Conforme o site Cambridge Dictionary, podcast é um programa de rádio armazenado em mídia digital e com possibilidade de download pelo ouvinte. Ele pertence ao seleto grupo das ferramentas de livre demanda que possibilitam a um maior número de pessoas o acesso a diversos e distintos conteúdos de forma fácil e democrática. Fácil porque com um simples smartphone é possível ter contato com milhares de conteúdos. Democrático devido ao indivíduo ter a liberdade de escolher aquilo que deseja consumir.
Relatório feito pela Global Digital Statshot 2019 revela que no mundo 3,5 bilhões de pessoas utilizam redes sociais e 45% preferem o smartphone como meio de acesso. Além disso, esse mesmo relatório mostra que a atividade preferida dos internautas é assistir a vídeos online, cerca de 93%; já as outras atividades são escutar músicas, ouvir programas de rádio e escutar a podcasts. A Global Digital Statshot 2019 apresenta, também, que o Brasil é o quarto país que mais consome notícias online, superando países como Estados Unidos, França e Canadá.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmam que o telefone celular foi o aparelho mais utilizado pelos brasileiros para acessar a internet, sendo 122,1 milhões de pessoas. Por esse motivo, utilizar a internet e, mais especificamente, as mídias sociais como estratégia de divulgação da informação é algo já consolidado e efetivo. Diversas especialidades utilizam desse meio com ferramenta de propagação conteúdo. E isso não é diferente na área da saúde.
Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) preocupada com isso, criou um termo, ainda pouco conhecido, chamado “infodemia” que significa “um excesso de informações, algumas precisas e outras não, que tornam difícil encontrar fontes idôneas e orientações confiáveis quando se precisa”. A OPAS também define o termo “desinformação” para mostrar a diferença entre os conceitos. Assim, desinformação é “uma informação falsa ou imprecisa cuja intenção deliberada é enganar”.
A desinformação e a infodemia, principalmente na área da saúde, são ações muito comuns e amplamente difundidas. Um estudo brasileiro baseado nos dados de um aplicativo, que permitia ao usuário notificar conteúdos que julgava impróprios, revelou que a maioria das notícias falsas compartilhadas na internet foram relacionadas à saúde e os meios de disseminação mais usados foram Instagram (10,5%), Facebook (15,8%) e, principalmente, WhatsApp (73,7%).
Por esse e outros motivos sociedades, federações, universidades e instituições aderiram ao podcast como forma de difundir seus conteúdos. É interessante notar que um mesmo conteúdo pode ser abordado de maneira distinta e com uma linguagem adaptada para cada público específico.
Vamos utilizar como exemplo a plataforma do Spotify®, onde os podcasts são organizados conforme o conteúdo fornecido, se procurarmos por “Anemia” iremos encontrar uma aula completa no canal “Ausculta Aqui – O Podcast do SanarFlix” e também no canal “Passando Visita – Clínica Médica e Medicina Interna”, ambos voltados aos acadêmicos de medicina. Além disso, encontraremos o mesmo assunto no canal “DrauzioCast”, mas aqui com o objetivo de informar a população em geral.
Como outros exemplos, na mesma plataforma, encontramos o SBDCast, um podcast da Sociedade Brasileira de Diabetes, onde vários conteúdos sobre o diabetes são abordados de forma simples e muito didática. A Sociedade Brasileira de Cardiologia também tem um canal, o ‘SBC Podcasts”; outra instituição que também utiliza a plataforma é a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, com seu canal “Direto ao ponto SBPT”.
É claro que outras plataformas também podem ser utilizadas, o Ministério da Saúde, por exemplo, armazena em seu próprio site os conteúdos abordados no seu podcast “Saúde Brasil”. Nesse canal, os assuntos (e são vários assuntos) são direcionados ao público em geral com uma linguagem simples e extremamente didática.
Algumas universidades, com objetivo de atender as demandas de seus alunos ou da população em geral também laçaram mão dessa ferramenta para difundir o conhecimento. Na área médica, por exemplo, a Universidade de São Paulo criou o programa “Saúde sem complicações- USP” com objetivo de “aproximar a universidade da comunidade externa a partir da discussão de temas que tratam do processo saúde-doença”. Outro programa, inclusive, recente e bem-humorado (esse eu sou suspeito para falar) é o “Do Jaleco ao Microfone” da Fundação Educacional do Município de Assis, em que alunos “batem um papo” com médicos e professores sobre os diversos temas da saúde. Já UFPR tem o “Podcast Medicina UFPR”, onde os conteúdos são abordados de forma mais técnica para acadêmicos e médicos.
Por fim, o podcast na área da saúde é uma forma de nos mantermos atualizados e, portanto, é uma ferramenta que combate a desinformação contida na infodemia. Ele nos permite ajustar o “tom da conversa” que queremos ter, ou seja, nos possibilita um conteúdo mais técnico ou algo mais leve e didático. Devemos apenas escolher corretamente as fontes de onde obteremos a informação desejada e aproveitar um dia lindo de sol para realizar uma corrida, enquanto ouvimos sobre os novos tratamentos de uma determinada patologia no programa de alguma importante sociedade brasileira e, tudo isso, diretamente do nosso celular.
Referências:
GALHARDI, Cláudia Pereira; FREIRE, Neyson Pinheiro; MINAYO, Maria Cecília de Souza; FAGUNDES, Maria Clara Marques. Fato ou Fake? Uma análise da desinformação frente à pandemia da Covid-19 no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, [S.L.], v. 25, n. 2, p. 4201-4210, out. 2020. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320202510.2.28922020.
IBGE (ed.). Sistema de informações e indicadores culturais: 2007-2018. Rio de Janeiro: Ibge, 2019. 264 p. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101687.pdf. Acesso em: 17 fev. 2022.
KEMP, Simon. GLOBAL SOCIAL MEDIA USERS PASS 3.5 BILLION. 2019. We are social. Disponível em: https://wearesocial.com/blog/2019/07/global-social-media-users-pass-3-5-billion. Acesso em: 17 ago. 2021.OPAS. DEPARTAMENTO DE EVIDÊNCIA E INTELIGÊNCIA PARA AÇÃO EM SAÚDE. ENTENDA A INFODEMIA E A DESINFORMAÇÃO NA LUTA CONTRA A COVID-19. Genebra: OPAS, 2020.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.