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POCUS no paciente com instabilidade hemodinâmica

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POCUS, ou Point-of-Care Ultrasound, consiste em uma técnica que utiliza ultrassom realizado à beira do leito do paciente para auxiliar na tomada de decisões médicas imediatas. Esta abordagem tem ganhado destaque na prática clínica devido à sua capacidade de fornecer informações rápidas e relevantes sem a necessidade de encaminhamento para o departamento de radiologia.

Além disso, vários estudos têm demonstrado que o POCUS no paciente com instabilidade hemodinâmica pode auxiliar no estreitamento do diferencial e na identificação do tipo de choque em relação à avaliação tradicional.

Objetivo do POCUS

Ao contrário de uma avaliação minuciosa realizada por um radiologista, o POCUS pode ser conduzido por qualquer médico treinado.

Seu objetivo consiste em avaliar rapidamente e de maneira específica as estruturas anatômicas do paciente em questão, sem a necessidade de transporte. Além disso, é um procedimento não invasivo.

Abordagem sistemática no paciente instável hemodinamicamente

No paciente instável hemodinamicamente, é importante que a abordagem seja sistemática, avaliando aspectos essenciais para um manejo adequado e rápido.

Impressão inicial

Observa-se: 

  • A: Aparência e via aérea
  • B: Respiração (algum som?)
  • C: Coloração (cianose? moteamento?)

Avaliação primária

Observa-se: 

  • A: Via aérea novamente
  • B: respiração (ausculta, POCUS, monitor)
  • C: Circulação (ausculta, POCUS, monitor)
  • D: Disability – AVDI (acordado, voz, dor, irresponsivo)
  • E: Exposição (temperatura, coloração da pele)

Avaliação secundária

Nessa fase deve-se avaliar:

  • Sinais e sintomas
  • Alergias 
  • Medicações em uso
  • Passado médico
  • Last meal: última alimentação
  • Evento que gerou problema
  • Solicitar exames complementares.

Janelas do choque circulatório

As “janelas do choque circulatório” referem-se aos diferentes pontos de observação e avaliação clínica que os médicos podem utilizar para entender a fisiopatologia e as necessidades do paciente em estado de choque.

Essas janelas fornecem uma visão sobre os sistemas do corpo afetados e ajudam a direcionar o tratamento adequado.

Choque circulatório não é sinônimo de PA baixa!

  • Alteração do estado mental
  • Oligúria
  • Moteamento/pele pegajosa
  • Hipotensão/taquicardia
  • Hiperlactemia
  • Aumento do tempo de enchimento capilar

Protocolo RUSH do POCUS no paciente com instabilidade hemodinâmica

O Protocolo RUSH (Rapid Ultrasound in Shock) consiste em uma abordagem de ultrassonografia à beira do leito que visa avaliar rapidamente pacientes com instabilidade hemodinâmica.

Utiliza-se este protocolo para identificar possíveis causas de choque circulatório e orientar o tratamento imediato.

Avaliação cardíaca

Realiza-se uma avaliação rápida da função cardíaca, incluindo a visualização dos ventrículos esquerdo e direito, avaliação da contratilidade miocárdica e identificação de tamponamento cardíaco.

O médico deve procurar por sinais de disfunção sistólica ou diastólica, como fração de ejeção reduzida, dilatação ventricular, ou presença de efusão pericárdica.

Avaliação pulmonar

Verifica-se a presença de derrame pleural, pneumotórax ou consolidação pulmonar.
Deve-se avaliar o padrão do artefato de deslizamento pleural para descartar ou confirmar a presença de pneumotórax.

Volume e responsividade

Utiliza-se técnicas de ultrassom para avaliar o volume intravascular, incluindo o colapso da veia cava inferior durante a inspiração.

Além disso, deve-se avaliar a resposta à expansão volêmica, observando alterações na pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio após a administração de fluidos.

Avaliação de fluxo sanguíneo

Utiliza-se o doppler para avaliar o fluxo sanguíneo em grandes vasos, como a aorta e as artérias femorais.
O profissional deverá procurar por sinais de obstrução ou estenose que possam contribuir para a instabilidade hemodinâmica.

Avaliação abdominal

Uma rápida avaliação abdominal deverá ser realizada para identificar possíveis fontes de hemorragia, como ruptura de órgãos sólidos ou aneurisma abdominal.

Observa-se sinais de distensão abdominal ou líquido livre na cavidade abdominal.

Sinal do D: achado indicativo de pneumotórax

O “Sinal do D” no contexto do POCUS (Point-of-Care Ultrasound) refere-se a um achado ultrassonográfico que pode ser indicativo de um pneumotórax. Quando visualizado no ultrassom, o “Sinal do D” aparece como uma linha hiperecogênica curva, que representa a interface entre o pulmão colapsado e a parede torácica.

Essencialmente, observa-se este sinal quando há um espaço virtual entre o parênquima pulmonar e a parede torácica, criando uma linha de reflexão ultrassonográfica. O “D” no nome desse sinal refere-se à forma semelhante a uma letra “D” que essa linha hiperecogênica muitas vezes apresenta.

Este achado é particularmente útil na detecção de pneumotórax em pacientes com suspeita clínica devido à sua sensibilidade e especificidade. No entanto, deve-se considerar outros achados clínicos e radiológicos para um diagnóstico preciso, pois o “Sinal do D” pode não ser visível em todos os casos de pneumotórax e também pode estar presente em outras condições pulmonares.

Esta é uma incidência paraesternal no eixo curto em um paciente com êmbolos pulmonares extensos. O sinal do D revela o ventrículo esquerdo em forma de “D”, quando há distensão do Ventrículo direito.

POCUS na PCR

O POCUS pode ajudar a identificar causas reversíveis de PCR, como tamponamento cardíaco, pneumotórax tensionado, hipovolemia, embolia pulmonar maciça ou dissecção de aorta. A detecção precoce dessas condições pode direcionar intervenções específicas para corrigir a causa subjacente da PCR.

Além disso, durante a PCR, o POCUS pode ser usado para avaliar a função cardíaca, incluindo a visualização da movimentação do miocárdio e a identificação de efusões pericárdicas. Essas informações podem ajudar a determinar a necessidade de terapias específicas, como pericardiocentese.

O POCUS também pode ser usado para verificar a posição do tubo endotraqueal durante a reanimação cardiopulmonar, garantindo sua localização correta na traqueia e prevenindo complicações relacionadas à ventilação inadequada.

Protocolo CASA

O Protocolo CASA (Cardiopulmonary, Abdominal, Shock Assessment) é um protocolo de ultrassonografia à beira do leito que visa fornecer uma avaliação rápida e abrangente de pacientes com instabilidade hemodinâmica ou em estado crítico. Utiliza-se frequentemente esse protocolo em situações de emergência, como na sala de emergência ou na unidade de terapia intensiva, para ajudar os médicos a identificar potenciais causas de choque circulatório e direcionar o tratamento adequado.

Exame CASA

O operador avalia para tamponamento (1ª pausa), embolia pulmonar (2ª pausa), e atividade cardíaca (3ª pausa). Durante a RCP, avalia pneumotórax e hipovolemia. A ordem do protocolo foi escolhida para refletir a prevalência da etiologia da parada cardíaca.

Considerações sobre POCUS

Alguns pontos importantes:

  • Não perder >10 segundos;
  • Nada pode atrasar as compressões cardíacas, devido ao desfecho desfavorável;
  • Não esquecer das causas não visualizáveis pelo USG;
  • Com exceção do tamponamento ( e talvez do pneumotórax), esse exame não confirma nem descarta nada.

Confira o vídeo das médicas Saionara Alves e Annelise Wanderley sobre o uso do POCUS na dispneia indiferenciada:

Referências bibliográficas

  • Moore CL, Copel JA. Point-of-care ultrasonography. N Engl J Med. 2011 Feb 24;364(8):749-57.
  • Making health care safer: a critical analysis of patient safety practices. Rockville, MD: Agency for Healthcare Research and Quality. (AHRQ publication no. 01-E058.)

Perguntas Frequentes:

1 – O que é POCUS?

Forma de avaliação a beira-leito de pacientes utilizando aparelho de ultrassonografia portátil (point-of-care ultrassonography).

2 – Qual o protocolo mais famoso para avaliação do paciente instável hemodinamicamente com POCUS?

Protocolo RUSH!

3 – Qual o protocolo indicado para uso do POCUS na PCR?

Protocolo CASA!

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