 5,7% e 6,4% é considerado pré-diabetes.
Glicemia de jejum
É um teste que mede o nível de glicose no sangue após um período de jejum de pelo menos oito horas. Um resultado de glicemia de jejum entre 100 mg/dL (5,6 mmol/L) e 125 mg/dL (6,9 mmol/L) é considerado pré-diabetes.
Epidemiologia
A pré-diabetes afeta uma proporção significativa da população em todo o mundo. A prevalência varia de acordo com a região e os fatores de risco associados. A condição é mais comum em adultos mais velhos e em pessoas com excesso de peso.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo tenham pré-diabetes. Aproximadamente 5-10% das pessoas com pré-diabetes desenvolvem diabetes tipo 2 a cada ano. No entanto, a pré-diabetes não é uma sentença inevitável de diabetes. Mas sim uma oportunidade para intervir e fazer mudanças no estilo de vida para reduzir o risco.
Fatores de risco para pré-diabetes
Vários fatores de risco podem contribuir para o desenvolvimento da pré-diabetes. Alguns dos principais fatores de risco incluem:
- Obesidade ou excesso de peso: o acúmulo de gordura corporal, especialmente na região abdominal, está fortemente associado à resistência à insulina, um dos principais mecanismos subjacentes à pré-diabetes.
- Histórico familiar de diabetes: ter parentes de primeiro grau, como pais ou irmãos, com diabetes aumenta o risco de desenvolver pré-diabetes e diabetes tipo 2. Isso pode ocorrer devido a influências genéticas e comportamentais compartilhadas.
- Sedentarismo: a falta de atividade física regular e um estilo de vida sedentário estão associados a um maior risco de pré-diabetes. O exercício regular ajuda a melhorar a sensibilidade à insulina e a controlar os níveis de glicose no sangue.
- Idade: o risco de pré-diabetes aumenta com o avanço da idade. Isso ocorre porque o envelhecimento está associado a uma diminuição da função das células beta no pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.
- Síndrome do ovário policístico (SOP): mulheres com SOP têm um maior risco de desenvolver pré-diabetes e diabetes tipo 2. Essa condição está relacionada a desequilíbrios hormonais que podem levar à resistência à insulina.
- Hipertensão arterial: a pressão alta também está associada a um maior risco de pré-diabetes. A hipertensão arterial crônica pode afetar negativamente a função das células beta no pâncreas e contribuir para a resistência à insulina.
- Etnia: algumas populações têm um maior risco de desenvolver pré-diabetes. Por exemplo, pessoas de origem africana, hispânica, asiática e nativa americana têm uma predisposição genética maior
É importante lembrar que ter um ou mais fatores de risco não significa necessariamente que uma pessoa desenvolverá pré-diabetes. No entanto, esses fatores aumentam a probabilidade de desenvolver a condição.
O paciente pré-diabético apresenta alguma manifestação clínica?
Na maioria dos casos, a pré-diabetes não causa sintomas óbvios e muitas pessoas podem estar com a condição sem saber. Geralmente, a pré-diabetes é diagnosticada durante exames de rotina ou quando uma pessoa é submetida a testes de glicose no sangue por outros motivos de saúde.
Como a pré-diabetes é uma fase intermediária entre a glicemia normal e a diabetes tipo 2, os sintomas específicos da diabetes podem não estar presentes. No entanto, algumas pessoas com pré-diabetes podem apresentar sinais sutis relacionados aos níveis de glicose no sangue mais elevados do que o normal. Esses sintomas podem incluir:
- Fadiga
- Polidipsia
- Polifagia
É importante ressaltar que esses sintomas também podem estar presentes em outras condições de saúde. Dessa forma, nem todas as pessoas com pré-diabetes os experimentam. Por isso, é fundamental realizar exames regulares de glicemia para identificar a pré-diabetes, especialmente se você possui fatores de risco.
Além da diabetes, quais outras comorbidades podem afetar o paciente pré-diabético?
É importante ressaltar que, mesmo que a pré-diabetes não se desenvolva em diabetes, as pessoas com pré-diabetes ainda têm um maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares.
Isso ocorre porque a resistência à insulina e a disfunção do metabolismo da glicose, características da pré-diabetes, podem desencadear processos inflamatórios e danos aos vasos sanguíneos, aumentando a probabilidade de complicações cardiovasculares.
Portanto, é essencial monitorar regularmente a saúde, fazer exames de acompanhamento e manter um estilo de vida saudável para reduzir os riscos associados.
Tratamento
O tratamento da pré-diabetes geralmente envolve a adoção de hábitos saudáveis, como:
- Dieta equilibrada
- Aumentar a atividade física
- Perder peso, se necessário
A metformina é o medicamento mais comumente prescrito para a pré-diabetes. Esse medicamento ajuda a reduzir a produção de glicose pelo fígado, aumenta a sensibilidade à insulina e pode ajudar a prevenir ou retardar a progressão para diabetes tipo 2.
Essas medidas podem ajudar a normalizar os níveis de glicose no sangue e reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Além disso, em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos para auxiliar no controle da glicose.
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Referência bibliográfica
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diabetes Mellitus / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. 64 p., Brasília : Ministério da Saúde, 2006.
- OLIVEIRA, J. E. P. (Org.) et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018. São Paulo: Editora Clannad, 2017.