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Por que a sorologia para rubéola não faz mais parte da rotina de exames pré-natais? | Colunistas

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A rubéola é uma infecção viral, que nas últimas décadas, teve a incidência e a prevalência diminuídas drasticamente no Brasil. A recomendação do Ministério da Saúde, desde 2015, é de que não realize mais a sorologia para rubéola durante a rotina do pré-natal; já que é uma doença considerada extinta nas Américas.

O que é a rubéola?

A rubéola é uma infecção viral. A transmissão ocorre por secreções respiratórias. O período de incubação dura cerca de 2 semanas e pode ser transmissível por 7 dias após a instalação dos sintomas. As manifestações clínicas se iniciam com um quadro inespecífico de febra, linfadenopatia, artralgia e queixas respiratórias. Evolui com um rash cutâneo que se inicia na face a avança para tronco e extremidades. As complicações são encefalite, neurites, trombocitopenia hemorrágica e conjuntivite.

Qual o problema da rubéola na gestação?

A rubéola é uma doença com poucas repercussões clínicas importantes fora da gestação. Entretanto, quando a infecção ocorre na primeira metade da gestação, os efeitos teratogênicos são graves. Apesar de o vírus ser teratogênico, em alguns casos não ocorre transmissão vertical para o feto, logo, alguns recém-nascidos não terão malformações ou sequelas relacionadas à infecção.

Como é o acometimento fetal na infecção por rubéola?

O acometimento fetal pela infecção por rubéola resulta na rubéola congênita. A rubéola congênita tem uma tríade clássica, composta por malformação cardíaca, catarata e surdez.  As malformações cardíacas incluem defeito do septo interventricular, ducto arterioso patente, estenose pulmonar e coarctação de aorta. Outras alterações são do esqueleto, meningoencefalite, microcefalia, trombocitopenia, hepatoesplenomegalia, icterícia obstrutiva.

Como acontecia o rastreio da rubéola no pré-natal?

O rastreio para a rubéola no pré-natal era realizado com os exames de primeiro trimestre, que incluíam hemograma completo; tipagem sanguínea; glicemia de jejum; urina I; urocultura; sorologias para toxoplasmose, sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV; TSH; protoparasitológico de fezes, ultrassom de primeiro trimestre.

O rastreio era realizado com IgM e IgG, sendo que gestantes com IgG positivo tem baixo risco de transmissão vertical. Gestantes com IgG negativo são suscetíveis e devem ser vacinadas após o parto.

Por que não ocorre mais o rastreio da rubéola no pré-natal?

Em 2015, a Organização PanAmericana da Saúde (OPAS) declarou a eliminação da rubéola e da síndrome da rubéola congênita no Brasil. Desse modo, o Ministério da Sáude recomenda que não seja realizado o exame sorológico com pesquisa de IgM para rubéola, na rotina de pré-natal para gestantes, em casos de mulher assintomática.

A grande quantidade de exames sorológicos com pesquisa de IgM para rubéola resulta em um número alto de falsos positivos, acumulando casos suspeitos de rubéola que não correspondem à definição de caso da doença.

Caso exista a  necessidade de saber se a gestante tem títulos protetores para o vírus da rubéola, é recomendado solicitar apenas IgG. Mesmo que a mulher seja negativa, durante a gestação, não poderá utilizar a vacina dupla (sarampo-rubéola) ou tríplice viral (sarampo-rubéola- caxumba).

Desse modo, a sorologia apenas deve ser realizada se:

– Suspeita de rubéola na gestante

– Quando a gestante for contato com uma pessoa com doença exantemática.

– Caso a gestante não tenha comprovação, na caderneta de vacinação da vacina contra rubéola  (pesquisa de IgG, gestante assintomática e sem contato prévio com outra doença exantemática).

Como é realizada a prevenção da rubéola congênita?

A prevenção primária da rubéola é a vacinação das mulheres em idade reprodutiva. A vacina é de vírus vivo atenuado e confere cerca de 95% de proteção. A gestação deve ser evitada até 1 mês após a vacinação. Para gestantes suscetíveis, a recomendação é a vacinação imediatamente pós-parto.

Conclusão

A rubéola é uma infecção viral com alto potencial teratogênico.  A rubéola congênita tem uma tríade clássica, composta por malformação cardíaca, catarata e surdez, além de alterações no esqueleto, meningoencefalite, microcefalia, trombocitopenia, hepatoesplenomegalia, icterícia obstrutiva. Devido à possibilidade de rubéola congênita, a sorologia para rubéola era realizada no pré-natal, porém, essa recomendação não existe mais. A recomendação do Ministério da Saúde, desde 2015, é de que não realize mais a sorologia para rubéola durante a rotina do pré-natal; já que é uma doença considerada extinta nas Américas. Desse modo, a sorologia apenas deve ser realizada se existir suspeita de rubéola na gestante (pesquisa de IgM); quando a gestante for contato com uma pessoa com doença exantemática (pesquisa de IgM) e caso a gestante não tenha comprovação, na caderneta de vacinação da vacina contra rubéola  (pesquisa de IgG, gestante assintomática e sem contato prévio com outra doença exantemática).


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências bibliográficas

ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. 3ª ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2016 e alterações 18.

Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 4ª edição, Barueri, SP: Manole,2017.

Relatório da verificação dos critérios de eliminação da transmissão dos vírus endêmicos do sarampo e rubéola e da síndrome da rubéola congênita (SRC) no Brasil, 2010.

https://antigo.saude.gov.br/images/pdf/2015/dezembro/03/Novo-modelo-de-Nota-Informativa-Rubeola-021015.pdf

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