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Pólipos no útero: quando investigar e como tratar

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Os pólipos endometriais são formações benignas que surgem na mucosa uterina, sendo comuns entre mulheres em idade fértil e perimenopáusicas. A prevalência estimada é de até 10% em mulheres na faixa etária de 40 a 60 anos. Apesar de frequentemente assintomáticos, os pólipos podem causar sintomas como sangramentos uterinos anormais e infertilidade.

Definição e características clínicas

Os pólipos endometriais são massas que se formam no endométrio, a camada mucosa que reveste o útero. Eles podem ser pediculados, quando apresentam um pedículo de inserção, ou sessis, quando possuem uma base mais larga. Esses pólipos são geralmente pequenos, mas podem variar em tamanho, e a maioria é assintomática. No entanto, quando presentes, podem causar:

  • Sangramentos uterinos anormais: os pólipos são uma das causas mais comuns de menorragia (sangramento excessivo) e metrorragia (sangramento irregular), especialmente em mulheres na perimenopausa
  • Infertilidade: pólipos grandes podem interferir na implantação embrionária, resultando em dificuldades para engravidar ou abortos espontâneos recorrentes
  • Sangramento pós-menopausa: deve-se investigar qualquer sangramento vaginal após a menopausa, sendo os pólipos endometriais uma das causas mais frequentes
  • Dor pélvica: Embora rara, a dor pélvica pode ocorrer em alguns casos, especialmente quando os pólipos são grandes ou se tornam inflamados.

Assim, é fundamental distinguir os pólipos endometriais de outras condições, como hiperplasia endometrial e câncer uterino, para evitar diagnósticos errôneos e tratamentos inadequados.

Fatores de risco

Diversos fatores aumentam a probabilidade de uma mulher desenvolver pólipos endometriais. Entre os mais comuns, destacam-se:

  • Idade avançada: a prevalência de pólipos endometriais aumenta com a idade, sendo mais comuns em mulheres na faixa etária de 40 a 60 anos
  • Obesidade: o excesso de gordura corporal resulta em níveis elevados de estrogênio, o que favorece o desenvolvimento de pólipos, uma vez que o estrogênio excessivo pode estimular a hiperplasia do endométrio
  • Hipertensão arterial: mulheres com pressão arterial elevada apresentam maior risco de pólipos endometriais
  • Uso de tamoxifeno: esse medicamento, utilizado no tratamento do câncer de mama, está associado ao aumento do risco de pólipos endometriais devido à sua ação sobre os receptores de estrogênio
  • Infertilidade: deve-se monitorizar mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar ou que têm histórico de abortos recorrentes quanto à presença de pólipos, pois estes podem prejudicar a implantação do embrião.

Diagnóstico: quando investigar?

O diagnóstico precoce dos pólipos endometriais é essencial para evitar complicações. Deve-se considerar investigação nas seguintes situações:

Sangramento uterino anormal

Em mulheres com queixas de sangramentos uterinos anormais, a avaliação dos pólipos endometriais é uma prioridade. O sangramento pode ser intermenstrual, pós-menopausa ou excessivamente prolongado. Nesses casos, o exame clínico e a ultrassonografia transvaginal (USG) são os primeiros passos para investigação.

Infertilidade ou aborto recorrente

Deve-se avaliar mulheres que apresentam dificuldade para engravidar ou que enfrentam abortos espontâneos repetidos quanto à presença de pólipos endometriais. Estudos indicam que pólipos podem interferir na implantação embrionária, prejudicando a fertilidade.

Pós-menopausa

Após a menopausa, deve-se investigar qualquer sangramento uterino. A presença de pólipos endometriais é uma das causas mais comuns de sangramento pós-menopausa e exige avaliação detalhada para exclusão de malignidade.

Diagnóstico incidental

Em alguns casos, encontra-se os pólipos incidentalmente durante exames de rotina, como a ultrassonografia transvaginal. Mesmo sem sintomas, deve-se avaliar esses pólipos quanto à possibilidade de malignidade, especialmente em mulheres com fatores de risco.

Métodos diagnósticos

A investigação dos pólipos endometriais envolve uma combinação de métodos clínicos e exames de imagem. O exame inicial geralmente é realizado por meio da ultrassonografia transvaginal, mas, em alguns casos, é necessária a realização de procedimentos complementares.

Ultrassonografia transvaginal

A ultrassonografia transvaginal é o exame de primeira linha na investigação de pólipos endometriais. Ela permite a visualização da cavidade uterina e a identificação de formações polipoides, embora não seja totalmente conclusiva em relação à malignidade dos pólipos.

A infusão salina revela uma lesão polipoide originada do fundo. O Doppler com fluxo colorido identifica claramente um vaso central de alimentação. Dessa forma, a presença desse vaso alimentador pode ser usada para confirmar o diagnóstico de pólipo, mesmo na ausência de infusão salina.

Fonte: UpToDate, 2025.

Histeroscopia

A histeroscopia é considerada o padrão-ouro no diagnóstico de pólipos endometriais. Esse procedimento permite a visualização direta da cavidade uterina e a remoção de pólipos durante a mesma intervenção, o que proporciona um diagnóstico definitivo e terapêutico.

Assim, na imagem abaixo observa-se um grande pólipo funcional coberto por endométrio normal espalhado pela parede posterior da cavidade uterina:

Fonte: UpToDate, 2025.

Biópsia endometrial

Quando a ultrassonografia ou a histeroscopia indicam a presença de pólipos suspeitos, uma biópsia endometrial pode ser necessária. Portanto, a biópsia permite a análise histológica para detectar alterações malignas ou pré-malignas no tecido endometrial.

Tratamento: como abordar os pólipos endometriais?

O tratamento dos pólipos endometriais depende de vários fatores, como a presença de sintomas, o tamanho do pólipo e a idade da paciente. Em casos assintomáticos e com pólipos pequenos, o tratamento conservador pode ser uma opção, enquanto em casos sintomáticos ou com pólipos grandes, a remoção é indicada.

Tratamento conservador

Para pacientes com pólipos pequenos e assintomáticos, a observação pode ser uma abordagem inicial, especialmente em mulheres na pré-menopausa. No entanto, é importante monitorar a evolução dos pólipos com exames periódicos.

Remoção histeroscópica

A histeroscopia é a abordagem terapêutica mais comum para pólipos endometriais. Realiza-se a remoção dos pólipos durante o procedimento, sendo uma solução eficaz para a maioria das pacientes. Dessa forma, esse tratamento apresenta baixas taxas de complicações, sendo associado a boas taxas de sucesso na resolução de sintomas, como sangramentos anormais.

Polipectomia por curetagem

Em alguns casos, quando a histeroscopia não está disponível ou a remoção não é possível, pode ser realizada a polipectomia por curetagem. Esse procedimento envolve a remoção do pólipo por raspagem do endométrio, mas pode ser menos eficaz que a histeroscopia.

Tratamento médico

Em algumas situações, especialmente em mulheres que não desejam realizar cirurgia, o tratamento com progestágenos pode ser considerado. A medicação hormonal ajuda a reduzir o tamanho dos pólipos e controlar os sangramentos. No entanto, a eficácia dessa abordagem é limitada e o tratamento cirúrgico é geralmente mais eficaz.

Quando remover os pólipos?

A remoção dos pólipos é indicada quando:

  • Os pólipos causam sintomas como sangramentos uterinos anormais ou dor;
  • Os pólipos interferem na fertilidade ou causam abortos recorrentes;
  • Há suspeita de malignidade, especialmente em mulheres pós-menopausa;
  • O pólipo é grande o suficiente para interferir na cavidade uterina e causar alterações endometriais.

Prognóstico

O prognóstico para mulheres com pólipos endometriais é geralmente excelente após a remoção. A maioria dos pólipos é benigna, e a remoção cirúrgica tende a resolver os sintomas. No entanto, a recorrência de pólipos pode ocorrer, especialmente em mulheres com fatores de risco persistentes, como obesidade ou uso prolongado de estrogênios.

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Referências

  1. STEWART, Elizabeth A. Endometrial Polyps. UpToDate. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/endometrial-polyps. Acesso em: 7 out. 2025.

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