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Planos de De Lee | Colunistas

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Os planos de De Lee correspondem a uma ferramenta importante na construção de partogramas na Obstetrícia, sendo analisados juntamente com a dilatação do canal cervical e a variedade de posição.

Os planos relacionam o posicionamento do ponto mais baixo do polo cefálico fetal em relação às espinhas isquiáticas maternas, configurando a altura da apresentação do feto.

Avaliação

Tomamos como ponto zero o plano transversal das espinhas isquiáticas, com os pontos máximos variando geralmente entre -3 cm e +3 cm. Acima das espinhas, utilizamos as numerações negativas com a distância em centímetros.

Abaixo delas, ou seja, quanto mais próximo estamos do intróito vaginal, utilizamos as numerações positivas. Pense nisso: estamos construindo a evolução de um trabalho de parto, portanto vamos do mais inicial para o mais avançado.

Quanto mais alto o feto, menor será o número correspondente a sua altura. Por exemplo, um feto que está na posição -3 do plano estará acima de outro que está na posição -1, enquanto um feto em posição +2 já está mais avançado, ou seja, mais baixo que os anteriores. Regra geral: quanto maior o número, mais próximo de nascer estará o feto!

Figura 1: Representação esquemática dos planos de De Lee.

Há uma correlação importante entre os planos de De Lee e a pelvimetria (avaliação da bacia da mãe), idealmente realizada na primeira consulta do pré-natal. A pelvimetria tem a finalidade de estimar se a pelve materna será adequada, ou não, para um parto vaginal. Ela por si não irá determinar a via de parto definitivamente, já que isso também irá depender do feto e da evolução do trabalho de parto, mas corresponde a um bom parâmetro preditivo e também será importante para diagnosticar o vício pélvico (quando um feto, ainda que de tamanho normal, não passaria pela pelve da mãe).

Na pelvimetria, são avaliados os três estreitos: superior, médio e inferior. O estreito superior corresponde à conjugada obstétrica, que não conseguimos palpar diretamente, e por isso fazemos sua avaliação através da conjugada diagonal (palpada da borda inferior da sínfise púbica até o promontório). O estreito inferior é avaliado através do diâmetro bituberoso (entre as tuberosidades isquiáticas) e do ângulo subpúbico. As espinhas isquiáticas (plano 0 de De Lee) ocupam o estreito médio e em sua normalidade se encontram apagadas, ou seja, sutilmente palpáveis. Espinhas isquiáticas salientes ao toque vaginal podem indicar um mau prognóstico para o trabalho de parto normal, o que poderá ser visto através do partograma.

Figura 2: visualização do estreito superior.
Figura 3: visualização superior do estreito médio.
Figura 4: visualização do estreito inferior.

Aplicação Prática

Ao acompanhar um trabalho de parto, é necessário realizar toques vaginais seriados para avaliar o colo uterino e o feto. Pensando nas fases do trabalho de parto, a altura da apresentação do feto começa a variar (ou seja, descer) a partir da dilatação, com o esvaecimento (afinamento) do colo, e terá maior progressão no período expulsivo do parto, até o momento do desprendimento total do polo cefálico.

Figura 5: Toque vaginal avaliando altura da apresentação.

A palpação das espinhas isquiáticas é feita através das paredes laterais da vagina.

Figura 6: Relação entre a altura da apresentação (linha contínua) e a dilatação cervical (linha pontilhada) durante o trabalho de parto.

Construindo partogramas

O mais importante sobre os planos de De Lee é saber interpretá-los ao ver ou construir um partograma.

Figura 7: partograma normal.

Vamos utilizar o partograma acima como exemplo. Foram realizados 6 toques vaginais, a maioria deles a cada 2 horas. Na hora 1, o feto estava acima do plano -3, o que é chamado de alto e móvel (AM). Na hora 6, o feto se encontrava no plano -2, conforme a dilatação vaginal progredia. Na hora 9, com dilatação total, inicia-se o período expulsivo do trabalho de parto e o feto já se encontra em +2. Na hora 11, o polo cefálico progrediu para +4 e, então, ocorreu o nascimento do bebê.

Caso não saiba ou não se lembre de todos os detalhes de um partograma, confira mais sobre eles aqui!


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

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